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 Novembro 27, 2007
COLADO DO JORNAL "O GLOBO" - 27/11/07
ARTIGO JORNALISTA MIRIAM LEITÃO
Licença para gastar
O presidente Lula cortou a fitinha da nova política fiscal. Está oficializado o tempo da gastança. O governo Lula nunca foi austero, porém, no começo do primeiro mandato, era o tempo da culpa. Os gastos cresciam, mas o Ministério da Fazenda tentava propor limitações — sempre rejeitadas por outros órgãos. Mas, pelo menos, tentava. Agora, o presidente deu a todos licença para gastar.
Toda semana, o site "Contas Abertas" publica uma coluna chamada Carrinho de Compras, mostrando as curiosas encomendas feitas pelos órgãos federais. A última: a Secretaria de Administração da Presidência está comprando uma serra elétrica. É para cortar gesso para fratura. Mas quem será que se engessa tanto na Presidência? Muita gente lá vive quebrando a cara, mas não ao ponto de engessar! Na semana passada, foram dois mil pares de meia. Quantos pés tem a Presidência? A lista de compras exóticas é interminável. Alguns são mais, outros são menos ofensivos ao equilíbrio fiscal ou a coerência das políticas.
O jornalista José Casado, na primeira reportagem da série sobre mordomias, publicada pelo GLOBO, contou uma história emblemática: "Álamo", o presidente Lula, para a segurança, usa um Chevrolet Omega, australiano, bebedor de gasolina (6km/litro). Uma doença típica de Brasília é que todos querem imitar Álamo, quem quer que seja o Álamo da vez. Por isso, o carro está virando onipresente nas frotas oficiais e de lobistas. A contradição ressaltada por Casado: na pátria do biocombustível e do carro flex, o poder prefere um modelo que não economiza combustível fóssil.
Mordomias brasilienses são velhos males do Brasil. A imprensa, de vez em quando, traz instantâneos espantosos do desperdício, do abuso de autoridade, de gastos pessoais pagos com dinheiro público, de carro oficial em compras de família. Alguns governos, depois dessas reportagens, anunciam cortes.
A primeira reportagem feita sobre o tema foi no "Estado de S.Paulo", coordenada por Ricardo Kotscho, em 1976. O governo Geisel vinha tentando cortar gastos. Naquela época, o Brasil tinha 19 ministérios, e isso era motivo de escândalo. Agora tem 37 e, após a reportagem, tudo o que o presidente tem a dizer é que "se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo o dinheiro, seria ótimo". Entre aquele momento e hoje, o número de ministérios aumentou 94%. E o presidente gasta sem culpa, convencido de que está certo.
O presidente Lula está errado. Há cortes de gastos que obrigam administradores a escolher prioridades, a rever rotinas e processos, a racionalizar, a melhorar a administração, a focar no cliente. Foi assim que empresas brasileiras enfrentaram e venceram a competição internacional quando o país abriu sua economia. É assim que vários governantes deixaram sua marca de eficiência. Quando Álamo diz: vamos gastar, isso $um perigoso processo de relaxar qualquer tipo de controle. O que deixará o Brasil ingovernável é a compulsão de gastar sem controle que os governos brasileiros — não apenas o de Lula — têm demonstrado.
No seu último trabalho no Ipea, Fábio Giambiagi mostrou que, há 17 anos, as despesas públicas crescem acima do aumento do PIB. Há 17 anos, as receitas têm que cobrir despesas crescentes; seja tempo de recessão ou de crescimento. O ajuste fiscal aqui foi feito pelo contribuinte: ele mandou mais dinheiro para um Estado gastador. A diferença é que era um gastador envergonhado, que prometia combater o vício. O que o presidente Lula convalidou, nesta entrevista ao GLOBO, no domingo, foi que a farra está instituída, legitimada, e é a única forma de governo. Portanto, caro contribuinte, prepare-se. O governo está se endividando no mercado futuro de aumento da carga tributária.
É inquietante que o presidente Lula não tenha entendido, até agora, no final do quinto ano de governo, a complexidade da questão dos gastos. Ele diz que precisa contratar mais professores para melhorar a educação e mais médicos para melhorar a saúde. Se fosse isso, seria mais simples. O Estado brasileiro precisa contratar mais em várias áreas e reduzir pessoal em outras; precisa aumentar salários em certos níveis, mas, em outros, eles são absurdos. Um jovem procurador, entrando na carreira com salário próximo de R$ 20.000, é evidentemente uma distorção; tanto quanto salários baixos pagos a médicos, por exemplo. A Amazônia precisa de mais cientistas. Os professores brasileiros deveriam ser mais bem treinados para os novos desafios da educação. A elite do funcionalismo ganha 24,5 vezes o salário médio do país (nos Estados Unidos, são 4,4 vezes), enquanto há funcionários ganhando salários irrisórios. Os funcionários públicos continuam se aposentando cedo; o gasto com a previdência pública é absurdo para um país que tem menos de 10% da sua população com mais de 60 anos. Os militares têm um enorme orçamento, e a maior parte vai para inativos. A estrutura do gasto está errada. Seria bom se, a esta altura, o presidente tivesse entendido todo esse drama.
O Estado precisa gastar mais em várias áreas. Como fazer isso se o Estado já tira dos cidadãos 35% do PIB ao ano, ainda dá um déficit nominal de 3% do PIB e todo esse dinheiro não é suficiente para serviços de qualidade? Só pode aumentar os gastos nas áreas certas; quando puder escolher onde cortar.
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postado por Júlio às 10:37
 Novembro 22, 2007
COLADO DO BLOG DO JORN. CLAUDIO HUMBERTO - 22/11/07
“CONTRIBUIÇÃO SINDICAL”
É um eufemismo designar um pagamento obrigatório, correspondente à remuneração de um dia de trabalho de todos os trabalhadores, como “contribuição”. O desconto desse valor do salário de fevereiro de cada ano é imposto aos empregados, logo deveria ser designado como “imposto sindical”.
Discute-se agora se esse imposto deve continuar como tal ou se seria mais correto se fosse voluntário, cada empregado decidindo por si próprio essa contribuição.
Tenho para mim que essa segunda hipótese seria muito mais justa, pois estaria de acordo com o estabelecido na Constituição atual que, em seu Art. 5º, inciso II, determina que “ninguém será obrigado a fazer, ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei”.
Além disso, e para reforçar o argumento, o Inciso V do Art. 8º da Constituição ainda estabelece que “ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato”
Ora, se o trabalhador não é obrigado a se filiar a um sindicato, não há qualquer motivo para que ele seja compelido a pagar uma “contribuição sindical”.
É evidente que os sindicatos são associações; o fato de terem como contribuintes obrigatórios apenas os que laboram em determinada categoria profissional não tem o condão de descaracterizar esse fato.
Por outro lado, os sindicatos passariam a viver com as contribuições espontâneas de seus filiados que, por sua vez, teriam legítimo interesse em prestigiá-los, contrariamente ao que sempre aconteceu, talvez até contribuindo com valores maiores do que os que lhes são confiscados atualmente.
Certamente seriam mais concorridas as assembléias convocadas para a eleição de seus dirigentes, conferindo real autenticidade aos eleitos.
Como também seriam mais legítimas e realmente representativas da opinião dos associados as reivindicações apresentadas aos empregadores.
Comparando, assim como temos e desejamos continuar vivendo sob um regime democrático eleito em eleições livres e diretas, o trabalhador também deve gozar desse direito em sua associação de classe.
Esses dirigentes assim eleitos teriam muito maior autenticidade, não viveriam como nababos; se tentassem faze-lo, com certeza não permaneceriam uma eternidade como diretores do sindicato.
A ditadura getuliana impôs ao Pais a Consolidação das Leis do Trabalho na primeira metade do século passado. Possivelmente era necessário, àquele tempo, existir algum instrumento legal para regular a relação de trabalho; mas haveremos de convir que já se passou suficiente tempo para que essa situação fosse revista.
De nenhuma forma procedem as invectivas de que os “direitos” dos trabalhadores têm que ser preservados rigidamente e que, por isso, deveria haver alguma entidade a defende-los.
A automação industrial, a comunicação via internet, a informática, transformaram o mundo, conseqüentemente também o Brasil, de forma dramática.
Aliás, é anacrônico verificar que em nossa Constituição, aquela que o Deputado Ulysses Guimarães proclamou como sendo a “cidadã”, não haja referência significativa às obrigações do cidadão, tendo todos seus dispositivos relacionados aos “direitos”.
Não há possibilidade de equilíbrio se, a cada “direito” não corresponder uma “obrigação, e vice-versa. Cria-se uma relação capenga, aleijada.
Ao mesmo tempo em que se discute a manutenção (ou não) da Contribuição Sindical, foi incluída nesse debate uma alteração no rateio dos valores arrecadados, que atualmente inclui os próprios sindicatos individuais, as federações estaduais e as confederações nacionais, além do governo federal.
Agora se discute se devem ser incluídas nesse rateio as organizações supra-confederações, tais como a CUT, a Força Sindical e outras. A parcela que caberia a essas entidades seria deduzida da parcela que atualmente é destinada ao Governo Federal.
Mais uma distorção seria introduzida.
Já é um absurdo que o governo receba parte do imposto sindical pago pelos trabalhadores. É tolerável que parte do que os trabalhadores pagam sirva para sustento financeiro das Federações e das Confederações. È indecoroso que uma parte dessa arrecadação se destine ao governo federal. E é completa e absurdamente errado que parte dessa dinheirama sirva para financiar as entidades supra-sindicais, com as quais os trabalhadores não têm qualquer contato.
Finalmente, já que estou escrevendo sobre sindicatos, uma pergunta: como pode ser justo considerar como pertencendo à mesma categoria (metalúrgico, no caso), o empregado de u’a montadora de automóveis e o empregado de uma pequena oficina de fundo de quintal ?
Peter Wilm Rosenfeld
pwrosen@uol.com.br
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postado por Júlio às 11:45
 Novembro 21, 2007
COLADO DO JORNAL "O GLOBO" - 21/11/07
ARTIGO JORNALISTA MIRIAM LEITÃO
Tempos difíceis
Quando o e-mail circulou no Ipea convidando para um almoço de despedida dos quatro economistas afastados do órgão, ninguém achava que tanta gente compareceria. Para lá foram, inclusive, pessoas que discordam dos expurgados, mas discordam muito mais do expurgo em si. O afastamento é a parte mais visível do festival de obscurantismo e maus modos que atacou o instituto de pesquisa do governo.
Marcio Pochmann é o terceiro presidente do Ipea do governo Lula. É o primeiro a usar os métodos que usa. No instituto, todo mundo acha normal que uma nova direção troque diretores, tire DAS, faça suas escolhas. Mas a nova direção está encurralando quem pensa diferente, com exonerações, expurgos, retirada de dinheiro de pesquisa, interrupção de trabalhos em andamento, suspensão de convênios e o que é pior: tenta legitimar tudo o que faz levantando uma suspeita de que existia antes algo "irregular". Os convênios com a Anpec, por exemplo, sempre foram a ligação do Ipea com todos os cursos de pós-graduação do país. O Ipea vive em regime de intervenção. O clima está "indigesto", define um dos vários economistas com quem a coluna conversou. A produção caiu, estudos foram interrompidos, há pessoas valiosas fazendo as malas, como o Ricardo Paes de Barros, considerado, dentro e fora do instituto, um gênio.
No dia da posse, Pochmann encontrou Regis Bonelli e disse:
— Professor, já te conheço de nome, espero continuar contando com a sua ajuda.
Bonelli é aposentado do Ipea, mas há anos tem feito trabalhos eventuais para o instituto. Não recebia salário. Recebia por contratos de pesquisa específicos. Estava, naquele momento, terminando um texto sobre o "Estado e o Desenvolvimento" para o novo número de "O Estado de uma Nação". O texto que entregou criticava os gastos públicos mostrando que eles não têm levado a mais desenvolvimento. Analisou 10 anos para não ser visto como crítica a um governo, mas ao Estado gastador. Não agradou. Nem esse, nem qualquer outro estudo.
O "Estado de uma Nação" foi criado no atual governo e seu objetivo é agregar o resultado das novas pesquisas do Ipea e incluir idéias surgidas fora do instituto. Quando estava quase tudo pronto, o economista Paulo Tafner foi avisado por um telefonema que estava exonerado do cargo de editor. Outra revista mais acadêmica, "Pesquisa e Planejamento Econômico", recebeu também informação de que terá novo editor.
Na semana passada, Bonelli foi chamado à sala de João Sicsú. Lá estava não o titular do cargo, mas seu assistente, Renault Michel. E o diálogo foi curioso.
— Quero lhe agradecer o trabalho que o senhor sempre fez no Ipea.
— Fiz não, ainda faço.
— O senhor fez várias coisas boas. Aliás, a única coisa boa que o Malan fez aqui foram os trabalhos com o senhor. Mas agora queremos corrigir umas irregularidades.
— Eu não faço nenhuma irregularidade e, se você quiser a minha sala, basta me avisar.
Que alguma coisa esquisita tinha começado a acontecer até os corredores do Ipea descobriram em abril, quando dois assessores do senador Marcelo Crivella entraram no prédio, pediram para falar com a diretoria de recursos humanos. Queriam saber quantos DAS tinha o Ipea.
O novo diretor do Rio é o primeiro de fora da carreira que assume o posto. Mas isso não é o relevante. O esquisito é a maneira como essa direção lida com as pessoas que estão no instituto há décadas. Ele convocou todos para sua posse. Chegou uma hora e meia atrasado, ficou alguns minutos e foi embora. O breve discurso, para uma platéia de mestres e doutores, foi patético:
— Meu nome é Sicsú. Sic-sú! O dever de casa de todos é aprender como se pronuncia o meu nome. Se quiserem alguma coisa comigo, a senha é professor. Me chamem de professor.
O "professor" tem estado muito ausente, não comparece aos seminários da casa, quase não recebe quem pede para conversar. A não ser para conversas tensas, como a que teve com Fábio Giambiagi, quando ele foi perguntar se o convênio com o BNDES seria mantido. Nela, ele não respondeu a pergunta direta. Depois é que a notícia circulou.
O convênio com o BNDES era um grande negócio para o Ipea. Por ele, o instituto tinha dois excelentes economistas, Fábio e Otávio Tourinho, sem gastar um tostão. O pretexto para afastá-los foi ridículo: de que se quer estudar "agora" o longo prazo. Mas é exatamente o que os dois sempre fizeram, como no caso dos estudos sobre previdência. Com Gervásio Rezende e Regis, o Ipea também não tinha gastos e tinha a vantagem de contar com a maturidade dos economistas. Regis Bonelli, há anos, ajuda a formação dos jovens que entram no instituto.
O esquisito é que não é uma perseguição ideológica a inimigos da política econômica. Na verdade, parece o oposto. Michel e Sicsú têm publicado artigos contra a política monetária e a política cambial. O pensamento vivo da turma pode ser resumido: eles são contra o Banco Central e a favor da gastança. Alguns dos argumentos que usam são constrangedores, pelo que revelam de desconhecimento de teoria econômica.
O ministro Mangabeira Unger avisou na posse que iria "organizar o dissenso". Está organizando o obscurantismo. Quando a notícia do expurgo chegou aos jornais, Pochmann reagiu: "Deve ser coisa orquestrada." Essa reação é um clássico do autoritarismo. A mistura de obscurantismo e autoritarismo é um filme muito velho, que o Ipea, nascido numa ditadura militar, não pensou que veria, aos 43 anos, e em plena democracia.
Transcrito de O Globo de 21/11/2007
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postado por Júlio às 11:39
 Novembro 19, 2007
Artigo de Clóvis Rossi hoje na "Folha" :
Vale para Chávez, vale para Lula
SÃO PAULO - Depois que Luiz Inácio Lula da Silva decretou que era "bravata" tudo o que passou a vida dizendo quando estava na oposição, o bom senso recomenda que se tomem com pinças todas as suas declarações. Podem ser desclassificadas depois, ao sabor das conveniências. É o que acaba de ocorrer com a sua tese -de resto correta- de que é "brincar com a democracia" a tentativa de seus bajuladores no PT de forçar um terceiro mandato.
Todas as declarações que Lula fez anteontem a propósito dos esforços de seu amigo Hugo Chávez para perpetuar-se no poder servem, à perfeição, para o próprio Lula.
Se ninguém reclamou de que François Mitterrand, por exemplo, ficou 14 anos na Presidência da França, por que deveria reclamar se Luiz Inácio Lula da Silva ficar 12 anos na Presidência do Brasil (ou 16 ou 20 ou até morrer)?
Claro que o argumento parte de uma premissa falsa. Mitterrand não mudou as regras do jogo com ele em andamento para permanecer 14 anos no Eliseu. A regra era um mandato de sete anos com direito à reeleição. Ponto.
Se também ninguém reclamou por Felipe González ter ficado 14 anos como presidente do governo espanhol, ninguém deveria reclamar se Lula ficar um pouco mais ou um pouco menos, certo?
De novo, a premissa é falsa. A regra do jogo na Espanha é o parlamentarismo que pressupõe, sim, reeleições indefinidas, mas com a hipótese de um voto de desconfiança derrubar o governante até no primeiro ano, sem qualquer trauma, o que não acontece no regime presidencialista.
Ao contrário do que diz Lula, o problema não é "a continuidade". É, entre tantos outros, mudar a regra do jogo depois de ter jurado defendê-la. Mas, como se viu desde que renegou todas as "bravatas" de oposicionista, desdizer o que disse não é problema para Lula.
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postado por Júlio às 15:04
 Novembro 14, 2007
COLADO DO BLOG - SERJÃO COMENTA DO CÉU - 14/11/07
Jobim chamou Doutor Mercado. Tarde demais.
É sempre assim, nunca falha. Quando um burocrata é muito incompetente para resolver um problema entrega-o aos cuidados do Dr. Mercado. Ele é odiado por todos de Bananópolis, um lugar mais chegado a um paternalismozinho estatal. Dizem que o nobre médico segue a escola liberal reacionária. Acusam-no de insensível e cruel. Mas não tem jeito. Quando a coisa aperta, o paciente está quase morto, ele é chamado praticamente para assinar o óbito do doente. Péssima fama tem o Dr Mercado. Aqui, é para isso mesmo que ele existe. Para ser satanizado e servir de bode expiatório para todas as cagadas dos esquerdistas que gerenciam Bananópolis. O problema é que, ao contrário do que a esquerda propaga, Doutor Mercado é um ótimo médico. Só que sempre é chamado na hora errada.
Desta vez quem pede seus préstimos é Nélson “sucuri” Jobim para o problema da BRA. Incapaz de ser resolvido pelo modelo estado-gigante que temos, a solução cabe a Dr, Mercado. É ele que é acionado para dar uma solução...”de mercado”. Ou seja, 1100 trabalhadores vão para a rua e todos os passageiros, que confiaram numa empresa que deveria ser fiscalizada pelo estado brasileiro, que se estrepem com seus bilhetes comprados. É o Doutor Mercado que recomenda esta solução. Pobre médico. Somente é lembrado pelos políticos quando eles se transformam em liberais. Por que diabos ele não é acionado para agir preventivamente? Se fosse assim, não haveria o maldito duopólio no setor aéreo brasileiro. A malha aeroviária seria aberta às companhias aéreas estrangeiras, com a população, alvo prioritário do Dr Mercado, sendo muito melhor servida. Os que atrasam vôos, os que só oferecem biscoito goiabinha, os que operam aeronaves com problemas mecânicos, os que têm fama de low-cost mas na realidade cobram preços internacionais, os que MATAM SEUS PASSAGEIROS, todos estes estariam fritos na mão do implacável médico que as mataria com uma injeção letal. Com Doutor Mercado, não tem “vem cá meu bem”. Só os competentes merecem sobreviver e nem adianta espernear com nacionalismo chinfrim. Claro que tudo isso sempre fiscalizado por uma agência reguladora (Dr Mercado aprecia o modelo) sem apadrinhados que defendam justamente os interesses dos atores que deveriam fiscalizar. Ademais, segundo o Tratado de Medicina Liberal do prezado doutor, a INFRAERO, esta vergonha nacional, chiqueiro onde chafurdam políticos corruptos, já estaria privatizada há muito tempo, sendo operada por pessoal qualificado e competente. Simples, não?
Mas se é assim, por que raios a receita do Doutor Mercado nunca é cumprida? É óbvio: justamente por que este é o modelo que é conveniente aos políticos dirigentes de Bananópolis. Como as coisas estão, é uma beleza. Há estatais onde apadrinhar correligionários; onde superfaturar obras; há um duopólio que permite uma imensa troca de favores de todo o tipo (Alô Nenê...um abração para o Roriz, hein...). Tudo isso com a cínica e esfarrapada desculpa do nacionalismo e do estratégico. Afinal o apagão é nosso, não é mesmo? Claro que não estão ligando a mínima para os que sofrem em aeroportos. Por que se importariam se este modelo é tão interessante e boa parte deles só viaja de avião da FAB?
Ah, sim. De vez em quando cai um avião matando todos os passageiros. Mas isso para eles é bobagem.
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postado por Júlio às 12:57
COLADO DO "JORNAL DO BRASIL ON LINE" - 14/11/07
-JORNALISTA AUGUSTO NUNES-
Aja ou saia. Faça ou vá embora
Como um piloto de caça que, excitado pela iminência do combate, começa a subir aos céus ainda na metade da pista do porta-aviões, Nelson Jobim decolou já no quinto parágrafo do discurso de posse. Até então, o substituto de Waldir Pires no Ministério da Defesa justificara a fama de gaúcho sabido com a evocação de episódios protagonizados por nomes de rodovias, ruas e avenidas - dom Pedro II, Zacharias de Goes e Vasconcellos ou Benjamin Constant, por exemplo. A aula de história foi encerrada com o mandamento atribuído a Benjamin Disraeli, duas vezes primeiro-ministro do império britânico no fim do século 19.
"Never complain, never explain, never apologise", caprichou Jobim. Caridoso com os muitos monoglotas na platéia, repetiu na língua nativa a lição em inglês: "Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe", traduziu. Foi a senha para que o controle do manche passasse às mãos do novo gerente-geral do apagão aéreo. "Aja ou saia, faça ou vá embora", arremeteu espetacularmente o comandante Jobim.
A ameaça causaria forte impressão mesmo se gaguejada por um candidato a vereador de grotão. Formulada pela figura com mais de 100 quilos esparramados por quase 2 metros, transformou-se num ultimato tremendo, prelúdio da contra-ofensiva reclamada pelo país desde outubro de 2006, quando se escancarou o colapso da aviação civil.
"Grande escolha", cumprimentou-se Lula. Marco Aurélio Garcia escondeu-se no banheiro para endereçar à turma do contra outro formidável top-top-top. A trovoada no coração do poder ultrapassou os limites do Planalto. Andorinhas voaram de costas, urubus ficaram brancos de medo. Romário se enganara, animaram-se multidões de flagelados dos aeroportos. O cara não era ele. O cara era Jobim.
Era nada, não demoraram a perceber todos os brasileiros com mais de cinco neurônios. O escolhido por Lula assumira o cargo com uma lista de condenados à degola, um balaio de candidatos a empregos federais e nenhum plano consistente na cabeça. Quase cinco meses depois do discurso feroz, a Anac e a Infraero continuam à deriva. Não foi sequer montada a equipe incumbida da execução de um conjunto de medidas ainda em gestação.
Enquanto o apagão comemora o primeiro aniversário, um Jobim carrancudo repete com a voz abaritonada o que o sorridente antecessor apenas miava. "A crise vai durar mais um ano", vaticinou Waldir Pires em março. "Os problemas não terminarão antes da baixa temporada", retocou recentemente o sucessor. A baixa temporada começa em março.
"Não é culpa do governo", sussurrou Waldir depois da explosão do avião da TAM. "Não é problema do governo", inocentou-se Jobim depois da implosão da BRA. A procissão de dissabores afetou a memória do ministro. Ele já não se lembra do terceiro aeroporto em São Paulo, do terceiro terminal de Cumbica, das mudanças imploradas por Congonhas. E parece ter esquecido até a lição de Disraeli.
Vive se queixando das carências que infestam o universo do transporte aéreo. Tenta diariamente explicar o inexplicável. Pede desculpas antecipadas pelo que ocorrerá nos aeroportos neste fim de ano. Exausto, o país do apagão espera que o passageiro da amnésia trate de agir.
Aja ou saia, ministro Jobim. Faça ou vá embora.
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postado por Júlio às 10:22
 Novembro 9, 2007
EDITORIAL DO JORNAL "O ESTADO DE SÃO PAULO"-09/11/2007
O gás que não vai faltar
Só quem assistiu ao evento in loco, ou pela TV, pôde ter a exata medida do grau de exaltação, próximo da apoplexia, com que o presidente Lula reagiu, em discurso no Palácio do Planalto, na quarta-feira, àqueles que falaram em crise, quando, como ele disse, “aconteceu um probleminha de gás no Rio de Janeiro”. “Ah! acabou a energia no mundo”, esbravejou ele de olhos esbugalhados como se estivesse respondendo a um insulto, para concluir dizendo que não acabou e “este país já tem energia garantida até 2012”.
Não tem - e o contraste entre essa realidade e os tão freqüentes pronunciamentos presidenciais, marcados pelo triunfalismo ficcional, torna ainda mais estranha a extrema veemência com que ele se manifestou. Como se a ênfase, o arroubo, os olhos arregalados e o dedo em riste pudessem por um passe de mágica transformar situações sumamente inquietantes em cenários edênicos. Falando de improviso, Lula assegurou (o verbo é dele) “que o governo vai muito bem, o Brasil vai muito bem e está bem gerenciado”.
É verdade que o Brasil vai muito bem. Graças, no entanto, muito menos à qualidade do gerenciamento das questões inerentes à agenda administrativa do País do que aos ventos excepcionalmente favoráveis da economia globalizada na sua presente quadra - os quais, por sinal, ameaçam se transformar no seu contrário, em razão da mais recente crise bancária nos Estados Unidos, do petróleo a US$ 100 e da queda incontida da cotação da moeda americana.
E se há um setor em que o governo vai muito mal e o Brasil está mal gerenciado é precisamente o da energia. A exemplo do apagão aéreo, fruto da generalizada falta de “mão-de-obra qualificada” no governo petista, o risco, que é real, de um apagão não se dissipará a golpes oratórios com gesticulação estudada.
Só pode piorar as coisas a tentativa do presidente Lula de varrer para debaixo do tapete o alerta vermelho que foi, há poucos dias, o “probleminha de gás” a que ele se referiu, desdenhosamente, no seu lamentável improviso de anteontem, aludindo à decisão da Petrobrás, suspensa por liminar, de não aumentar o suprimento do produto para o Rio de Janeiro, para abastecer com ele as termoelétricas movidas a esse insumo. Escaldados, os agentes econômicos não se deixam engambelar pela retórica lulista - e buscam soluções próprias para a crise anunciada.
Outro disparate do improviso de Lula é sua reclamação de que “tem muita gente dando palpite no gerenciamento do governo”. Em primeiro lugar, dar palpite no gerenciamento do governo é exercício de cidadania e função principal da imprensa. Por isso, a estocada obviamente dirigida a ela tem o mesmo nível da sua impagável comparação entre o jogo bruto de Chávez para se eternizar no poder e as sucessivas reeleições dos ex-primeiros-ministros Margareth Thatcher e Helmut Kohl, normais em regimes parlamentaristas. Em vez de levar a sério as críticas, ainda que não desse o braço a torcer em público, quando tenta reduzi-las ao que não são - palpites -, ele apenas reforça as preocupações de todos quantos conhecem a distância entre os problemas objetivos de que cinco anos de lulismo não deram conta e os discursos do cotidiano presidencial.
“Nós vamos descobrir os gases (sic) que precisamos descobrir”, profetizou ele em dado momento, “ou vamos comprar o gás que precisar comprar”. “Vamos descobrir” graças à força do pensamento positivo? E “vamos comprar” de quem? Da Rússia, no outro lado do mundo? E a que preço? Por via das dúvidas, a Petrobrás está anunciando um aumento de até 25% no preço do gás.
A colisão frontal entre a realidade implacável e a fantasia presidencial está na cara, como se diz, na justaposição de dois títulos numa página da edição de ontem do jornal Valor. O de baixo enuncia: “Lula afirma que Brasil tem energia garantida até 2012.” O de cima resume um texto que mostra por que não existe essa garantia: “Petrobrás não cumpriu metas de expansão.” Citando dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) até setembro, o texto que se segue informa que a oferta de gás natural brasileiro este ano ficou aquém não só da marca de 2006 (queda de 3,4%), mas também das metas estabelecidas no plano estratégico da empresa (menos 22%, a se manter a tendência).
Por enquanto só está garantido que não faltará gás para a oratória de Lula.
EDITORIAL ESTADÃO
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postado por Júlio às 10:32
 Novembro 3, 2007
COLADO DO BLOG DO JOSIAS DE SOUZA - 03/11/07
Fernando Gabeira desabafa: ‘Também fui brasileiro’
Vai abaixo artigo do repórter e deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) veiculado na Folha.
“Há um verso de Drummond que diz: ‘Também sou brasileiro, moreno como vocês’. Continuo moreno, mas às vezes duvido se sou mesmo brasileiro. Talvez pelos longos anos de exílio, ou pela ausência de um equipamento mental adequado, o fato é que fico perplexo no momento em que todos parecem eufóricos.
Acho estranho que governo e oposição briguem tanto em torno das verbas de saúde e sejam tão unanimemente festivos quando se comprometem a gastar com futebol. Não condeno gastos com a Copa, apenas lamento que essa ruidosa concordância não se dê em torno de outros temas essenciais.
Mais curioso ainda é o deslocamento de governadores para Zurique. Será que nenhum deles tinha algo mais importante a fazer? Em outras palavras: nenhum deles teve a coragem de dizer aos seus eleitores que a viagem, em termos de custo-benefício, não compensava?
Com tantos aspones, marqueteiros e puxa-sacos, certamente pesaram seus passos e acharam que sim, compensava, em termos eleitorais, participar da caravana internacional. Sempre nos acusam de espírito de vira-latas quando criticamos esse espalhafato. Mas não seria espírito de vira-lata toda essa ansiedade e oba-oba quando somos candidatos únicos? E essa história de escritores com metáforas duvidosas, essa mania de aplaudir entrevista coletiva, como fizeram como a de Ricardo Teixeira?
Será que os aspones acham que impressionam os repórteres? Teixeira usou na entrevista um recurso, momentaneamente, típico no Brasil. Questionado sobre a violência, afirmou que ela existe também nos EUA e na Inglaterra. Tirem EUA e Inglaterra e coloquem "governo passado" e terão a fórmula mágica.
Pior que, na caravana, estavam governo presente, passado e, possivelmente, futuro. Lembro-me de que, quando jovem repórter, fiz, numa coletiva em Portugal, pergunta sobre a ambigüidade brasileira na ONU em relação à independência dos países africanos. O então chanceler Juracy Magalhães respondeu irritado: como é possível torcer contra o Brasil? Considerava as dúvidas como antibrasileiras.
Quando todos celebravam, amargava minhas dúvidas, não sobre a Copa, mas sobre essa trajetória de provincianos ruidosos em Zurique. Entre aplaudir a entrevista de Ricardo Teixeira e vaiar até minuto de silêncio, há margem de manobra. Continuarei vaiando os governos do passado, do presente e do futuro próximo. Certamente vão perguntar: como é possível torcer contra o Brasil? De certa forma, é minha especialidade. Se ser brasileiro é isso, não contem comigo.”
Escrito por Josias de Souza às 15h53
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postado por Júlio às 19:10
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