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 Setembro 29, 2007
COLADO DO BLOG DO JOSIAS DE SOUZA - 29/09/07
Cromo alemão ou chinelinho?
Vai abaixo artigo do repórter Clóvis Rossi (assinantes da Folha)
“Quando José Simão cunhou a expressão "o país da piada pronta", imagino que estivesse sendo irônico. Mas o tal país esmerou-se tanto, tanto, que a ironia virou fato. Pior: a frase acabou sendo atropelada, porque, além de "piada pronta", o Brasil (o Brasil político ao menos) já entrega o "deboche pronto", o "escracho pronto" e algumas outras coisas que o decoro me impede de explicitar.
Vejamos: um país em que a Secretaria de Longo Prazo dura cem dias é uma piada, certo? Quer dizer, uma piada cara, porque, junto com a secretaria viriam (ou virão ainda) 660 cargos, muitos com remuneração que não é piada, não.
Como se a cara piada não bastasse, vem o senador Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG), suplente entronizado no cargo porque o titular, Hélio Costa, virou ministro, e acrescenta o escracho. Diz, honestamente, que os senadores que votaram contra a secretaria só querem um "chinelinho novo", não precisa ser um agrado tipo "sapato de cromo alemão".
É cena de fisiologia explícita. E barata. Se é para ser fisiológico, que seja pelo sapato de cromo alemão, para mostrar que o pessoal se vende, sim, mas se vende caro. Vem também o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), e diz que "tudo o que foi ouvido nem tudo foi ouvido" (foi pelo menos a declaração dele que a CBN pôs no ar ontem à tarde). O que ele quer dizer exatamente com isso só os especialistas em romerojuquismo poderão explicar.
Suspeito que ele quis dizer o seguinte: o presidente Lula não ouviu os pedidos de "chinelinho novo" feitos pela turma do PMDB do Senado. Só teria atendido os que querem "sapato de cromo alemão". Fecha o círculo do deboche o próprio Lula ao dizer que não faz barganha e que a negociação com os partidos é "programática".
Qual é o programa? Sapato de cromo ou chinelinho?"
Escrito por Josias de Souza às 04h06
Coment:
postado por Júlio às 12:52
 Setembro 26, 2007
COLADO DO BLOG DOS BLOGS - HOJE -
Do jornalista Carlos Chagas, comentarista do SBT e da Rádio Jovem Pan:
Brasília (ALO) - Não tem limites o tamanho da goela do PT para abocanhar postos na administração federal direta e indireta. Apareceu alguma vaga no ministério ou na diretoria das estatais e os companheiros ocupam os primeiros lugares na fila. Também não ficam atrás quando se trata da liberação de verbas para emendas individuais ao orçamento. Só nas preliminares da prorrogação da CPMF, receberam mais de 21 milhões, acima dos demais partidos da base governista. Por enquanto, tendo em vista que faltam mais três votações, uma na Câmara e duas no Senado.
Dirão os cultores da lógica ser assim mesmo, pois o PT, afinal, é o partido do governo e do presidente da República. Tudo bem, mas essa constatação dá calafrios.
Por que? Porque sabem todos os petistas que o partido não dispõe de um candidato capaz de vencer as eleições de 2010. Sendo assim, vão entregar o ouro ao bandido, perdendo os milhares de cargos que detém? De jeito nenhum, e nem estarão dispostos a mendigar vagas junto a Ciro Gomes ou Aécio Neves, se um deles vier a ser apoiado pelo Lula e ganhar a eleição.
Os calafrios? Ora, basta retificar o parágrafo acima. O PT tem um candidato em condições de ganhar. Quem? Ele mesmo, se lhe for dado disputar o terceiro mandato.
É aqui que a vaca vai para o brejo, ou melhor, que as instituições democráticas irão para o espaço. O PT inteiro não apenas apóia a permanência do Lula no poder. Trabalha por ela, por enquanto em surdina. Ou irão os companheiros perder a boca que os faz condôminos do Executivo federal, importando menos se preparados ou despreparados para o exercício das milhares de funções ocupadas?
Que ninguém se iluda, apesar dos desmentidos de praxe: o terceiro mandato é uma compulsão para o PT, devendo constituir-se, também, numa "obrigação" para o presidente Lula, quando chegar a hora de rasgarem a Constituição. Basta aguardar.
Coment:
postado por Júlio às 20:10
 Setembro 25, 2007
COLADO DO BRASILWIKI - SITE "POP" EM 25/09/07
Oposição sem bandeira e sem rumo
Publicado em 24|09 pelo(a) wiki repórter Soares, Divinópolis-MG
Uma oposição enfraquecida e um Congresso desmoralizado pode ser bom para Lula e o PT, mas é ruim para a democracia. -
Se Lula da Silva pode comemorar quatro anos e nove meses de poder à frente de um governo medíocre - mas que, paradoxalmente, lhe confere um elevado índice de popularidade - ele deve uma boa parte disso à oposição. Fragmentada, desarticulada e sem bandeira política, a oposição, representada principalmente pelo PSDB e pelo DEM ( ex-PFL), perdeu e continua perdendo todas as batalhas importantes no Congresso para o PT e seus aliados. A oposição não conseguiu, por exemplo, emplacar uma ação de impeachment contra Lula no auge do mensalão, por ocasião do depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios; sofreu uma derrota contundente na eleição presidencial de 2006; não conseguiu cassar Renan Calheiros, um dos braços de sustentação de Lula no Congresso; e , agora, tudo indica que perderá a batalha da renovação da CPMF.
O que acontece com a oposição que não consegue se impor, de maneira crível e confiável, aos olhos dos críticos e do eleitorado brasileiro? Entre as explicações, três, pelo menos, respondem em parte esta questão: o fato de até recentemente ter estado no poder; a falta de uma bandeira que a diferencie do PT; e a falta de identificação com a grande parte da sociedade que se opõe ao lulo-petismo. Explico.
Em primeiro lugar, a oposição não consegue se livrar da pecha, ardilosamente propagada pelo PT, de que esteve no poder durante oito anos e nada fez pelo povo e pelo Brasil. Os tucanos e pefelistas – e isto ficou claro na última campanha presidencial – jamais conseguiram fazer a defesa do seu governo e expor as suas virtudes.E elas foram muito maiores do que as do atual governo: a estabilidade econômica, as privatizações, a reforma da previdência, a lei de responsabilidade fiscal e, até mesmo, a bolsa-escola - desvirtuada pelo governo petista e transformada num gigantesco programa assistencialista.Tais realizações demonstram que o governo anterior pelo menos possuía um projeto, do qual seus partidários, agora do outro lado do balcão, não souberam fazer a defesa. Com isso, deixaram o caminho livre para que a propaganda petista insistisse em se referir ao governo de Fernando Henrique como o pior dentre os piores.
Em segundo lugar, em que pese a aparente disputa sangrenta entre tucanos e petistas, existem muito mais semelhanças do que diferenças entre eles. Desde que o PT “desistiu” de fazer do socialismo a sua bandeira política e assumiu a bandeira da social democracia, ficou difícil saber que idéias e que projetos contrapõem os dois partidos. O fato de o PT no governo ter dado continuidade à política de estabilidade econômica, com a manutenção do superávit fiscal e das taxas elevadas de juros, acentuou a impressão de que se tratam de partidos “irmãos”.
Se a semelhança entre os dois se limitasse a aspectos positivos da ação política, tudo bem. O problema é que a recente comprovação de que o PSDB, em 1998, praticou, de maneira embrionária, o mesmo esquema de corrupção que o PT viria a praticar, de maneira amplificada, alguns anos depois, os tornaram muito semelhantes também nos malfeitos.Tudo isto talvez explique todo este comportamento dúbio, canhestro e cúmplice do PSDB em relação ao governo Lula.
Em terceiro lugar, falta à oposição partidária a identificação ideológica com a grande parcela da sociedade que se opõe ao governo Lula. Esta parcela é composta principalmente pela classe média e por uma parte das camadas populares. Ela não aceita o intervencionismo estatal , a carga tributária pesada, os juros elevados, a corrupção impune e o assistencialismo com propósito eleitoreiro. Este segmento social deseja menos regulamentação, menos impostos, mais liberdade econômica e políticas sociais efetivas no campo da educação, saúde e segurança.
Nem o DEM, que em alguns momentos parece se contrapor ao petismo com maior veemência, muito menos o PSDB têm sido capazes de assumirem estas bandeiras. Se por um lado, Lula e o PT, sob a égide do populismo, já cooptaram a multidão mais pobre da sociedade e, através do mensalão do Bolsa Família, faz dela a garantia de sua permanência no poder, por outro lado tucanos e democratas permanecem dissociados daqueles que repudiam o governo Lula. Se a oposição continuar inerte e adormecida, completamente a reboque da agenda do governo petista, ao despertar, talvez já terá sido muito tarde. Lula poderá ter pavimentado, com o apoio de um Congresso submisso e desmoralizado, o caminho para um terceiro e consecutivo mandato.
Coment:
postado por Júlio às 14:47
 Setembro 24, 2007
COLADO DO BLOG DO NOBLAT - 2409/07
Caso Renan
Bloco das Verônicas
Não convidem para a mesma mesa José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros. “Ele faltou com a palavra”, desabafou Sarney, ontem, em Brasília, na festa de 50 anos do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai. Sarney ajudou Renan a salvar o mandato. Em troca, ele se licenciaria do cargo de presidente do Senado. Esperto, Renan passou-lhe a perna.
Registre-se que Sarney não foi o único ludibriado por Renan. Lula e o PT também foram, além de senadores de outros partidos. Aloizio Mercadante (PT-SP), por exemplo, está à beira de um ataque de nervos. Cabalou votos para absolver Renan da acusação de quebra de decoro certo de que ele cederia o lugar temporariamente a Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado.
Renan voltaria depois que o governo aprovasse a prorrogação até 2011 da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) que renderá ao governo a bagatela de R$ 39 bilhões. Para não ficar tão mal na foto, Mercadante preferiu se abster. “Não havia provas para condená-lo”, desculpou-se. Se não havia provas por que exige agora a saída de Renan da presidência?
Ora, porque havia provas, sim. E havia um acordo. O menor crime cometido por Renan foi o de mentir a seus pares ao dizer que tinha renda para pagar despesas de sua ex-amante Mônica Veloso. Mentir é quebra de decoro. Mercadante é uma das muitas Verônicas do Senado. A mulher de Renan se chama Verônica. Outra Verônica atende pelo nome de Roseana Sarney (PMDB-MA).
Na condição de líder do governo no Congresso foi Roseana quem primeiro alertou Lula para o risco de a CPMF ir pelo ralo se Renan fosse cassado. Dos 81 senadores, 19 são do PMDB. E parte deles se vingaria da cassação de Renan. Lula autorizou Roseana a garantir a Renan que ele seria salvo. Em retribuição, Renan entraria de férias para que o Senado votasse a CPMF em paz.
Roseana contou ao pai o que ouvira de Lula. E o pai procurou Renan. “Não confio no PT”, cortou Renan. Não confiava para se livrar do processo. E caso se livrasse, não confiava para enfrentar os próximos. Há pelo menos mais três. Uma vez que o fizesse longe do cargo de presidente do Senado, correria o risco de ser abandonado pelo PT e o governo. Era o que pensava.
Sarney, Roseana e o ministro das Relações Institucionais Mares Guia voaram certo dia para São Luís do Maranhão a convite da Vale do Rio Doce. Lá encontraram o ex-senador Gilberto Miranda, amigo de Renan. Foi Miranda que sugeriu a fórmula finalmente aceita por Renan. Os 12 senadores do PT votariam em bloco para inocentá-lo. Depois ele largaria o cargo por 60 ou 90 dias.
Nas contas de Renan, seis senadores do PT se abstiveram, três votaram com ele e três contra. Não foi o combinado. Acordo desfeito, portanto. Ocorre que o Bloco das Verônicas está furioso e agitado. Ganha novas adesões. E não será fácil para Renan enterrar o processo onde é acusado de ter comprado com dinheiro de Caixa 2 um jornal e duas emissoras de rádio em Maceió.
Os 35 senadores que votaram pela cassação de Renan continuam empenhados em vê-lo pelas costas. Nunca na história deste país o Senado foi tão criticado. Renan sempre disse que ele e o Senado eram uma coisa só. Pois é o que ficou parecendo de fato.
(Atualização : 17,32 hs : O Sarney já ligou para o Noblat reclamando que não foi bem isso, mas foi sim. Quem acredita no Sarney ?
Coment:
postado por Júlio às 17:33
 Setembro 20, 2007
COLADO DA TRIBUNA - 20/09/07
Jornalista Hélio Fernandes
O Brasil imprudente, preconceituoso, explorado, contraditório, conformado
507 anos de incompetência, satisfeito com o retrocesso.
O Brasil é um país estranho e surrealista, sempre confundindo e prejudicando a coletividade. Durante essa "longa jornada do dia para a noite" (ou o inverso, tanto faz) uma coisa parecia indiscutível, todos concordavam: "A pista de Congonhas é muito pequena, é preciso colocar uma rede no final, como acontece em muitos países do mundo". Parecia uma solução
Inesperadamente a descoberta genial: Congonhas tinha uma pista muito grande, resolveram encurtá-la. O que foi feito imediatamente. Decisão do "especialista" Nelson Jobim.
Gastam tempo precioso, dinheiro, tiram muita gente do trabalho com o objetivo de trazer esse senhor Cacciola para o Brasil. Não seria mais fácil, mais justo e mais importante levar para lá os Cacciolas que vivem aqui?
Eu sei, muitas atividades seriam paralisadas, não haveria número para sessões no Senado. Mas não seria finalmente a grande solução para o caso Renan? E o presidente do Senado não viveria muito mais feliz e confortável em Mônaco do que em Murici?
O Brasil dos contrastes e paradoxos mostra a cara do seu preconceito. Em Alagoas, um jovem de 18 anos foi eleito Miss Gay. Estava feliz, na mesma noite foi assassinado. Os que o mataram serão homens mesmo? Ou agiram por inveja e ciúme?
O País da contradição é aqui mesmo: gastamos fortunas com rodovias, o transporte mais caro e mais assassino do País. (Em custo só perde para a aviação). Enquanto isso, os transportes mais baratos, mais rápidos e mais eficientes vivem abandonados ou destruídos.
Falo das ferrovias e hidrovias. Antes de surgir o primeiro automóvel em 1894, que só foi se consolidar a partir de 1912, com a invenção da linha de montagem, os EUA já tinham desbravado seu território, coberto de um lado a outro por centenas de linhas férreas.
O Brasil, até o surgimento do automóvel, não fez coisa alguma em matéria de transporte. Com maravilhosos rios navegáveis (até mesmo nos estados centrais), ficamos esperando que alguma coisa caísse do céu. Começaram a cair aviões, por causa da imprudência, incompetência, inconseqüência.
Aceitamos todas as imposições de fora, chamamos de investimento o dinheiro que vem para a jogatina financeira. Esse dinheiro chega não declarado, produz lucros fabulosos qeu não ajudam o País, em 1 ano vão embora da mesma forma ignorada. Mas o resto, fica produzindo dividendos fantásticos, que são remetidos à hora que desejarem.
Em 1955, Juscelino foi eleito presidente. Viajou pelo mundo, depois dos dois golpes de 11 de novembro. (Sempre existem dois golpes, um vitorioso e que chega ao Poder, o outro, derrotado, que não chega ao Poder ou até mesmo perde o Poder que desejava mais amplo).
JK conversou com reis, rainhas, presidentes, primeiros-ministros, até ditadores. No dia 2 de janeiro de 1956, foi recebido por Antonio Salazar no belíssimo palácio de Queluz. Em determinado momento, no jardim, 1 minuto sozinhos os dois presidentes, este repórter ao lado.
Salazar, que era ditador mas também professor de Economia da Universidade de Coimbra, disse para Juscelino: "Presidente, se o senhor quiser governar sem aborrecimentos maiores, não recorra ao FMI nem faça reforma cambial". Chegou gente, JK perplexo, não pôde perguntar a razão do conselho.
A comitiva de JK nessa viagem era composta de 5 pessoas com funções. Como convidado, apenas este repórter. No carro, Juscelino me perguntou: "Helio, o que o presidente Salazar queria dizer?". E eu, com a maior naturalidade: "Presidente, não precisa nem de interpretação, tem que governar de dentro para fora e não o contrário". Minha convicção, total já nesses distantes 52 anos.
Coment:
postado por Júlio às 10:52
 Setembro 19, 2007
COLADO DO BLOG DO JOSIAS DE SOUZA - 19/09/07
Eremildo, o idiota, quer buscar Cacciola em Mônaco
Vai abaixo artigo do repórter Elio Gaspari (assinantes da Folha):
“Eremildo é um idiota. Ao ouvir que o ministro Tarso Genro admite a possibilidade de viajar a Mônaco para negociar a extradição do vigarista Salvatore Cacciola, resolveu oferecer seus serviços ao governo. Ele pretende pedir ao companheiro Hugo Chávez que lhe consiga um avião para levá-lo ao principado. (Como o líder bolivariano providenciou transporte para devolver os boxeadores Rigondeaux e Lara ao éden comunista cubano, não haveria de negar ajuda a uma missão de resgate de um renegado capitalista capturado no paraíso da plutocracia européia.)
O ministro disse que, "se nossa presença ajudar a acelerar a extradição, estamos dispostos a viajar, se necessário". Mônaco no verão é um sacrifício que Eremildo está disposto a fazer. Se Tarso Genro quisesse ir ao Rio para procurar o cidadão Jorge da Silva Siqueira Neto, sumido há duas semanas da favela Kelson's, não poderia acompanhá-lo.
O idiota sabe que, sozinho, não trará Cacciola de volta. Por isso, pretende viajar com uma comitiva de 47 senadores, chefiados por Renan Calheiros. Uma vez na terra, os doutores poderão perder umas horas no cassino, mas o Eremildo tem outra devoção. Irá para a catedral de São Nicolau com uma braçada de flores de pétalas brancas e rosa. Vai deixá-las no túmulo da princesa Grace Kelly, que morreu há exatos 25 anos numa curva de estrada da Côte d'Azur. Ele sabe tudo da vida dela, inclusive da sua premonição, confirmada por um feiticeiro, de que morreria num desastre de carro.
O idiota acha que ir a Mônaco para resgatar Cacciola é uma missão patriótica, porém tem suas dúvidas. Há um mês, a Justiça local libertou Ted Maher, o enfermeiro que, na melhor das hipóteses, provocou a morte por asfixia do banqueiro Edmond Safra. Na pior, ele passou oito anos numa cana com vista para o mar para que não se fale mais no assunto.
Eremildo acha que o caso poderia ficar nas mãos da diplomacia brasileira e de um bom advogado de Mônaco. As chances de Cacciola não chegam a 3 em 10. Extraditado, não terá o conforto da suíte que usufruiu no Ponto Zero, no Rio. Um interesse exibicionista do governo leva água para a defesa do finório. É verdade que ele fugiu do Brasil e hoje está condenado a 13 anos de prisão, mas também é certo que saiu da cadeia, antes da sentença, por decisão de um juiz do Supremo Tribunal Federal. Eremildo acredita que a chegada do ministro sugeriria que o comissariado tem interesse político no resgate.
Prontifica-se a ir com sua comitiva porque um idiota notório, acompanhado de 47 experimentados senadores, leva outro tipo de mensagem. Albert 2º, o atual monarca do bairro, pode ajudar o Brasil. Desde 2005, quando o principado negou residência ao malandraço Sir Mark Thatcher, percebe-se um esforço para livrar o ancoradouro da fama de valhacouto de piratas. (Mark é filho da padroeira dos papeleiros liberais e meteu-se num golpe de Estado na Guiné Equatorial.)
Fica mais fácil para o príncipe dizer que atendeu a um pedido de um idiota, amparado na lei, do que explicar aos miliardários da côte que ouviu os argumentos de um ministro cuja polícia extraditou dois atletas cubanos recuperados de um surto de insânia contra-revolucionária.”
PS.: Nesta quarta-feira (19), Tarso Genro bateu o martelo: vai mesmo a Mônaco. O ministro da Justiça viaja no próximo sábado.
Escrito por Josias de Souza às 13h33
Coment:
postado por Júlio às 18:17
COLADO DO BLOG DO CLÁUDIO HUMBERTO - 19/09/07
O SENADO É ESTADO E A CÂMARA É POVO
Severino Melo (*)
Quando a Polícia Legislativa barrou, à força, os Deputados Federais Fernando Gabeira e Raul Jugmann, no umbral do Senado Federal, ali estava definido, em alta resolução, quem representa o "poderoso" Estado e quem tenta fazer-se presente em nome do povo.
Mais uma vez, prova-se que a maioria é pisoteada pela minoria, como sói ocorrer entre os ricos e os pobres, os assistidos e desassistidos do nosso Brasil desigual.
Constrangeu-me a cena, ao ver um "Leão de Chácara", pago pelo erário, querer se atracar com um parlamentar, dentro do ambiente legislativo.
Ao que se sabe, há apenas uma Polícia Legislativa. A que defende o Senado, leia-se os senadores, é a mesma que é paga para manter a incolumidade dos Deputados, através da Câmara Federal.
O que se viu, através das câmeras, foi o "fiel escudeiro" de Renan Calheiros e ou de Tião Viana, comportar-se como se estivesse numa batalha campal, com sua pistola de choque de alta voltagem, não contra meliantes, mas contra representantes do povo, ali postados através de milhares de votos, ainda que nem todos livres e conscientes.
Em tese, quem dirime os conflitos entre as partes é o Estado Juiz, através do Poder Judiciário, ou pelo menos deveria ser. E o Supremo Tribunal Federal (STF), por um dos seus ministros, dera autorização para que "os representantes do povo" adentrassem ao plenário do Senado Federal e assistissem a reunião secreta do julgamento do Senador Renan Calheiros. O documento judicial, de eficácia imediata, foi descumprido, os Deputados agredidos e o resto foi a "marmelada" que toda a imprensa noticiou.
Podem fechar o Senado... O Estado é suficientemente forte e sabe defender-se sozinho... Aliás, que crédito merece uma instituição cujo colegiado tem quase 10% de indecisos que se abstêm de votar?
Por sinal, seria bem interessante que leiloassem o suntuoso prédio do Congresso Nacional e transformassem o lance ganhador em cestas básicas para população carente; Que simples e constitucionalmente ao tempo que se extinga o Senado, reduzam-se as cadeiras da Câmara dos Deputados, a doze, pois 282 deputados já seria um número exorbitante.
Enfim, ao manter-se as votações bicamerais, nada mais se faz do que onerar a população pagadora de impostos deste país. Pior do que a votação do mesmo projeto duas vezes, só o inquérito policial que é feito na Polícia e refeito na Justiça. Duas duplicidades que já há muito deveriam ter sido banidas da vida nacional.
(*) Severino Melo – é Bacharel em Direito, Escritor, Radialista, Servidor Público Federal, Recifense Nato e Cidadão Honorário de Caruaru.
Coment:
postado por Júlio às 13:15
 Setembro 15, 2007
COLADO DO BLOG DO JOSIAS DE SOUZA - 1509/07
Em defesa da continuidade de Renan na presidência
Todos os brasileiros de bem têm o dever de defender, ardorosa e entusiasticamente, a permanência do traseiro de Renan Calheiros na poltrona de presidente da Câmara. O “Fica, Renan” tornou-se um imperativo cívico.
Lula e seus auxiliares articulam um pedido de licença de Renan. A milícia congressual de Renan sugere que o general tire algumas semanas de descanso. Grão-petistas como Aloizio Mercadante esgrimem a tese do afastamento temporário de Renan. A oposição exige que Renan se abstenha de presidir o Senado até a conclusão de todas as apurações.
Todos os que hoje desejam ardorosamente a licença de Renan contribuíram ontem para a absolvição do mesmo Renan. Estão lá, impressas sob a diáfana camada de sigilo do painel eletrônico, as digitais de Walfrido dos Mares Guia, o articulador de Lula; dos Silvérios do tucanato, dos quintas-colunas do DEM; das abstenções do petismo.
Ficou combinado que, para o governo e a maioria dos senadores, nada acontecera. Restou estabelecido que não valia a pena aviltar o compadrio que permeia as relações políticas em nome de algo tão relativo e politicamente supérfluo como a verdade.
Ora, se Renan é inocente, por que deveria deixar o cargo? Não, não. Nada disso. Que o Planalto conviva com seu aliado. Que os senadores empurrem para debaixo do tapete a sujeira que sobrou em volta. Que os salvadores de Renan desfrutem, por inteiro, da presença do colega incômodo. Que se dediquem a tanger a boiada de dúvidas que persegue o boiadeiro-mor.
Ao absolver Renan, o Senado converteu-se numa mega-fazenda de Murici (AL). O gado transita agora pelo gabinete da presidência, pasta no salão azul, passeia pelo cafezinho, baba nas cadeiras do plenário. Os senadores optaram por fingir que as reses não estão ali. Pois que cuidam para não pisar no rabo das vacas, amplificando-lhe os mugidos.
Por trás da pressão para que Renan se licencie do cargo repousa um acerto mais escandaloso do que a absolvição. Aposta-se que, se o senador sair de fininho da presidência, o embaraço do salvamento inexplicável não será convertido em terremoto. Esquece-se de um detalhe: o brasileiro de hoje, menos bovino que o cidadão de ontem, não parece mais disposto a se fingir de bobo pelo bem da República.
Se o Renan Calheiros é o mesmo, se o Lula é igualzinho, se o Senado é o mesmo, se a imprensa também é a mesma, o que mudou para que um simples pedido de licença transforme o acinte em esquecimento? Nada.
Não há mais alternativa: ou o Senado devolve Renan definitivamente a Alagoas, cassando-o, ou convive com a tese de que o complô da mídia golpista, a irresponsabilidade dos peritos da Polícia Federal e o desejo de holofotes dos relatores do Conselho de Ética transformaram, maliciosamente, um senador modelo num ladrãozão. Enquanto o Senado não faz a sua opção, brade-se, a plenos pulmões: fica, Renan; resista, Renan; não esmoreça, Renan.
Escrito por Josias de Souza às 19h37
Coment:
postado por Júlio às 21:13
 Setembro 14, 2007
COLADO DO BLOG DA LÚCIA HIPÓLITO - 14/09/07
Pedagogia da crise
Passado o tranco, superada a decepção, é preciso entender o que aconteceu e aprender com a crise.
Caso contrário, terá sido um sofrimento inútil.
A força do governo federal; a importância da CPMF; o discurso decisivo do senador Francisco Dornelles; a presença (para muitos, antipática) da senadora Heloísa Helena; a atuação decidida dos senadores Ideli Salvati e Aloísio Mercadante; a atitude pusilânime de seis senadores; a sessão secreta; o voto secreto.
Foram esses os principais fatores que resultaram na absolvição de Renan Calheiros.
Claro que o compadrio, o espírito de corpo e a aberta intimidação promovida pelo acusado sobre os demais senadores também tiveram seu papel.
Mas já se contava com isso. Não foram elementos decisivos.
E agora? Como transformar as lições da crise em atitudes que reponham o Senado nos trilhos e o reconciliem com a sociedade?
A avalanche de protestos que chegam às redações, às caixas postais, à blogosfera, ao Senado Federal (a ponto de tirar do ar o site da casa e interromper o funcionamento do serviço telefônico) são eloqüentes.
Mostram que a sociedade acompanhou todo o processo e responsabiliza o conjunto dos senadores por uma série de irregularidades.
Neste sentido, mesmo os que votaram pela cassação de Renan Calheiros são em parte responsáveis pelo descalabro a que chegou o Senado.
Agora é preciso juntar os cacos e tentar dar alguma racionalidade e transparência a uma casa que demonstrou ser tudo, menos racional e transparente.
O Senado tem muito a aprender com a Câmara.
Até hoje, não se consegue saber quanto custa um senador ao contribuinte brasileiro. São apenas estimativas, baseadas naquilo que custa um deputado. A Câmara é muito mais transparente.
Até hoje, não se consegue saber como os senadores gastam a verba indenizatória a que todo parlamentar tem direito. Na Câmara, os gastos são divulgados. No Senado, são secretos. A tal ponto que, para justificar uma renda que não possui, o senador Renan Calheiros declarou a verba indenizatória como renda. A Câmara é mais transparente.
(Verba indenizatória, hoje de R$ 15.000,00, serve para o parlamentar fazer despesas nos estados, mediante nota fiscal. É uma forma de salário indireto, criada quando Aécio Neves presidiu a Câmara.)
O Conselho de Ética do Senado não possui sequer um regimento interno, coisa que a Câmara possui há tempos. Aliás, já está até propondo modificações no seu regimento, para adequá-lo aos novos tempos. A Câmara é mais racional.
O Regimento Interno do Senado é, como vimos, uma peça de museu, um anacronismo ambulante. Não entendeu que estamos no século XXI, o século da democratização da informação, da democratização do acesso às decisões públicas.
Até o Supremo Tribunal Federal, que anda batendo um bolão, decidiu acertar o passo e ingressar no novo século.
Mas o Senado continua de anquinhas e monóculo, povoado de coronéis, agitando-se por causa de amantes, filhos fora do casamento, notas frias, laranjas. E mentira, muita mentira.
Num aspecto, entretanto, Senado e Câmara continuam de braços dados. Não se decidem a enfrentar a questão do voto secreto em votações no Congresso.
Cinco propostas a respeito do assunto dormem na Câmara e no Senado, em diferentes estágios de tramitação. Mas as excelências não votam. Nem para aprovar nem para derrubar.
A crise desencadeada pelo escândalo Renan Calheiros tem tudo para despertar os senadores para a realidade.
Cabe a eles aproveitar as lições do episódio para fazer o Senado avançar.
Se não podemos mudar os homens, que pelo menos se mudem métodos e práticas.
Coment:
postado por Júlio às 17:10
 Setembro 13, 2007
COLADO DO BLOG DO JOSIAS DE SOUZA - 12/09/07
Senado prova que instituições também se suicidam
O nome da crise não é mais Renan Calheiros. O caos agora se chama Senado da República. Ao absolver um presidente indefensável, os senadores comprovaram a existência de um par de axiomas indubitáveis: 1) só há duas formas de fazer política, as ruins e as muito piores; 2) a exemplo dos indivíduos, também as instituições pretensamente republicanas podem cometer suicídio.
Dias antes da votação secreta, o líder tucano Arthur Virgílio dissera que, no escurinho do plenário, longe dos holofotes e das câmeras da TV Senado, a sessão sigilosa em que Renan Calheiros seria julgado se transformaria numa espécie de “terapia de grupo”.
De fato, o Senado converteu-se nesta quarta-feira num imenso centro terapêutico. Deveria tratar a demência de seu presidente. Mas, ao dar alta a Renan, 40 senadores deitaram, eles próprios, no divã. Pior: convidaram toda a sociedade a compartilhar de sua esquizofrenia, num sacrifício coletivo das evidências.
O Brasil foi intimado a fingir-se de louco. O Senado pede ao país que esqueça as notas frias, os bois voadores, os frigoríficos de fancaria, o lucro agropecuário fictício, os pagamentos feitos com dinheiro vindo sabe-se lá de onde, o empréstimo não declarado à Receita, a rádio e o jornal adquiridos em moeda sonante e por meio de laranjas... Nada disso existiu, eis o que informa o Senado. Tudo não passou de uma alucinação coletiva.
Restou demonstrado que os políticos brasileiros não se sentem pessoas públicas. Eles pedem à nação que pare de atrapalhar suas vidas privadas. Recomendam ao eleitor que aceite, compulsoriamente, a tese de que o presidente do Senado é um homem bom. Aconselham aos jornalistas que deixem de fazer perguntas incômodas –O que o senador comeu hoje? Ou, por outra: Quem ele comeu ontem?
O país deve aceitar, babando na camisa, a existência de um patrimonialismo docemente arcaico, alegremente eterno. Ficou estabelecido que, no universo psicanalítico do Senado, é o privado que rege o público. E os senadores não devem nada a ninguém. Muito menos explicações.
Diante de um Renan que bate na barriga e diz “Brasília é a minha Murici”, não resta ao cidadão em dia com o fisco senão ouvir, respirar fundo, e seguir em frente, fingindo uma patológica normalidade. Seja maluco, caro leitor. E não encha mais o saco.
Ao optar pelo impasse, ao dar sobrevida à crise, o Senado virou as costas para a sensatez, fez uma opção pela delinqüência, deu as mãos à desmoralização. Há muito não se via um ataque tão frontal à democracia. A política vai se consolidando como um parafuso espanado. Roda a esmo, incapaz de dar solução às suas próprias crises. Que não reclamem depois das loucas divagações berzoínicas, do desvario de um Brasil sem Senado. Os senadores suicidaram o Senado.
Escrito por Josias de Souza às 20h11
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postado por Júlio às 00:08
 Setembro 12, 2007
COLADO DO BLOG DO REINALDO AZEVEDO DE HOJE
Carta às senadoras e aos senadores da República
Excelências,
É certo que o país é maior e mais importante do que a votação de logo mais; seria injusto com o Brasil e com os brasileiros que se tomasse o resultado ou como uma sentença de condenação ou como o augúrio de um novo tempo, em que, então, todas as iniqüidades estarão vencidas, com a constituição de uma República só de justos. A história não se faz assim.
Se o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) preservar o seu mandato, a história não chega a termo, num fim trágico; se for cassado, não teremos vencido todas as nossas mazelas. Mas cumpre que Vossas Excelências tenham muito claro: sua resposta ao relatório dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) dirá em que país pretendem viver e em que país pretendem que vivamos nós, os brasileiros corriqueiros; aqueles que não representam, mas que são representados; aqueles que lutam cotidianamente para ter uma vida digna, decente, honesta, esforçando-se para passar aos filhos esses mesmos valores. Somos um povo honrado, senhores senadores. O voto de cada um dos senhores dirá quão veloz a Casa espera que o país se encontre não com o seu destino — que isso costuma ser retórica vazia —, mas com suas reais possibilidades.
Não, vocês não são homens e mulheres perfeitos — e nenhum de nós é. Não, vocês não são homens e mulheres sem pecados — e nenhum de nós é. Sim, vocês são demasiadamente humanos — e todos nós somos. Por isso mesmo, porque somos todos falíveis, precisamos de instituições fortes, respeitadas, alçadas acima das nossas vontades mesquinhas, para nos pôr freios, para nos advertir dos limites, para nos indicar os caminhos. O senador ou senadora da República não estará julgando transgressões ou vícios privados; não estará arbitrando sobre as escolhas morais de cada um; não estará legislando sobre as falhas de todos nós. Atenção, Excelências: os Senhores e as Senhoras estarão dizendo qual é a tolerância para transgredir os limites das instituições.
Sim, este texto assume um tom mais grave do que o habitual. Porque há a hora, Senhoras e Senhores, em que precisamos ser graves. Esse texto apela a uma certa retórica passadista. Porque há a hora, Senhoras e Senhores, em que precisamos apostar no futuro lembrando que temos um passado — a Casa em que vocês estão tem história. Este texto não busca fazer com que vocês se indignem com crimes; antes os quer amantes exaltados da instituição e procuradores do decoro. O decoro que faz homens e mulheres, mesmo imperfeitos, dignos desta Casa — mormente se pretendem presidi-la.
O líder tem o dever do exemplo; o líder é o farol e é o guia; o líder é o que avança com coragem contra as dificuldades. E, pois, não lidera quem já não pode ser exemplar; não lidera quem faz de meias-verdades mistificações inteiras; não lidera quem se escuda em privilégios que foram conferidos pelo voto para negar a essência da representação.
Todas as possibilidades de defesa, sabem bem Vossas Excelências, foram dadas ao senador Renan Calheiros. De todas as formas possíveis em que leis, códigos, regimentos, tradições puderam ser usados em seu benefício, eles o foram. Na presidência do Senado, cargo que fez questão de manter, mobilizou a estrutura da Casa em seu benefício.
Infelizmente, o senador Renan Calheiros confundiu obstinação com moral reta; desqualificação adjetiva de provas com inocência; a denúncia de complôs fantasiosos com a expressão pura da verdade.
Nessa trajetória, não ia apenas degradando o mandato que lhe conferiu o povo de Alagoas. Não! Era a própria presidência do Senado — e, portanto, a instituição — que se ia, pouco a pouco, aviltando, pequena, acrisolada na mediocridade defensiva, tolhida por uma impressionante avalanche de meias-explicações e personagens obscuras sempre se esgueirando nas sombras de uma legalidade precária, duvidosa. Renan arrastava consigo a história do Poder Legislativo.
Parafraseando Karl Marx a comentar as desventuras de Luís Bonaparte, o senador Renan Calheiros tornou-se vítima de sua própria concepção de mundo: o bufão sério não tomou a história do Senado como uma comédia, mas a sua própria comédia como se fosse a história do Senado. Preservem-se, Senhoras e Senhores, desse fatalismo místico com que ele pretende revestir a sua resistência. Renan está certo de que há certas forças às quais um senador da República jamais resiste: o poder, o prestígio, as glórias de ser amigo do rei. Cumpre que Vossas Excelências, hoje, lhe digam o contrário. E isso significará ao conjunto dos brasileiros um sinal de esperança; uma aposta num futuro mais digno; um gesto presente demonstrando que, nessa Casa, nem tudo é permitido.
O resultado da votação de hoje dirá a disposição que os membros dessa Casa têm de estabelecer um diálogo franco, aberto, honesto, com a sociedade — ou, pelo avesso, o seu estado de alienação, de alheamento, de verdadeiro divórcio entre as expectativas de um povo honrado e seus representantes. Olhem à sua volta. Por que tantas medidas de segurança? Por que tantas proibições, tantas interdições, tanto esforço para tolher a comunicação? A consciência de cada senador não reside no silêncio dos cemitérios, mas na história viva do povo que ele representa. Ao se proibirem celulares e computadores, não se quer fazer de Vossas Excelências bons juízes; antes, faz-se um esforço para impedir que o Brasil entre nessa Casa.
Dêem uma chance ao Brasil e dêem uma chance ao próprio homem Renan Calheiros dizendo: “Vossa Excelência, como senador da República, errou. E aqui julgamos o senador, não o homem”.
Finalmente, lembro que Renan, numa frase infeliz, disse ter sido vítima dos excessos da democracia. Foi um mau professor. Mas eu lhes ofereço um bom: Tocqueville, em A Democracia na América, afirmou que os males da liberdade se corrigem com ainda mais liberdade.
Aprendamos, então, a ser livres.
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postado por Júlio às 09:11
 Setembro 11, 2007
COLADO DO BLOG DO NOBLAT DE HOJE
Enviado por Arnaldo Jabor - 11.9.2007| 4h51m
O que vai acontecer com o Senado amanhã?
E agora? O que acontecerá com o Senado, se a votação de amanhã absolver o presidente Renan Calheiros, em sessão secreta, voto secreto, contra a decisão do Conselho de Ética, que pede sua cassação, contra todas a evidências de delitos comprovadas?
O Senado brasileiro nasceu com raízes na tradição greco-romana, inspirado na Câmara dos Lordes da Grã-Bretanha e influenciado pela doutrina francesa da divisão e harmonia dos poderes do Estado e dos direitos dos cidadão. Aqui, foi criado pela Constituição de 1824. Quarta-feira, haverá uma mudança histrica neste país. Para o bem ou para o mal. Para frente ou para trás. Podemos acordar em 1823. Podemos olhar pela janela e ver meirinhos e mucamas, sinhás-moças em berlindas e carruagens com negrinhos de libré e cabeleira empoada no estribo. Ou então, se Deus ajudar, podemos progredir, se os senadores imitarem a súbita grandeza que o STF nos ofertou, liderada por um brilhante bisneto de escravos. Mas, e se Renan for absolvido? Significa que nada de real aconteceu? Que estávamos todos loucos há três meses? Foi tudo um sonho?
Aliás, não se trata mais de punir Renan. Isso é um furta-cor acusatório, será o matiz hipócrita de uma missão traída. Tudo parecerá falso, as sessões vão virar um teatro burlesco, um circo de sacanagens assumidas. O Senado vai virar uma novela sem-fim a que assistiremos para sempre, com cenas inesquecíveis, como o recente choro do mamulengo Roriz, como o trêmulo vexame das oposições com medo de chantagens e com as acusações mútuas de 'bonecas'. Haverá silêncios constrangidos entre os oradores. Cada vez que se pronunciar 'Vossa Excelência', um travo de amargor pontuará as sílabas, haverá o perigo de gargalhadas nas galerias, crises de engasgos de vergonha. Nas consciências perpassarão rostos de homens honrados, de nobres fantasmas como Afonso Arinos, Santiago Dantas, Milton Campos... O secular cinismo vai continuar, claro, mas a consciência do vexame vai se instilar nos cafezinhos, nos mictórios, algo mugirá nos cantos, como um bicho lamentoso. Os senadores não terão mais coragem de desafiar : 'Você sabe com quem está falando?', pois a resposta poderá ser devastadora.
Estranhamente, creio que a eventual absolvição de Renan vai gerar um ódio mudo contra ele, principalmente entre os que o salvaram. Seu sorriso vitorioso, seus dedos em 'V' serão insuportáveis a seus aliados invejosos, pois sabem-nos não merecidos. Mesmo seus ajudantes-de-ordem, como Almeida Lima ou o suplente Rapunzel , Wellington Salgado, rosnarão pelos cantos contra a ingratidão do chefe, livre, indo comemorar no Piantella.
Mesmo em nós, a platéia vetada para a sessão, haverá uma mudança 'existencial'. Ficaremos menos democráticos, vamos sonhar com tanques de guerra e déspotas esclarecidos. Alguns filhos talvez passem a encarar os pais com desconfiança, talvez algumas amantes forjem orgasmos decepcionados. Aos poucos, um lampejo de arrogância vai se instalar nos olhos dos seguranças, dos contínuos, dos servidores de cafezinho; aos poucos, com crescente desrespeito, chegarão a dar tapinhas de intimidade folgada nas costas dos parlamentares humilhados. No almoxarifado, faxineiros roubarão latas de detergentes, vassouras, desentupidores de privada, as moças da limpeza deixarão os banheiros sujos e, quem sabe, uma grande inundação de fezes vai emporcalhar os tapetes azuis, que apodrecerão aos poucos, os lustres cairão como jacas moles e o teto vai murchar como um bolo solado. Nos subterrâneos e esgotos, uma assembléia de ratos e lacraias fará a mímica das sessões plenárias.
Por outro lado, haverá milagres pelos grotões de Alagoas. Como a verdade virou mentira e a mentira virou verdade, os açougues fantasmas e falidos em remotos desertos se encherão de carne das boiadas de Renan, carcaças se inflarão, as bocas desdentadas dos analfabetos-laranja se encherão de dentes, o município de Muricy se transformará numa festa permanente de cerveja Schincariol, um 'oktoberfest' da caatinga, os cheques fajutos vão revoar como andorinhas sobre Brasília, as fazendas imaginárias se encherão de boiadas, as churrasqueiras vão enfumaçar os campos em hecatombes homéricas, e o sertão vai virar mar e multidões do cabresto do Bolsa-Família virão adorar novos padrinhos Cíceros e Lula se abraçará com Renan, finalmente em paz com o PMDB. E o mentor de tudo, o dono do Maranhão, aparecerá no fim, de bigode aparado e jaquetão impecável, como sempre, intocado pela História. E o dia vai raiar depois da grande festa, mas com a 'aurora de dedos róseos', os indícios da boa e velha inflação já estarão aparecendo no horizonte lulista.
Batido pelo vento da manhã, um dragão da independência contempla a bandeira brasileira no alto do mastro. O vento é forte, mas a bandeira não se move, apodrecendo na praça, nosso lindo pendão da desesperança.
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postado por Júlio às 12:45
 Setembro 6, 2007
TRECHO DO ARTIGO DE SEBASTIÃO NERY DE HOJE
NA TRIBUNA
O PT também passou sua vida inteira procurando um homem e agora encontrou José Dirceu. O País sempre pensou que o líder que o PT buscava e encontrou foi Lula. Nada. Lula é apenas o falador, o palanqueiro, o arranjador de votos. O homem de ouro que o PT procurava não era Lula, era José Dirceu.
"Nunca antes, jamais, em tempo algum", Lula foi "aclamado" em um congresso do partido como José Dirceu sexta-feira: "Apontado pelo Supremo Tribunal como chefe da Quadrilha do Mensalão, foi ovacionado pelos petistas. Lula adiou a ida ao congresso do partido, irritado com as manifestações pró-mensaleiros" ("O Globo"). Sábado, foi lá. E não teve a metade das palmas.
O PT gosta mesmo é de "chefe de quadrilha" (dos 40 do Mensalão). E Lula está inteiramente esquizofrênico. Teve a insensatez de dizer: "Nada disso atinge o PT. Ninguém tem a ética e a moral que o PT tem".
Dirceu
Ridículo o argumento que José Dirceu arranjou para se defender:
"Em 40 anos de vida pública, com exceção dos processos abertos nos tempos da ditadura militar, nunca fui investigado ou processado".
Hilário! Queria o quê? Como líder estudantil, a partir de 67, iria enfiar a mão na cantina do Diretório Acadêmico ou da União Estadual dos Estudantes?
Como exilado em Cuba, não era besta. Fidel mandava fuzilá-lo na hora. Suas estripulias começam quando chegou ao poder, e que poder!, na Casa Civil.
E é aí que aparecem Waldomiro Diniz, Marcos Valério, Banco Rural, BMG, toda a cachoeira de grana que desaguou nos corruptos do PL, PP, PTB.
Brito e Coutto
Definições que não podem se perder:
1 - "Os fatos configuram mesmo crimes em quantidades enlouquecidas". (Ministro Carlos Ayres Brito, do Supremo Tribunal, ex-PT)
2 - "A condenação dos indiciados já foi antecipada. Faltam só as penas". (Pedro do Coutto, TRIBUNA DA IMPRENSA.)
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postado por Júlio às 10:25
 Setembro 2, 2007
COLADO DO BLOG DO NOBLAT 02/09/07
Enviado por Fernando Henrique Cardoso - 2.9.2007| 4h57m
Culpa e responsabilidade
Presidente, assuma posições claras em favor de uma vida política mais decente
O editorial do "Estado de S.Paulo", na quinta-feira última, "Nunca antes neste país", ressalta com razão que a decisão do STF mostrou caberem nos bancos dos réus um governo, um partido e um sistema político-eleitoral. A cortina de fumaça publicitário-eleitoral do disciplinado PT faz seus dirigentes dizerem em uníssono: não temos nada com isso, o julgamento não respinga em nós nem no governo, o mau comportamento é caso isolado, talvez de um só "companheiro", o auto imolado Delúbio, etc. São justificativas típicas de partidos au toritários: "o Partido", em sua essência, é perfeito; os homens que o compõem são entidades à parte —- podem ser pecadores, mas o partido não erra nunca.
Por extensão, o governo desse partido, que se imaginava de pureza platônica, nada teria a ver com os erros de seus filiados,menos ainda a figura simbólica que o expressa, Lula. Este olha os companheiros e subordinados com a benevolência distante do "paizão" condescendente, sem qualquer responsabilidade por suas diabruras. Se erraram, pagarão o preço. A tarefa de julgar pertence aos tribunais, não aos membros do agrupamento.
Enquanto o Tribunal não dá seu veredicto, lavam-se as mãos e se tem por bons os que estão "supostamente" envolvidos em tramas. Pouco importa os veementes indícios que levaram os juízes do STF a receber as denúncias, tão pormenorizadamente descritas pela acusação e pela relatoria. Até o julgamento, "quadrilha", peculato, corrupção ativa ou passiva, são invencionices da mídia e da oposição. Se vierem a ser condenados, dirão: "que outra coisa esperar de um tribunal,senão acomodar-se com a mídia e com a elite?"
O truque ideológico é simples como o sofisma no qual se baseia, o da separação entre um partido ideal, inatacável, e uma prática pervertida. É certo que a "culpa" será decidida pelo tribunal,bem como as penalidades. É até provável que alguns dos acusados sejam inocentados, em parte ou totalmente. Mas a responsabilidade pelo que ocorreu (cujo juízo é político, não penal) recairá sobre o governo, sobre seu chefe e, sobre todos os que ao não reprovarem com energia os deslizes assumem uma atitude leniente que convida à repetição das malfeitorias.
Jamais avancei juízos sobre a culpabilidade de cada acusado, à espera das provas (já evidentes em alguns casos) e da decisão da Justiça. Faço a devida distinção entre culpa penal e responsabilidade política. Mas não poupei a responsabilidade do presidente que nunca repudiou os fatos ocorridos, negando evidências, nem a dos dirigentes partidários que dizem: "não é conosco". Com quem é então? Com o Delúbio e com o Valério agindo sozinhos? A quem beneficiaram os apoios e os votos? Obviamente ao Presidente, a seus aliados e à sustentação das políticas do governo.
Por conseqüência, presidente e governo, indiretamente, e as pessoas diretamente implicadas na trama respondem pelo que ocorreu, embora em instâncias diversas e com graus de culpabilidade e de responsabilização também diversos. Todos estão sim no banco dos réus. Alguns são réus da Justiça, outros perante a opinião pública e a História. E de nada vale o outro sofisma, malufiano: "fomos absolvidos pelo voto popular". Terão muitos políticos de má catadura nesta companhia. O voto dá poder, mas não absolve nem perante a Justiça nem perante a opinião pública; se o processo de responsabilização tivesse sustentação política, nem sequer poder daria. Mesmo dando-o, fica o estigma de um poder manchado por práticas corruptas.
A hipótese de que os maiores responsáveis políticos nada sabiam é de difícil sustentação. Houve reiteração no STF da presença do candidato à Presidência e de seu vice na sala contígua ao lugar em que era feita a compra do apoio do PL aos candidatos do PT. O então governador de Goiás reafirmou que dissera ao presidente saber de subornos. Ainda que os dirigentes nada soubessem na ocasião, depois do que hoje se sabe caberia a repulsa dessas práticas malsãs. O PT até hoje calou. E o presidente Lula outra coisa não faz do que confundir a opinião pública, sem nunca dizer quem o traiu, e sem condenar moralmente seus aloprados companheiros. O presidente deve à nação (mesmo à parte dela que o "absolveu" pelo voto) um repúdio claro às transgressões.
Por fim, o sistema político eleitoral. A verdade é que o sistema de voto, proporcional e uninominal, fragmenta os partidos, quase os dissolve, obrigando o Executivo a uma série de acordos, popularmente chamados de barganhas. Esses acordos, não implicam necessariamente em suborno, em compra, em mensalões ou coisa que o valha. Mas implicam na cessão do controle de partes da máquina pública a interesses partidários, o que em si pode não ser um erro, se for para a implementação de políticas com as quais o governo ou os partidos aliados estejam de fato comprometidos.
Quando, como no caso atual, não se sabe qual é o programa do governo e os aliados nunca estiveram próximos das idéias dos governantes e, ainda por cima, se introduz a prática — essa sim inédita e criada pelos operadores do PT — de oferecer vantagens pecuniárias para obter apoios no Congresso, configura-se a tal "quadrilha" ou "bando". Não há pois como negar a relação entre o sistema político-eleitoral e os desatinos praticados.
Mudemos, pois, o sistema. É por isso que, embora consciente dos problemas que o voto distrital acarreta (mas há formas para solucioná-los) venho me batendo por sua adoção. Ele quebra o atual sistema, que precisa ser quebrado, porque está desmoralizado. Se é certo que há algum tempo era perceptível o embaraço que nosso sistema político-eleitoral causa ao bom êxito da administração e às práticas políticas do país, isso se tornou patente no relacionamento entre o governo atual e o Congresso. O presidente Lula se declara favorável ao voto distrital misto. Por que então não assume sua responsabilidade política de o defender em vez de deixar o PT propugnar por "listas fechadas"?
Presidente, fale com franqueza, assuma posições claras em favor de uma vida política mais decente. Não serão sofismas nem milhões de votos que o absolverão perante a opinião pública se permanecer num silêncio conivente.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é ex-presidente do Brasil
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postado por Júlio às 12:58
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