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 Outubro 31, 2007
O ESPETÁCULO DOS BOCÓS
Aconteceu hoje na Suíça, um dos países símbolo da civilidade no mundo, um espetáculo que me encheu de vergonha de ser brasileiro. Um espetáculo só mesmo possível existir se promovido por brasileiros. Um presidente bocó, acompanhado por ministros bocós e rodeado por meia dúzia de governadores de estado igualmente bocós. Mais, um treinador bocó, um escritor bocó e um jogador de futebol tão bocó que ao tentar alinhavar meia dúzia de palavras decoradas deu saudades dos tempos em que só jogava bola.
O espetáculo, aberto pelo presidente bocó da CBF mais parecido com o Fred Flinstone, foi iniciado com a exibição de um vídeo daqueles em que as imagens atuais dos estádios de futebol vão se transformando digitalmente em obras-primas da arquitetura moderna sem o menor constrangimento por sabermos todos que somos um país miserável e que ninguém ali sabe de onde sairá o dinheiro para a transformação. Em seguida falou o governador bocó do Amazonas misturando preocupações ecológicas, promessas de obras caríssimas num tom ufanista que só mesmo bocós são capazes de produzir. Veio o maior autor bocó brasileiro e tratou de fazer suas graças comparando futebol a sexo como se fossem correlatos. O bocó mor que preside a FIFA, com aquela cara de espanhol dono de empório, ficou uns 10 minutos com um envelope nas mãos, lacrado, a falar um monte de bobagens, apontar o dedo para a platéia de bocós brasileiros como se fosse um professor, lembrando que não era um privilégio, mas uma responsabilidade do Brasil organizar a Copa do Mundo. Afinal, abriu o envelope e surgiu a grande surpresa que já se conhecia há meses pela candidatura única, o BRAZIL fará a Copa do Mundo.
Seguiu-se à risca o protocolo bocó, o presidente com aquele tom de Nero se fartando entre as carnes e os vinhos a falar como se fosse qualquer coisa menos um presidente da república, com piadinhas sem graça e ironias fora de hora. Recebeu a taça das mãos do outro e começou diante das câmeras de televisão ao vivo a promover fotografias com tantos quantos se chegavam para a pose. Tudo rigorosamente dentro do mais bocó dos padrões. Minha vergonha não foi maior porque estou certo que ninguém no mundo perdeu tempo diante da televisão para assistir a uma coisa ridícula daquelas, exceto nós que no fim somos todos mesmo uns bocós.
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postado por Júlio às 00:05
 Outubro 30, 2007
COLADO DO BLOG DA LÚCIA HIPÓLITO - 29/10/07
Polêmica do terceiro mandato
O presidente Lula, toda vez em que é perguntado, rechaça a hipótese de disputar um terceiro mandato
Declara que não é bom para a democracia, nem para o país nem para ele.
Quanto à profissão de fé na democracia, não há por que não acreditar na palavra do presidente da República.
Mas as propostas para possibilitar um terceiro mandato estão aparecendo e poderão ser apresentadas no Congresso.
Uma delas, de um deputado petista (surpresa!), propõe que o Congresso convoque um plebiscito junto com as eleições municipais de 2008, perguntando ao eleitorado se é a favor de um terceiro mandato.
Outra proposta, de um deputado do PTC, é uma emenda constitucional prorrogando por um ano os mandatos do Executivo federal, estaduais e municipais, permitindo ao presidente disputar um terceiro mandato.
Sabendo-se do poder do presidente Lula sobre o Partido dos Trabalhadores, é de se perguntar por que ele não dá ordens para a turma parar com isso.
O temor de boa parte da oposição, de que vem aí o terceiro mandato, baseia-se em alguns elementos concretos.
Primeiro, ainda não apareceu um candidato natural da coalizão que se construiu em torno de Lula. Por mais que o presidente se declare encantado com a ministra Dilma Roussef, ela tem “cintura dura”.
Ainda está muito verde, ainda tem que mostrar serviço quanto às obras do PAC, e não é nada simpática. Nada mesmo.
Resultado: candidata muito pesada. Ruim de carregar.
Segundo, o presidente nada de braçada numa popularidade nunca vista neste país.
Se a economia finalmente deslanchar, se o país atingir patamares mais robustos de crescimento, Lula terminará o governo como o presidente mais popular da História.
Mas o que fazer com essa popularidade toda?
Terceiro, a máquina pública brasileira foi praticamente tomada por petistas, sindicalistas e militantes de movimentos sociais, com salários muito mais altos do que aqueles a que estavam habituados.
Esses “companheiros”, que não vão largar o osso sem estrilar muito, seriam os principais cabos eleitorais da idéia do terceiro mandato.
Quarto, o Bolsa-Família, que já atinge 25% das famílias brasileiras, deverá ser estendido, consolidando-se como a mais formidável máquina de fabricar votos de que se tem notícia.
Quarto, a oposição, como sempre, perde-se em lutas internas, tem excesso de candidatos, mas não tem voto, briga antes da hora. Muito cacique e pouco índio.
Se continuarem cometendo os mesmos erros, vão perder novamente.
E para completar, há o ambiente externo. Desde que o mundo é mundo, que a política vive em “ondas”.
Onda de ditaduras militares na América Latina, onda de governos conservadores na Europa, depois onda de governos de esquerda, e por aí vai.
A conjuntura atual, ao menos na América Latina, está consolidando uma onda de governos populistas, mais ou menos autoritários, mas certamente continuístas.
Esta onda favorece a hipótese de um terceiro mandato para o presidente Lula.
De mais a mais, qual é o governante que não quer permanecer no poder?
Quando apareceu a oportunidade, Fernando Henrique aprovou a reeleição, inclusive em benefício próprio.
Por que o presidente Lula, tão popular, tão convencido de que o seu é o melhor governo brasileiro desde Pedro Álvares Cabral, um governante com a auto-estima nas nuvens e que gosta tanto de desfrutar os requintes e as benesses do poder, vai abrir mão de mais um mandato (ou dois, ou três)?
Não parece lógico. Mesmo que não queira, Lula pode aceitar, “docemente constrangido”.
Afinal, o presidente sempre se declarou contrário à reeleição, mas também declarou que “as circunstâncias políticas” o obrigaram a concorrer a um segundo mandato.
Portanto, novas “circunstâncias políticas” (o que quer que isto signifique) podem obrigá-lo novamente.
Tudo isto vai ficar mais claro assim que terminar a votação da CPMF no Senado.
Coment:
postado por Júlio às 00:30
 Outubro 24, 2007
COLADO DO JORNAL "O GLOBO" DE 24/10/07
Você tem inveja?
ROBERTO DaMATTA
A inveja é um sentimento básico no Brasil. Está para nascer um brasileiro sem inveja. A coisa é tão forte que falamos em “ter” — em vez de “sentir” — inveja. Outros seres humanos e povos sentem inveja (um sentimento entre outros), mas nós somos por ela possuídos.
Tomados pela conjunção perversa e humana de ódio e desgosto, promovidos justamente pelo sucesso alheio. Nosso problema é o sujeito do lado, rico e famoso, que esbanja reformando a casa, comprando automóveis importados e dando “aquelas festas de tremendo mau gosto!”. Ou é o sujeito brilhante que — estamos convencidos — “tira” (rouba, apaga, represa, impede) a nossa chance de fulgurar naquela região além do céu, pois, residindo no nirvana social dos poderosos (mesmo quando são cínicos e fracos), dos ricos (mesmo quando pobres e sofredores), dos belos (mesmo quando são feios). dos famosos (mesmo quando são fruto promocional de revistas e jornais), e dos elegantes (mesmo quando são cafonas), estariam acima de todas as circunstâncias. Estou seguro de que não é o patriotismo, mas a inveja, o sentimento básico de nossa vida coletiva. Para começar a gostar do Brasil, tínhamos que invejar a França, a Inglaterra, a Rússia, a Alemanha, a Itália e os Estados Unidos.
Era, sem dúvida, a inveja que nos fazia torcer pela queda do Brasil no tal abismo de onde ele sairia melhor do que todo mundo. Antes do sexo, o brasileiro tem inveja. Ela antecede a sensualidade e o erotismo, sendo básica na formação de nossa identidade pessoal. Você sabe quem é, leitor, pela inveja que sente todas as vezes que encontra o tal “alguém” que, pela relação invejosa, faz você se sentir um bosta: um “ninguém”.
Como as nuvens em volta das montanhas, a inveja se adensa em torno de quem é visto como importante, de modo que ser invejado é equivalente a “ter poder”, “charme”, “prestígio” e “riqueza”.
Dizem que a inveja é perigosa, mas o fato concreto é que não há brasileiro que não goste de ser invejado por alguma coisa. Pelo salário, pelo poder, pela beleza, pelo sucesso, pela inteligência e até mesmo pelas sacanagens, injustiças, calúnias e descalabros que comete. Num seminário recente sobre “Ética e corrupção”, eu disse que é justamente a vontade de ser invejado que descobre os corruptos. Pois, diferentemente dos ladrões de outros países, que roubam e somem no mundo, os nossos são forçados pela “lei relacional da inveja” a retornar ao lugar natal para mostrar aos seus parentes, amigos e, acima de tudo, inimigos, como estão ricos e, nisso, são denunciados, presos, soltos e, finalmente, colocados no panteão cada vez mais extenso dos canalhas nacionais.
Dos infames que comprovam como a inveja e o desejo de ser invejado são o motor da vida brasileira. Minha tese é a de que até a canalhice é invejada no Brasil. Richard Moneygrand, o grande brasilianista, escreveu no seu diário filosófico, “Voyage into Brazil”, que: “Para os brasileiros, um dia sem inveja é um dia sem luz. A inveja confirma a idéia nacional do sucesso para poucos, como antes confirmava o berço e o sangue para a aristocracia e a superioridade social para os funcionários públicos e senhores de engenho.
Todos a condenam, mas ninguém pode passar sem ela”. A inveja, digo eu, é o sinal mais forte de um sistema fechado, onde a autonomia individual é fraca e todos vivem se balizando mutuamente. O controle por intriga, boato, fofoca, fuxico e mexerico é a prova desse incessante comparar de condutas cujo objetivo não é igualar, mas hierarquizar, distinguir, pôr em gradação. O horror à competição, ao bom-senso, à transparência e à mobilidade é o outro lado dessa cultura onde ter sucesso é uma ilegitimidade, um descalabro e um delito.
O êxito demarca, eis o problema, um escapar da rede que liga todos com todos. Essa indesejável individualização tem mais legitimidade quando vem de quem já está estabelecido. Daí ser imperdoável que Fulano — “aquela figurinha” — o faça, destacando-se pelo disco, novela, livro ou empreendimento desse mundo onde todos são pobres e miseráveis por definição e por culpa do “social”. O pecado mortal das sociedades relacionais é justamente essa individualização que separa o sujeito de uma rede hierárquica. Rede que nos persegue neste e no outro mundo.
Como, então, não sentir inveja do sucesso alheio, se estamos convencidos de que o êxito é um ato de traição a um pertencer coletivo conformado e obediente? Como não sentir inveja se o exitoso é aquele que se recusa a ser o bom cabrito que não chama atenção e passa a ser o mais vistoso — esse símbolo de egoísmo e ambição? Ademais, como não ter inveja se o sucesso é um sinal de pilhagem de um bem coletivo? Essa coletividade que, entra ano, sai ano, continua a ser percebida como mesquinha, subdesenvolvida, pobre e atrasada? Como um bolo pequeno e que jamais cresce, destinado a ser comido somente pelos que estão sentados à mesa?
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postado por Júlio às 15:12
 Outubro 18, 2007
COLADO DO BLOG DO CLÁUDIO HUMBERTO - 18/10/07
Ministérios e assemelhados
Antigamente, o Governo brasileiro tinha algo como 12 ministérios, que davam conta tranqüilamente de todas as tarefas. A Casa Civil tinha um Chefe.
Ao longo dos anos, esse número foi aumentando lentamente, até o advento do primeiro mandato do atual presidente.
E este foi radical no aumento; hoje estamos bem próximos de 40, entre ministros e secretários com status de ministro; faltam 2 ou 3 para que Ali Babá tenha seus 40 comparsas. O último a ser acrescido foi o já notório Mangabeira Unger, cujo sotaque denota ser legítimo brasileiro...
Aliás, seria interessante saber qual a necessidade de ministros como o dos portos, o da pesca, o da cultura que, ao que se saiba, muito pouco ou quase nada têm feito para justificar sua existência.
A começar pelo último dos citados, em cujo ministério nunca houve tantos desmazelos, tantos roubos de documentos e abandono em museus, tanta falta de atuação do Ministro, que parece muito mais interessado em manter sua carreira artística do que em cuidar dos assuntos culturais em termos mais amplos (o último, ou mais recente exemplo desse descaso envolveu o acervo de Jorge Amado, que quase foi enviado à Universidade de Harvard, que talvez tenha se interessado em ficar com o acervo mandando para cá, em troca, o professor que se licenciou para vir ser o Ministro do Planejamento de Longo Prazo...., Ministério criado ilegalmente pela Presidência da República.
Sobre portos não se conhece nenhuma medida tomada para modernizar nossos portos com novos equipamentos, com terminais eficientes para operarem com “containers” ou diminuir os custos da mão de obra. Estamos a léguas de distância dos bons portos do mundoE na pesca, o que foi feito?
Tomando-se em conta que para cada Ministério ou Secretaria com igual status há despesas com lugar para a instalação física, automóvel de luxo com motorista, vários DAS ou CC, além de pessoal (para o Sealopra seriam nomeados 600 funcionários), equipamentos de escritório, etc., é de se perguntar se, ao invés disso, não seria preferível alocar essa soma de recursos para saúde, educação, estradas, portos, etc., etc.
Ou, alternativamente, aceitar a redução da alíquota da CPMF em alguns décimos de pontos porcentuais, já estabelecendo que a cada ano haverá uma diminuição, até que fique em torno de 0,05%; mesmo com esse porcentual, os efeitos positivos da CPMF, de controle sobre a movimentação financeira, continuarão válidos.
Contando a quantidade de vezes em que o Chefe (Presidente da República) está fora do Brasil, é de se indagar com que freqüência (ou de quantas em quantas semanas) o Chefe despacha com cada um de seus Ministros. Pelo que se lê ou ouve da imprensa, isso acontece muito raramente. Daí a necessidade de um ministro com virtual posição de primeiro-ministro, um dos quais nos deixou uma triste lembrança, como operador do mensalão. O(A) atual tem fama de ser um(a) excelente gerentão.
A verdade é que, pensando bem, o Presidente Da Silva está fazendo o que disse que seria o verdadeiro indicativo de progresso: inchar, tanto quanto possível, a máquina do governo. Como se sabe, em recente pronunciamento o Sr. Da Silva disse que a teoria de “menos governo”, apregoada como sendo a ideal para melhorar o funcionamento da máquina, estava errada. Havia que admitir mais gente, aumentar a intervenção do Estado na vida do País em geral e na economia em particular.
Apesar de uma recente “recaída” do governo em seu processo de re-estatização, licitando 7 trechos de estradas federais para serem concedidas (vejam bem, “concedidas” e não entregues, como certamente os nacionalistas de plantão dizem) a empresas privadas, há um nítido processo de re-estatização, como o demonstram, entre outros, a entrega de antigos bancos estaduais ao Banco do Brasil e não licitando-os para que passem à propriedade de bancos privados, ao aumento de participação da Petrobrás na indústria petroquímica e no setor de gás natural, além de outros movimentos de menor repercussão.
E, de acordo com o que suponho ser a mentalidade do Sr. Da Silva, há que ter mais governo até para que os Ministérios e as Secretarias Especiais que criou tenham o que fazer.
Triste, muito triste, é que apesar de toda essa estrutura de governo, apesar da CPMF, estarmos constatando que a dengue se transformou em uma pandemia, com praticamente todos os Estados brasileiros atingidos pela doença (ontem noticiou-se que no Mato Grosso haviam sido registrados mais de 70.000 casos, com números ligeiramente inferiores em muitos outros estados).
Será que o Presidente Da Silva se jactará desse feito?
Peter Wilm Rosenfeld
pwrosen@uol.com.br
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postado por Júlio às 10:46
 Outubro 16, 2007
COLADO DO BLOG DO NOBLAT - 16/10/07
Mônica nua: triunfo da Vênus do Atraso
( Arnaldo Jabor )
Esgotou tudo nas bancas. Todo mundo quis ver a Mônica Veloso nua. Qual a razão deste espantoso sucesso? A principal talvez seja porque a única verdade nua e crua que apareceu até agora foi Mônica, em meio a uma caatinga embrenhada de mentiras. Mônica foi o único bem declarado de Calheiros, que apareceu de fato. Até então tínhamos visto bois magros, cheques falsos, açougues suspeitos, frases vagas, envelopes fantasmas, laranjas analfabetos, matadouros remotos; mas, agora não. Este bem ele teve, ali, patente, bonita.
Em revistas de sacanagem, com as mulheres nuas, buscamos nos excitar. Tiazinha (recorde até agora), Feiticeira, eram usadas para nossos vícios secretos. Na nudez de Mônica, não - mais além da excitação, do 'voyeurismo', fomos investigar uma nudez 'política', como se algum segredo não revelado nos inquéritos ainda pudesse aparecer nos meandros de sua carne.
Também queríamos entender algo sobre Renan, imaginar suas relações de amor. Renan está presente ali, ao lado dela. Como terá ele percorrido aquele corpo? Foi falso, foi verdadeiro? O que houve de sincero, de manipulação?
Notem que nas poses de Mônica há uma discrição não provocativa. Examinando suas fotos, vemos uma sensualidade contida, um sorriso ingênuo, como num coquetel onde ela, estranhamente... estivesse nua. Suas poses buscam uma elegância que faça contraste com o escândalo que a revelou. Ela não quer que nos excitemos; quer que a entendamos. Seu sorriso levemente encabulado pede compreensão para o proveito que, afinal de contas, ela tirou de seu drama. Um detalhe fascinante é o coraçãozinho tatuado em seu bumbum. Em geral, ali se desenham flechas 'punks', facas, grafites do diabo... No bumbum de Mônica, há um coração romântico, emanando guirlandas de rosas, quase um sagrado coração religioso.
Alguns românticos devem ter pensado: 'Sim, para além das maracutaias, há também a mágica milagrosa do amor...'
É inevitável comparar Mônica Veloso a Monica Lewinsky - esta sim que, no mais catastrófico 'blow job' da história, mudou o mundo. Clinton cometeu um pecado contra a verdade da pureza protestante. Não se apropriou de nada; ao contrário, não deixou Lewinsky entrar - ela ficou fora de seu corpo. O crime de Clinton, que quase o derrubou, foi a mentira. Renan caiu porque achava (e acha) que agiu dentro da Verdade (sim, de uma 'verdade' em que seus aliados acreditam), que agia com plenos e legítimos direitos patrimoniais.
Mônica Veloso fazia parte do patrimônio de Renan, considerado normal e ético, na melhor tradição das oligarquias nordestinas: fazendas, esposa oficial, prédios, simbiose com empreiteiras, milhões guardados e amante bonita.
Renan nos provocava uma fascinação quase invejosa. Há, no brasileiro médio, o sonho voraz de tudo ter, de ter nascido pobre como ele em Muricy e de, apesar de um estágio no PC do B, ter amealhado imensa fortuna. Quantos outros Renans nós invejamos, quando folheamos avidamente Caras e Quem, babando por iates, palácios, carrões, viagens, amantes, quantos?
A verdade é que invejávamos Renan. Renan foi um homem de sucesso. Seu erro foi ter se achado invulnerável. Renan errou porque além de tudo queria também ser considerado honesto. Renan teve erros parecidos com o de Collor, que aliás, ele inventou. Collor errou ao trair a 'alma do negócio', que é o segredo. Collor agiu à luz do dia, com seu fiel PC (que hoje seria apenas considerado um cleptomaníaco...). Renan também foi descuidado, confiante em sua impunidade total. Sem dúvida, era querer demais. Além de tudo que amealhou, não dava para desejar perdão, prestígio impoluto, impunidade... Foi demais. E não esqueçamos que ele não fez isso por onipotência ou desmesura ('hybris', como diziam os gregos), não. Ao se defender por 150 dias, acreditava realmente em seu direito de fazer tudo que fez, de trabalhar para empreiteiras, de favorecer grupos, de manipular regimentos, de ameaçar políticos. Não há consciência de erro em homens como ele. No mundo dos negócios políticos, no parlamento, muitos deputados e senadores talvez tenham até mais malandragens do que ele. Mas Renan errou ao querer nos fazer engolir tudo como sendo o exercício de legítimos direitos tradicionais, por ter acreditado numa jurisprudência nordestina de que fazem parte até em grau mais grave alguns acusadores de Alagoas e outros Estados próximos. Renan lutou como um herói ideológico para si mesmo e para homens como o Almeida Lima, o Jucá, até o próprio João Lira.
Os pelotões patrimonialistas, os exércitos oligárquicos encaram o Atraso como um desejo, um projeto, uma bandeira. Se a democracia se impuser, se a transparência prevalecer, que será das famílias oligárquicas? Como vão vicejar as fazendas imaginárias, as certidões falsificadas, os rituais das defraudações, as escrituras e contratos superfaturados? Que será da indústria da seca, não só da seca do solo, mas a seca mental, onde a estupidez e a miséria são cultivadas para o serviço da burguesia política?
Mônica Veloso nua é o nascimento de uma Vênus do Atraso, a apoteose triunfal que surge ao final de um processo que vai ficar na História do País como um avanço, um progresso: - apesar da ópera-bufa, já sabemos como funciona a sordidez de nosso processo político oficial, como é difícil modernizar o País.
Transcrito de O Globo de 16/10/2007
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postado por Júlio às 15:26
 Outubro 1, 2007
COLADO DO BLOG DO CLÁUDIO HUMBERTO - 01/10/07
COLLORIDO OU PRETO E BRANCO
Falar sobre o que está acontecendo neste País exige, além de tempo, muito trabalho e avaliações de dados e informações, principalmente no tocante à vida Política Brasileira. O Caos está instalado, irreversível e dolorosamente no coração na Nação.
Os políticos perderam completamente a decência e a vergonha. Como dizemos nós por aqui, “a cara nem treme”. Num dia, como vimos no Senado, há boicote de sessões pela “oposição” por causa do caso Renan e trocas de palavras e ofensas que ferem nossa sensibilidade. No final, com raras exceções, são todos iguais e já se pode perceber que “ficaram de bem”.
Com apoio do Poder Central, com conchavos e acertos, até mesmo com algumas “pequenas chantagens”, tipo “veja lá, sei coisas de você também”, e assim por diante. Mensalão não dá cadeia e nem punição, agora “mensalinho”........
Como é triste ver este País, continental, rico, promissor e suscetível ao desenvolvimento sustentável, ir por água abaixo com tanta facilidade. O que falta é inteligência e vontade de fazê-lo melhor, porque a nossa Nação está sendo “subtraída em tenebrosas transações” como diz a sempre atual música de Chico Buarque.
Tantos escândalos, gente grande envolvida, tudo às claras como se fôssemos, nós os Brasileiros (e por vezes até o somos), o povo do carnaval e do futebol. Do pão e do circo. Vemos todos, mas absolutamente todos, dentro de um mesmo “jacá”, farinha do mesmo saco, políticos sem caráter, moldados em barro apodrecido pela sujeira.
Como sempre eles se dão bem, o Senador Renan é um dos únicos pecuaristas deste País que consegue fazer sua atividade render. Gostaria de saber a fórmula.
Há exatos 15 anos, o Presidente Collor foi cassado e execrado da vida Pública Nacional. Por tão pouco. Hoje, situações milhares de vezes mais graves, não levam à punibilidade. Quem tem telhado de vidro, não joga pedra no telhado dos outros. É isso o que vemos hoje, com clareza e absoluta convicção.
Acho que o Presidente Collor não “remunerou” quem deveria, por isso foi colocado fora do Poder. Um ano depois, os que o cassaram, estavam envolvidos na Máfia do Orçamento, os anões e os gigantes que estavam com as mãos nos nossos cofres e nos bolsos de cada brasileiro.
Até hoje, a situação não foi esclarecida. Um carro, uma reforma, outras coisas mais... Quem , na verdade, dos que tinham medo do que PC sabia dos “gatunos”, descobertos após a cassação do Presidente Collor, o matou?
Uma coisa é certa, no Governo do Presidente Collor, pude exercer como então Superintendente do IBAMA, com tranqüilidade e soberania a minha função, porque as ingerências políticas (que sempre ocorriam), não encontravam eco no IBAMA e nem mesmo junto ao próprio Presidente. Respeitava-se a competência e a honestidade das pessoas. Hoje, os interesses são outros.
Com a chegada do Sr. Itamar Franco, as coligações com o PMDB para aprovação de matérias de interesse do Governo, a Lei que previa que somente servidores de carreira do IBAMA poderiam ocupar o Cargo de Superintendente e outros da Instituição, foi mudada para agradar aos senhores “representantes do povo” e, aqui em MT, deu no que deu. Frise-se que, deu para a Instituição, não para os políticos e seus indicados.
Hoje, todos e qualquer um podem ocupar cargos. Podem fazer o que querem e isso em todos os níveis de poder. Indico você, mas fica me devendo hem?
Do Brasil de Collor para o Brasil do PT, não vi nenhuma mudança que pudesse justificar o massacre sobre o primeiro. Não vejo preto-no-branco e sim, completa escuridão e muita fumaça negra rondando a Nação Brasileira.
Pelo menos Collor teve coragem de assumir posições definidas sobre a Amazônia, regulamentou uma Lei de 1991 e fez uma política ambiental clara. Quem viver verá. E como ele próprio dizia: “O tempo e senhor da razão......duela a quem duela”.
Que pena que andamos para trás e temos tão poucas perspectivas de ver um Brasil melhor, para todos e não para alguns desonestos comandados por “Ali-babás”.
ORIANA PAES DE BARROS
-PANTANEIRA-
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postado por Júlio às 18:53
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