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 Julho 25, 2008
COLADO DO BLOG DO NOBLAT - 25/07/08
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Souza
Não foi ele quem inventou a pólvora
Alguém, de bom senso e de bom coração, precisa dizer ao presidente Lula, antes que ele vá a Beijing, que não foi ele quem inventou a pólvora. Isso é urgente!
Usando expressão típica dele, estou convencida que ele se acha o sal da terra. De tanto dizerem que é inteligente, ele passou a se achar genial. A inteligência é um dom com o qual nascemos, mas assim como a musculatura, precisa ser exercitada. E como é que se exercita a inteligência? Lendo, estudando, se informando.
Ele é, quer gostemos ou não, a figura que representa o Brasil. E, ao contrário do que diz, não temos feito boa figura lá fora. Leiam a imprensa estrangeira, foi o que disse. Conselho que é melhor não seguir: deprime muito.
O Brasil está ficando ridículo. O episódio Daniel Dantas/Protógenes e tudo que envolveu e envolve, é farsa das boas. Teve de tudo: reunião do Presidente do STF com o Presidente da República, na presença inexplicável do Ministro da Defesa; pitos públicos no delegado; entrevistas lacrimejantes do juiz que ordenou a detenção; divulgação de documentos carimbados como sigilosos; transmissão de gravações de conversas que até hoje não sabemos se vão condenar ou inocentar os indiciados; revelação de que há duas correntes na PF; pedido de impeachment do Presidente do STF; passeatas de vinte membros da briosa CUT; mudança de espírito do ministro da Justiça, que não sabe se aplaude ou vaia a PF.
Como sempre, tudo é culpa dos ricos. Da divisão de classes. Dos maus contra os bons e, nesse caso, como em todos os outros, os pobres são bons, os ricos são maus. Quem comeu as três refeições por dia desde a primeira infância, não deve honrar pai e mãe. Quem estudou, deve se envergonhar de saber. Quem tem prazer em ler e aprender, e gosta de falar e escrever corretamente, com certeza é um malfeitor em potencial.
Pior que tudo: para nos livrar do complexo de inferioridade diante da Europa e dos EUA, querem nos enfiar goela abaixo o bolivarianismo e forçar uma ligação fraternal com outros países da América Latina, como se isso fosse ser a salvação de nosso subcontinente. Tremenda tolice. Sempre tivemos relações cordiais com todos, até o momento em que resolvemos bancar o pai patrão. Estamos nos comportando como novos ricos. Talvez seja bom o Lula aprender com Confúcio, também antes de ir à China: “Que bem eu te fiz para me quereres tanto mal?”
Ou ele pensa que vai encontrar hermanos gratos numa hora de aperto?
Ontem a frase do dia aqui no Blog do Noblat foi um retrato do Governo Lula: “Eu não vou diminuir o consumo neste país, porque se tem uma coisa que o povo pobre passou a vida inteira esperando é o direito de comer três vezes ao dia, o direito de entrar num shopping e comprar uma roupinha, comprar alguma coisa e isso nós vamos garantir”.
É estarrecedor! “Eu não vou diminuir o consumo”. O dele? O de sua família? Será que ele está mesmo convencido que a maior necessidade deste povo é ir passear no shopping e comprar uma roupinha? Comer não é, pois a fome, em seu governo, zerou. Ou não?
Quem será que põe essas coisas na cabeça dele?
Esse tipo de generosidade é deletéria, presidente. O que nós precisamos é de creches, escolas fundamentais e técnicas, hospitais públicos de qualidade, transportes, empregos, segurança pública. Sobretudo, da erradicação total do analfabetismo, vergonha maior do Brasil e matriz de todos os males. O resto, “a roupinha, alguma coisinha no shopping”, vem depois, e virá naturalmente.
Coment:
postado por Júlio às 20:11
 Junho 22, 2008
COLADO DO BLOG DO REINALDO AZEVEDO - 22.06.08
Um texto de João Ubaldo Ribeiro
A pedido de muitos leitores, a reprodução do texto de João Ubaldo Ribeiro no Estadão deste domingo:
Pode ser que ele esteja maluco
Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.
Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes - quase sempre até -, parece que, quando ele fala "neste país", está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.
Tal é a natureza espantosa das declarações dele que sua fama de mentiroso e cínico, corrente entre muitos concidadãos, se revela infundada e maldosa. Ele não seria nem mentiroso nem cínico, pois não é rigorosamente mentiroso quem julga estar dizendo a mais cristalina verdade, nem é cínico quem tem o que outros julgam cara-de-pau, mas só faz agir de acordo com sua boa consciência. Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e aceitar piamente que ele acredita estar dizendo a absoluta verdade.
Talvez haja sinais, como dizem ser comum entre malucos, de uma certa insegurança quanto a tal convicção, porque ele parece procurar evitar ocasiões em que ela seria desmentida. Quando houve o tristemente célebre acidente aéreo em Congonhas, a sensação que se teve foi a de que não tínhamos presidente, pois os presidentes e chefes de governo em todo o mundo, diante de catástrofes como aquela, costumam cumprir o seu dever moral e, mesmo correndo o risco de manifestações hostis, procuram pessoalmente as vítimas ou as pessoas ligadas a elas, para mostrar a solidariedade do país. Reis e rainhas fazem isso, presidentes fazem isso, primeiras-damas fazem isso, premiers fazem isso. Ele não. Talvez tenha preferido beliscar-se para ver ser não estava tendo um pesadelo. Mandou um assessor dizer umas palavrinhas de consolo e somente três dias depois se pronunciou a distância sobre o problema. O Nordeste foi flagelado por inundações trágicas, o Sul assolado por seca sem precedentes, o Rio acometido por uma epidemia de dengue, ele também não deu as caras. E recentemente, segundo li nos jornais, confidenciou a alguém que não compareceria a um evento público do qual agora esqueci, por temer receber as mesmas vaias que marcaram sua presença no Maracanã.
Portanto, como disse Polônio, personagem de Shakespeare, a respeito do príncipe Hamlet, há método em sua loucura. Não é daquelas populares, em que o padecente queima dinheiro (somente o nosso, mas aí não vale) e comete outros atos que só um verdadeiro maluco cometeria. Ele construiu (enfatizo que é apenas uma hipótese, não uma afirmação, porque não sou psiquiatra e longe de mim recomendar a ele que procure um) um universo que não pode ser afetado por cutucadas impertinentes da realidade. Notícia ruim não é com ele, que já tornou célebre sua inabalável agnosia ("não sei de nada, não ouvi nada, não tive participação nenhuma") quanto a fatos negativos. Tudo de bom tem a ver com ele, nada de ruim partilha da mesma condição.
Agora ele anuncia que, antes de deixar o mandato, vai registrar em cartório todas as suas realizações, para que se comprove no futuro que ele foi o maior presidente que já tivemos ou podemos esperar ter. Claro que se elegeu, não revolucionariamente, mas dentro dos limites da ordem (?) jurídica vigente, com base numa série estonteante de promessas mentirosas e bravatas de todos os tipos. Não cumpriu as promessas, virou a casaca, alisou o cabelo, beijou a mão de quem antes julgava merecedor de cadeia e hoje é o presidente favorito dos americanos, chegando mesmo, como já contou, a acordar meio aborrecido e dar um esbregue em Bush. Cadê as famosas reformas, de que ouvimos falar desde que nascemos? Cadê o partido que ia mudar nossos hábitos e práticas políticas para sempre? O que se vê é o que vemos e testemunhamos, não o que ele vê. Mas ele acredita o contrário.
Acredita, inclusive, nas pesquisas que antigamente desdenhava, pois os resultados o desagradavam. Agora não, agora bota fé - e certamente tem razão - depois que comprou, de novo com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos. Não creio que ele se julgue Deus ainda, mas já deve ter como inevitável a canonização e possivelmente não se surpreenderá, se lhe contarem que, no interior do Nordeste, há imagens de São Lula Presidente e que, para seguir velha tradição, uma delas já foi vista chorando. Milagre, milagre, principalmente porque ninguém vai ver o crocodilo por trás da imagem.
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postado por Júlio às 20:41
 Maio 26, 2008
COLADO DO BLOGO DO JOSIAS DE SOUZA-26/05/08
No Senado, honestidade vale mais morta do que viva
No ano da graça de 2001, a presidência do Senado foi disputada à maneira dos caiapós de Altamira: na base do facão.
Disputaram a cadeira o baiano Antonio Carlos Magalhães (PFL, à época) e o paraense Jader Barbalho (PMDB).
Prevaleceu, como se sabe, Jader. Depois, descobriram-se “barbalhidades” que assentaram na história do Senado uma de suas páginas mais funestas.
Poderia ter sido diferente. Sob o ruído rascante dos facões, o senador José Jefferson Carpinteiro Péres (PDT) constituía uma alternativa mansa.
Ofereceu aos colegas o bom nome e a biografia impoluta como opções ao escárnio. Jefferson Péres era chamado, então, de “terceira via”.
O Senado preferiu a via de sempre, a tradicional, a “barbalha”. E arrastou para dentro do plenário as malfeitorias que levariam o Congresso à crise e Jader à renúncia.
Mais tarde, Jefferson Péres viu formar-se à sua frente uma barricada. Ergueu-a o ex-senador Ney Suassuna (PB), na ocasião líder do sempre majoritário PMDB de Jader.
Negaram à correção uma cadeira no Conselho de Ética do Senado. O vetado, em entrevista ao repórter Carlos Marchi, reagiu com o humor que lhe era próprio, corrosivo:
"Eu aceitei com humildade, porque o Suassuna, com seu espírito de modernidade, achou que estou superado, com meus 75 anos. Eu defendo umas teses que não são muito atuais – ética, moral, essas coisas. Para o Suassuna, isso é coisa superada."
Enrolado no escândalo das sanguessugas, Suassuna sucumbiu ao entrincheiramento do eleitor paraibano. Jader foi devolvido ao Congresso pelas urnas do Pará. Voltou rebaixado a deputado. Mas voltou.
Na manhã da última sexta-feira, um infarto apontou para Jefferson Péres (PDT-AM) a última, a inevitável, a inelutável via. O senador foi ao esquife com 76 anos. E converteu-se, aos olhos dos colegas, num santo instantâneo.
Seguiram-se à morte lamentações unânimes. “O Senado perde a sua referência moral”, lamuriaram muitos. “É uma perda irreparável”, choramingaram outros tantos.
No Brasil é assim. O cidadão nasce, cresce e vive sob a pele de homem. Mas fenece como santo. Entre nós, a morte é de uma eficácia promocional hedionda.
Os cemitérios brasileiros são hortas de virtudes. O morto com defeitos é uma utopia. A morte canoniza até os piores canalhas.
No caso de Jefferson Péres, todas as loas são justificáveis. Não era santo. Mas levou para a cova a ventura de ter cruzado o pântano da política incólume.
Em meio à impudência, escreveu uma biografia de decência. Compensava a miudeza do físico com o comportamento graúdo.
Esquivava-se das nomeações políticas. Mantinha a mulher no gabinete, negando a ela o acesso ao salário da Viúva. Não punha a mão em verba de representação. Devolvia os presentes que aportavam sobre sua mesa.
Nas muitas crises do Legislativo –à de Jader sobreveio a de Renan Calheiros— Jefferson Péres nunca foi pilhado em gestos ou intenções suspeitas. Confrontado com tentativas de acobertamento, postava-se do lado dos que queriam arrancar a coberta.
Andava desiludido o senador. Falava em abandonar a vida pública. Havia uma dose de cálculo na fuga anunciada das urnas de 2010. Sabia que não eram negligenciáveis as chances de ser barrado pelo voto.
A morte, em sua nefasta sabedoria, poupou o eleitor amazonense de um desatino. E forçou os colegas do senador a pronunciarem um lote de hosanas que soam como expiação tardia de um pecado imperdoável.
Os senadores enxergam no cadáver de Jefferson Péres virtudes que não foram capazes de valorizar enquanto o virtuoso ainda equilibra-se dentro dos sapatos.
No Senado, a honestidade vale mais morta do que viva, eis a revelação que José Jefferson, carpinteiro de um Péres raro, deixa como legado.
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postado por Júlio às 09:06
 Maio 18, 2008
COLADO DO JORNAL "O ESTADO DE SÃO PAULO" - 18/05/2008
À beira da indicação democrata, Obama prepara o grande salto
Senador, que deve assegurar nomeação na terça-feira, terá de vencer preconceito para chegar à Casa Branca
Patrícia Campos Mello
Um azarão que teve a audácia de desafiar uma das famílias políticas mais poderosas dos EUA, munido de pouco mais de dois anos de experiência no Senado, sobrenome muçulmano e, ainda por cima, pele negra, deve se tornar nesta terça-feira o candidato do Partido Democrata à eleição presidencial. Se vencer a primária de Oregon, como está previsto, Barack Obama deve acumular mais de 1.627 delegados eleitos. Embora não seja o mínimo de 2.025 (que inclui superdelegados), terá nas mãos a maioria dos delegados considerados fundamentais para bater Hillary Clinton e confirmar a indicação.
Obama é dono de uma história que, por muitas razões, dificilmente poderia ter ocorrido na América de décadas atrás. Ele é filho de uma mulher branca do Kansas que se apaixonou por um muçulmano negro do Quênia nos anos 60, em plena era de segregação, quando a maioria dos Estados ainda proibia o casamento inter-racial.
O advogado de 46 anos usa sua biografia multiétnica e multicultural como trunfo para ganhar votos. O primeiro candidato negro à presidência dos EUA tem, porém, muitos obstáculos à frente. Embora não tenha nenhum escândalo ou fato desabonador no currículo, os republicanos o acusam de ser liberal (termo que, nos EUA, significa estar à esquerda do espectro político).
Sua inexperiência em cargos públicos - trabalhou só no Senado de Illinois e pouco mais de dois anos no Congresso - e a possível ingenuidade em política externa são os principais alvos dos republicanos. Ele insiste no discurso da mudança, dizendo não ver problemas em dialogar com governos com os quais a administração Bush não negocia, como Irã, Cuba e Síria. “Obama não tem experiência em política externa - ela se resume a um curso de Relações Internacionais na faculdade e a ter morado fora quando criança”, disse ao Estado Luke Bernstein, diretor do Partido Republicano na Pensilvânia.
Obama tenta mostrar a vantagem de não ter sido corrompido pelos vícios da politicagem. Admitiu, por exemplo, que não teve tempo de aprender todas as regras de Washington, “só o suficiente para saber que precisam mudar”. Também procura diferenciar experiência de bom julgamento - citando o discernimento que teve ao se opor à guerra do Iraque desde o início.
A raça é outro grande obstáculo. Em um país que bancou a segregação oficial durante anos, muitos brancos se recusam a votar em negros, embora ainda seja difícil quantificar esse racismo nas urnas. Os vídeos do pastor de Obama, Jeremiah Wright, dizendo “Deus amaldiçoe a América” estão no ar em anúncios e certamente serão usados à exaustão no segundo semestre. Eles remetem ao ativismo negro que assusta muitos eleitores brancos conservadores.
E o fato de Obama ser considerado um dos senadores mais liberais do Congresso pode tirar-lhe votos. “Muitos eleitores não vão votar em Obama porque ele vai aumentar os impostos, deixar os sindicatos aparelharem Washington e bater papo com tiranos como Mahmud Ahmadinejad, do Irã”, disse o consultor republicano Todd Harris, com o tom exagerado que deve marcar a campanha daqui para frente.
Para outros observadores, os EUA passam por um momento em que tal revolução é possível. “O fato de que 82% dos americanos acreditam que o país está no caminho errado é uma ótima oportunidade de trazer para as urnas pessoas que não votam normalmente para eleger um candidato mais liberal que a média ”, afirma Michael Dawson, especialista em raça e política da Universidade de Chicago.
Para Paul Green, cientista político especializado na política de Chicago, Obama é um mestre do consenso: “Ele avança com a aliança entre negros e brancos ricos ou com educação superior, a mesma que o elegeu para o Senado.” Mas terá de se livrar do estereótipo de elitista - uma ironia, considerando seu passado humilde, filho de mãe solteira que sobreviveu à base de cupons de alimentação - para conquistar o eleitorado branco operário. “Ele precisa ganhar pelo menos parte desse nicho para vencer a eleição”, adverte Dawson.
Parte do fascínio em torno de Obama se deve à sua trajetória multicultural. A mãe de Obama, Stanley Ann Soetoro (Stanley porque o pai dela queria um filho homem), foi uma revolucionária a seu modo. Aos 18 anos, conheceu Barack Hussein Obama na Universidade do Havaí, casou, e teve Barack Hussein Obama. Barack pai era um pastor de cabras no Quênia, que havia ganho uma bolsa de estudos e se tornara o primeiro aluno africano da universidade. Mas o pai de Obama tinha grandes ambições. Deixou a família no Havaí e foi para Harvard fazer doutorado. O casamento não durou. Após o divórcio, em 1964, a mãe de Obama voltou à faculdade para se formar e casou de novo, mais uma vez com um estudante estrangeiro, o indonésio Lolo Soetoro. Do casamento nasceu Maya, irmã de Obama. A família mudou-se para a Indonésia, maior país muçulmano do mundo, quando Obama tinha 6 anos. Ele viveu lá, numa rua de terra e bairro sem luz, até os 10. Voltou ao Havaí para viver com os avós e estudar. Viu seu pai só uma vez, aos 10 anos. O pai teve oito filhos com quatro mulheres. Morreu num acidente de carro em 1982, aos 53 anos.
Para muitos, essa vivência diferenciada rende a Obama uma perspectiva privilegiada para analisar o mundo. “A experiência no exterior lhe dá uma noção de como é a vida real nos outros países, o que é importante para determinar por que alguém vira terrorista”, disse à Newsweek Tony Lake, que foi conselheiro de segurança nacional de Bill Clinton e hoje assessora Obama.
Obama afirma que, como conseqüência de ter vivido na Indonésia e viajado para o Paquistão na juventude, além de ter amigos muçulmanos na faculdade, tinha muito clara na cabeça a rivalidade entre xiitas e sunitas, o que o levou a se opor à guerra do Iraque desde o início.
LÍDER COMUNITÁRIO
Depois da infância e adolescência no Havaí, Obama fez faculdade em Nova York, na prestigiosa Universidade Colúmbia. Daí foi para Chicago, que adotou como lar. Lá conheceu sua mulher, Michelle, encontrou a fé na igreja do reverendo Wright e desenvolveu seu trabalho como líder comunitário em regiões pobres. Saiu de Chicago para cursar Direito em Harvard. Foi o primeiro negro eleito para a presidência da Harvard Law Review, a revista de direito da universidade. Logo depois voltou para Chicago, onde nasceram suas duas filhas, Mahlia (hoje com 9 anos) e Sasha, de 6. Em 1995, escreveu o best seller Dreams of My Father (“Sonhos do meu Pai”). Em 1996, foi eleito para o Senado estadual.
A mãe de Obama foi sua referência por toda a vida. Ela fez doutorado em antropologia, separou-se do marido e viveu anos na Indonésia. Ann morreu de câncer em 1995, aos 52 anos.
Talvez o grande problema de Obama seja satisfazer as expectativas de seus eleitores. Sean Penn, o ator e diretor que é um dos maiores críticos do governo Bush, resumiu esse desafio: “Estou animado pela esperança que Obama inspira. Mas espero que, se eleito, ele esteja ciente do grau de desilusão que causará se não corresponder à expectativa.”
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postado por Júlio às 17:51
 Fevereiro 19, 2008
KIKA
A Kika morreu. Simples a definição de um fim, de uma ida sem volta, do que encerra a existência de um ser vivo. No máximo vem acompanhada de um relato dos motivos ou causas, nada mais, morreu, simples assim. Pensando bem, simples como foi a própria Kika durante doze anos em que por aqui esteve. Simples cadela, simples animal, tão simples que só deu e doou amor indistintamente. Só sabia amar, curtir, agradar, brincar.
Não conhecia as complicações do ódio, do rancor, das mágoas, da ânsia de ter e acumular. Seu perdão dependia apenas de um sinal, nada mais. Alegria não vendia, dava ou no máximo partilhava sem egoísmo. O carinho era sua retribuição por receber um espaço e comida. Não conhecia cobrança, vaidade, luxo, só amor.
Dormir com alguém lhe fazia um bem que retribuía com calor. Se havia uma chance de passar o dia de cama ao lado de um querido nem se lembrava de comer ou beber. Era ali que oferecia sua solidariedade a quem precisava, ao lado, sempre.
Não escolhia comida, ração boa, mais ou menos, qualquer uma estava bem. Embora não escondesse sua predileção pela carne ou um franguinho que amava e em especial a cheirosa e provocante mortadela pela qual abanava sem parar o rabinho acompanhado de um olhar piedoso de só querer um pedacinho, uma rodela.
Comemorava aos latidos o gol transmitido pela tv independente do time que o fizesse. Só lhe importava a vibração do locutor e os gritos na sala, quando haviam. Ao espocar dos fogos respondia com um latido bravo que nunca explicou se alegre ou apavorado. Assim também respondia ao interfone de casa, aí pelo instinto da defesa do que era seu, ou a quem se aproximasse do carro, mesmo que fosse um policial. Manifestava um furioso ciúme de crianças, talvez porque pequenos como ela, talvez por lhe usurparem a atenção que tanto prezava, embora não fosse de atacá-las exceto se provocada ou tocada.
Sua bolinha com cheiro de suja era como uma cria de quem corria atrás para proteger e depois vir mostrar. Se lançada na piscina lá ia a Kika resgatá-la da água sã e salva. Era seu frenesi, seu êxtase que pode lhe ter sido fatal. Não sabia parar, queria brincar, só brincar, quem sabe até morrer. As bexigas também eram uma diversão e tanto enquanto jogava-as para cima com o focinho até estourarem e recolher-se triste num canto.
Muito simples, tão simples na vida que se tornou importante na morte. Sua ausência, a caminha vazia, a coleira pendurada, a vasilha de comida sem nada, tudo toca o imo, tudo lembra e faz pensar. Dá muita saudade seu olhar na janela a esperar. Sua inconfundível e sincera alegria em receber e amar. Saudade da Kika.
“Um dia a humanidade conhecerá o íntimo dos animais. A partir desse dia um crime contra um animal será um crime contra a humanidade”.
(Leonardo Da Vinci- 1452-1519)
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postado por Júlio às 22:55
 Janeiro 22, 2008
COLADO DO BLOG DO NOBLAT - 2201/2008
Enterro em Cuba
Toda a família, em Cuba, surpreendeu-se quando chegou de Miami um ataúde com o cadáver de uma tia muito querida. O corpo estava tão apertado no caixão que o rosto parecia colado no visor de cristal...
Quando abriram o caixão encontraram uma carta, presa na roupa com um alfinete, que dizia assim:
"Queridos Papai e Mamãe:
Estou lhes enviando os restos de tia Josefa para que façam seu enterro em Cuba, como ela queria.
Dsculpem-me por não poder acompanhá-la, mas vocês compreenderão que tive muitos gastos com todas as coisas que, aproveitando as circunstâncias, lhes envio.
Vocês encontrarão, dentro do caixão, sob o corpo, o seguinte:
* 12 latas de atum Bumble Bee;
* 12 frascos de condicionador;
* 12 de xampu Paul Mitchell;
* 12 frascos de Vaselina Intensive Care (Muito boa para a pele. Não serve para cozinhar!);
* 12 tubos de pasta de dente Crest;
* 12 escovas de dente;
* 12 latas de Spam das boas (são espanholas);
* 4 latas de chouriço El Miño.
Repartam com a família, sem brigas!
Nos pés de titia estão um par de tênis Reebok novos, tamanho 39, para o Joselito (é para ele, pois com o cadáver de titio não se mandou nada para ele, e ele ficou amuado).
Sob a cabeça há 4 pares de "popis" novos para os filhos de Antônio, são de cores diferentes (por favor, repito, não briguem!).
A tia está vestida com 15 pulôveres Ralph Lauren. Um é para o Pepito e os demais para seus filhos e netos.
Ela também usa uma dezena de sutians Wonder Bra (meu favorito). Dividam entre as mulheres; também os 20 esmaltes de unhas Revlon que estão nos cantos do caixão.
As três dezenas de calcinhas Victoria's Secret devem ser repartidas entre as minhas sobrinhas e primas. A titia também está vestida com nove calças Docker's e 3 jeans Lee.
Papai, fique com 3 e as outras são para os meninos.
O relógio suíço que papai me pediu está no pulso esquerdo da titia. Ela também está usando o que mamãe pediu (pulseiras, anéis, etc). A gargantilha que titia está usando é para a prima Rebeca, e também os anéis que ela tem nos pés. Os oito pares de meias Chanel que ela veste são para repartir entre as conhecidas e amigas ou, se quiserem, as vendam (por favor, não briguem por causa destas coisas, não briguem).
A dentadura que pusemos na titia é para o vovô, que ainda que não tenha muito o que mastigar, com ela se dará melhor (que ele a use, custa caro).
Os óculos bifocais são para o Alfredito, pois são do mesmo grau que ele usa, e também o chapéu que a tia usa.
Os aparelhos para surdez que ela tem nos ouvidos são para a Carola. Eles não são exatamente os que ela necessita, mas que os use mesmo assim porque são caríssimos.
Os olhos da titia não são dela, são de vidro. Tirem-nos e nas órbitas vão encontrar a corrente de ouro para o Gustavo e o anel de brilhantes para o casamento da Katiuska.
A peruca platinada, com reflexos dourados, que a titia usa também é para a Katiuska, que vai brilhar, linda, em seu casamento.
Com amor, sua filha Carmencita.
PS1: Por favor, arrumem uma roupa para vestir a tia para o enterro e mandem rezar uma missa pelo descanso de sua alma, pois realmente ela ajudou, mesmo depois de morta. Como vocês repararam o caixão é de madeira boa (não dá cupim). Podem desmontá-lo e fazer os pés da cama de mamãe e outros consertos em casa. O vidro do caixão serve para fazer um porta-retrato da fotografia da vovó que está, há anos, precisando de um novo. Com o forro do caixão, que é de cetim branco (US$ 20,99 o metro), Katiuska pode fazer o seu vestido de noiva.
Na alegria destes presentes, não esqueçam de vestir a titia para o enterro!!!
Com amor, Carmencita.
PS2: Com a morte de tia Josefa, tia Blanca caiu doente. Façam os pedidos com moderação. Bicicleta não cabe nem desmontada e carburador de Niva, modelo 1968, aqui ninguem ouviu falar.
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postado por Júlio às 15:26
 Janeiro 14, 2008
COLADO DO BLOG DO NOBLAT - 14.01.08
A nova cara do governo
Façam suas apostas, senhores. Quem vencerá dessa vez?
O PMDB do senador José Sarney (AP), que emplacou o colega Edison Lobão (MA) como ministro das Minas e Energia e quer muito mais? Ou a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, empenhada em manter aliados nos cargos mais estratégicos do setor elétrico? Em jogo, a eleição deste ano e a sucessão de Lula.
São curiosos os argumentos dos que se opõem a invasão pelos bárbaros do ministério reservado a Lobão. Dizem eles: é preciso evitar a interrupção das políticas ali em curso.
Por que seriam suspensas? Não basta que Lula ordene a continuidade delas para que ninguém ouse revogá-las?
Esse governo tem comando ou não tem? Não foi com base em idéias, princípios, valores e pontos de vista comuns que 14 partidos se juntaram um dia para garantir o sucesso do segundo mandato de Lula? Cargo era o que menos importava, lembram?
Alega-se também: o PMDB carece de nomes qualificados para as presidências e diretorias de estatais subordinadas ao ministro das Minas e Energia. Vai pôr políticos em cargos de perfil técnico. E logo quando o país começa a correr o risco de um apagão de energia.
Ora, somente Dilma e o PT dispõem de nomes qualificados? E por que essa gente foi incapaz de prevenir o risco do apagão? Por acaso Lobão entende sequer um pouco de energia? E, no entanto, Lula não com concordou em nomeá-lo esta semana?
Por último: o PMDB é um partido predador. Dê-lhe um ministério rico e com muitos cargos para ver só a lambança que acabará promovendo.
E o PP de Severino (“Quero a diretoria da Petrobrás que fura poço”) Cavalcanti não é um partido predador? No momento o PP exige a “verticalização” dos cargos do Ministério das Cidades. “Verticalização” quer dizer o preenchimento dos cargos de peso do ministério com nomes indicados pelo partido. Seria mais do que razoável. Pois onde muitos mandam poucos obedecem.
Será menos predador o PR do ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, que cobra a nomeação de diretores regionais do bilionário Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transporte?
Nascimento disputou uma vaga no Senado pelo Amazonas. Foi Lula que escalou o suplente, um amigo seu de banhos e de comilanças às margens de rios e igarapés.
Uma vez eleito, Nascimento virou ministro para que o amigo de Lula pudesse virar senador. Caberia acusar Lula de predador da vontade dos eleitores do Amazonas?
Nunca antes na história deste país um presidente da República pareceu dispor de tão ampla base de apoio no Congresso. O Brasil estava obrigado a voltar a crescer a taxas expressivas, proclamavam os construtores da base. E o Programa de Aceleração do Crescimento daria conta do recado.
Celebrou-se ao som de clarins e de muitas tapinhas nas costas o grau de maturidade política dos partidos que renunciavam aos seus interesses mais mesquinhos em nome da governabilidade.
Pois sim! O que era doce está na iminência de se tornar amargo. Ou dá ou desce. Ou o governo cede ou será traído em votações no Congresso.
Que princípios que nada, meus caros. Sem essa de programa de governo concebido em conjunto pelos partidos. O buraco é mais embaixo. E somente uma ambiciosa reforma política poderá tapá-lo no futuro.
O verdadeiro poder está nos municípios. São os prefeitos e vereadores que elegem deputados, senadores e governadores. Haja grana para obras que eles pedem, para forrar seus bolsos e financiar campanhas cada vez mais caras.
Cargos na administração federal servem para empregar afilhados, facilitar a aprovação de emendas ao Orçamento da União e promover licitações regulares e viciadas.
Quem disputa contratos públicos é sensível aos apelos dos que mais necessitam de doações - por dentro ou por fora.
É simples assim. Sempre foi. E Lula, que no passado denunciou a existência de 300 picaretas no Congresso, não se preocupou em tentar reduzir o número deles ou em renovar costumes que apodreceram.
Este é um governo que faz às claras, descaradamente às claras, o que seus antecessores, por hipocrisia ou falso pudor, fizeram às escondidas. Em cartaz, o espetáculo da partilha explícita de cargos.
A eleição municipal está às portas e os partidos à caça de vantagens para enfrentá-la melhor.
É na condição de aspirante à vaga de Lula que reside a força de Dilma, e também a sua fraqueza, para vencer o novo embate com o PMDB. O PT está com ela e não abre.
Se estará em 2010, essa é outra conversa.
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postado por Júlio às 19:42
 Dezembro 23, 2007
COLADO DO BLOG DA LÚCIA HIPÓLITO - 22/12/07
Viva o povo brasileiro!
2007 termina sem grandes fanfarras na área política.
A produção legislativa do Congresso Nacional foi pífia, medíocre mesmo.
Mais ainda: cerca de 75% da produção legislativa de 2007 resultou de projetos emanados do Poder Executivo. Tem sido a regra dos últimos anos
A Medida Provisória está matando o Legislativo brasileiro. Agora, parlamentares aliados já negociam diretamente com o Executivo seus votos em troca de inserção de assuntos de seu interesse nas MPs editadas pelo Planalto.
Ninguém quer mais se dar ao trabalho de lutar por um projeto de lei.
Propostas de emenda constitucional dormem nas gavetas de suas Excelências. Tudo é por MP.
O escândalo Renan Calheiros ofuscou tudo e todos: na mídia, ganhou do início do segundo mandato do presidente Lula.
No Senado, paralisou as atividades normais e expôs a verdadeira bagunça que reina no Senado da República.
Reféns de Renan, ficamos também reféns da CPMF, dois assuntos que ocuparam o ano político.
O trágico acidente da TAM expôs também, além da dor da perda, a fragilidade da atividade regulatória no Brasil. Além do caos absoluto que reina no (des)controle aéreo brasileiro. O desempenho da Anac foi prá lá de patético, foi irresponsável.
Nelson Jobim, que estreou com grande estardalhaço, decepcionou até agora.
Mas nem tudo é má notícia. Os bons ventos da política sopraram do lado da sociedade.
Ao longo do ano, vários institutos de pesquisa divulgaram que a sociedade brasileira é contra o terceiro mandato para o presidente Lula; é contra o fim da reeleição com a instituição de um mandato de cinco anos; é contra o financiamento público de campanha; é contra o voto em lista fechada; foi contra a absolvição de Renan Calheiros; aprovou o fim da CPMF.
Por isso, escolhi para título desta pensata, o título de uma das mais extraordinárias obras da literatura brasileira, de autoria de meu querido amigo João Ubaldo Ribeiro.
“Viva o povo brasileiro!”
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postado por Júlio às 10:07
 Dezembro 13, 2007
COLADO DO BLOG DO NOBLAT - 13/12/07
Artigo do Professor CARLOS MELO
Imprevidência
É possível que a rejeição à CPMF tenha pelo menos o mérito de dar luz a cego, mostrar o óbvio a quem se recusava enxergá-lo. Claro ficou que, no que tange à articulação política -- e provavelmente não apenas a isso --, o governo Lula é mesmo ruim de serviço; beira o desastre. É de uma imprevidência atroz; de apatia descomunal. Nefelibatas da enorme aliança agora perguntarão o que houve. O que houve? Um caminhão de 40 bilhões de toneladas acabou de passar por cima de ti, meu chapa!
Há um ano, a CPMF não era questão política; sequer problema fiscal que causasse controvérsia era. Bem ou mal, o país acostumara-se ao “mau imposto”. Não mereceu maior atenção no debate eleitoral. Um instrumento de 40 bilhões de Reais que, há um ano, sequer uma escaramuçazinha despertou, tão natural seria sua aprovação. Ora vejam!
O tempo passou e a CPMF virou cavalo-de-batalha, questão de honra. Por quê? Apenas pelo prazer de derrotar o governo? Nem tanto assim, nem só por isso. O maior problema foi que, na verdade, muito rapidamente, as relações se esgarçaram; rápida e surpreendentemente, o governo calcinou o capital político e a possibilidade de diálogo que obteve com a vitória de 2006.
Vitorioso nas urnas sem dever nada a ninguém, Lula fez escolhas de primeiro mandato, no segundo. Errou ao construir tão ampla e, pretensamente, esmagadora aliança quanto ineficiente e disfuncional porque ao cabo anularia qualquer intenção programática mais consistente e autônoma que eventualmente tivera.
Ressentido pelo mensalão e atordoado pelos aloprados, parecia não acreditar na liberdade. Intimidou-se, talvez. O fato é que procurou os aliados mais óbvios e inconfiáveis, que adeririam não a projetos ou programas, mas a cargos e benesses. Não percebeu -- quando era tempo -- que os métodos haveriam de dar num governo refém de seu próprio balcão, incapaz de obter o que negocia; viciado na caneta oficial.
Poderia ser diferente: com a oposição nas cordas, era hora de estender as mãos; esquecer a pancadaria; sepultar o adversário do passado. Inaugurar novo método; buscar a sociedade; abrir o debate nacional; propor reformas, a começar pelo sistema político. Obnubilado pelos maus conselhos do bom momento econômico, Lula se omitiu, porém.
Afinal, nada ojeriza mais ao “pragmático” que a tal da “masturbação sociológica” e a maturação de projetos. Pra quê elucubração se é só abrir portas e porteiras, liberar o segredo dos cofres, reabastecer as impressoras do Diário Oficial? A ansiedade e a esperteza põem o foco apenas no projeto eleitoral. Ponto. Optou-se, assim, pelo menos custoso e enganosamente mais rápido: a cooptação despolitizada e fisiológica.
Não tivemos qualquer arremedo programático à exceção de um discutível PAC. Nenhum esforço de concertación de que falava certo ministro; nada de reforma política; necas de mobilizar a sociedade, a inteligência e as forças políticas na direção do consenso daquilo que seria bom e duradouro para o país. Tão cedo, 2010 surgiu como obsessão.
Veio, então, o prenúncio do desastre: a cizânia, a construção da intolerância, a liquidação do diálogo; o predomínio do fortuito e da incompreensão do acaso, num contexto complexo de interações, causas e efeitos, que é preciso controlar. A imprevidência desastrada deixou que o drama se desenrolasse apenas por acreditar que o desastre, por não poder acontecer, não aconteceria. Aconteceu com o Corinthians e se deu com a CPMF. Para Lula, dois enormes revezes em menos de 15 dias.
As reiteradas tentativas de salvar a pele de Renan Calheiros tiveram o poder de azedar relações. Ampliaram espaço para crítica e para vendeta. O governo não apenas calou, foi condescendente e mesmo permissivo com a desordem que se instalava. Os articuladores, boquiabertos, abstiveram-se; a tempo, não enfrentaram Renan, explicando-lhe a história dos tais dedos que ficam e dos anéis que se perdem e que qualquer criança entende. A sopa e o macarrão que se deu ao azar custaram 40 bi!
As dissidências se consolidaram, reuniram-se forças capazes de declarar guerra e, assim, prenunciou-se o acerto de contas.
Agora, os próximos passos: em primeiro lugar, paradoxalmente, ao eleitorado anunciar o caos e acalmar o mercado. Caprichar nas tintas da falta de dinheiro para Estados e Municípios; responsabilizar a oposição – sobretudo o PSDB – pelas tragédias na saúde, pelos problemas das políticas compensatórias; mas, evitar estouros de boiada, elevações de dólares e riscos, o fantasma da inflação. Mudar a mentalidade? Menos provável. Mais plausível que se acirre a guerra, mas com rigorosa política monetária e superávit fiscal. Já se viu que há loucos para tudo, menos para mexer com a DRU.
Ao DEM/PFL cabe comemorar: agiu unificado; não vacilou; hegemonizou os tucanos; foi alçado ao grau de “a” oposição. Ao PSDB, maior desafio: fechar feridas; suavizar a bronca de governadores que ficarão no prejuízo do corte de recursos e obras, além terem sido de cruamente expostos; acalmar senadores que serão cobrados nos Estados e que, é claro, cobrarão o mais pefelista dos tucanos, o líder Arthur Virgílio.
À oposição será atribuída a responsabilidade por todos os males; um exagero malicioso e um erro formal, é claro. Todavia, difícil negar, quem, ao final, cortou recursos e não aceitou apelos os mais sentidos e despojados – que ao final não eram mesmo para ser aceitos. O racional político é o que interessa. No mais, bobagem acreditar que, em ano de eleição, se faça ajustes fiscais mais profundos ou se aperte cintos, como exige a oposição ou faz querer acreditar aos mais inocentes.
Enfim, o óbvio se revelou com todas as cores, algumas sombrias. Não foi falta de aviso. Nos primórdios do PT, um ditado dizia que “Deus protege os bêbados, as crianças e os petistas”. Nem sempre, nem sempre... Deus parece ter mais o que fazer.
Carlos Melo, cientista político, doutor pela PUC-SP, professor de Sociologia e Política do Ibmec São Paulo. Autor de “Collor: o ator e suas circunstâncias” (Editora Novo Conceito). E-mail: carlos.melo@isp.edu.br
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postado por Júlio às 20:51
 Dezembro 7, 2007
VAMOS TENTAR
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postado por Júlio às 21:31
 Novembro 27, 2007
COLADO DO JORNAL "O GLOBO" - 27/11/07
ARTIGO JORNALISTA MIRIAM LEITÃO
Licença para gastar
O presidente Lula cortou a fitinha da nova política fiscal. Está oficializado o tempo da gastança. O governo Lula nunca foi austero, porém, no começo do primeiro mandato, era o tempo da culpa. Os gastos cresciam, mas o Ministério da Fazenda tentava propor limitações — sempre rejeitadas por outros órgãos. Mas, pelo menos, tentava. Agora, o presidente deu a todos licença para gastar.
Toda semana, o site "Contas Abertas" publica uma coluna chamada Carrinho de Compras, mostrando as curiosas encomendas feitas pelos órgãos federais. A última: a Secretaria de Administração da Presidência está comprando uma serra elétrica. É para cortar gesso para fratura. Mas quem será que se engessa tanto na Presidência? Muita gente lá vive quebrando a cara, mas não ao ponto de engessar! Na semana passada, foram dois mil pares de meia. Quantos pés tem a Presidência? A lista de compras exóticas é interminável. Alguns são mais, outros são menos ofensivos ao equilíbrio fiscal ou a coerência das políticas.
O jornalista José Casado, na primeira reportagem da série sobre mordomias, publicada pelo GLOBO, contou uma história emblemática: "Álamo", o presidente Lula, para a segurança, usa um Chevrolet Omega, australiano, bebedor de gasolina (6km/litro). Uma doença típica de Brasília é que todos querem imitar Álamo, quem quer que seja o Álamo da vez. Por isso, o carro está virando onipresente nas frotas oficiais e de lobistas. A contradição ressaltada por Casado: na pátria do biocombustível e do carro flex, o poder prefere um modelo que não economiza combustível fóssil.
Mordomias brasilienses são velhos males do Brasil. A imprensa, de vez em quando, traz instantâneos espantosos do desperdício, do abuso de autoridade, de gastos pessoais pagos com dinheiro público, de carro oficial em compras de família. Alguns governos, depois dessas reportagens, anunciam cortes.
A primeira reportagem feita sobre o tema foi no "Estado de S.Paulo", coordenada por Ricardo Kotscho, em 1976. O governo Geisel vinha tentando cortar gastos. Naquela época, o Brasil tinha 19 ministérios, e isso era motivo de escândalo. Agora tem 37 e, após a reportagem, tudo o que o presidente tem a dizer é que "se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo o dinheiro, seria ótimo". Entre aquele momento e hoje, o número de ministérios aumentou 94%. E o presidente gasta sem culpa, convencido de que está certo.
O presidente Lula está errado. Há cortes de gastos que obrigam administradores a escolher prioridades, a rever rotinas e processos, a racionalizar, a melhorar a administração, a focar no cliente. Foi assim que empresas brasileiras enfrentaram e venceram a competição internacional quando o país abriu sua economia. É assim que vários governantes deixaram sua marca de eficiência. Quando Álamo diz: vamos gastar, isso $um perigoso processo de relaxar qualquer tipo de controle. O que deixará o Brasil ingovernável é a compulsão de gastar sem controle que os governos brasileiros — não apenas o de Lula — têm demonstrado.
No seu último trabalho no Ipea, Fábio Giambiagi mostrou que, há 17 anos, as despesas públicas crescem acima do aumento do PIB. Há 17 anos, as receitas têm que cobrir despesas crescentes; seja tempo de recessão ou de crescimento. O ajuste fiscal aqui foi feito pelo contribuinte: ele mandou mais dinheiro para um Estado gastador. A diferença é que era um gastador envergonhado, que prometia combater o vício. O que o presidente Lula convalidou, nesta entrevista ao GLOBO, no domingo, foi que a farra está instituída, legitimada, e é a única forma de governo. Portanto, caro contribuinte, prepare-se. O governo está se endividando no mercado futuro de aumento da carga tributária.
É inquietante que o presidente Lula não tenha entendido, até agora, no final do quinto ano de governo, a complexidade da questão dos gastos. Ele diz que precisa contratar mais professores para melhorar a educação e mais médicos para melhorar a saúde. Se fosse isso, seria mais simples. O Estado brasileiro precisa contratar mais em várias áreas e reduzir pessoal em outras; precisa aumentar salários em certos níveis, mas, em outros, eles são absurdos. Um jovem procurador, entrando na carreira com salário próximo de R$ 20.000, é evidentemente uma distorção; tanto quanto salários baixos pagos a médicos, por exemplo. A Amazônia precisa de mais cientistas. Os professores brasileiros deveriam ser mais bem treinados para os novos desafios da educação. A elite do funcionalismo ganha 24,5 vezes o salário médio do país (nos Estados Unidos, são 4,4 vezes), enquanto há funcionários ganhando salários irrisórios. Os funcionários públicos continuam se aposentando cedo; o gasto com a previdência pública é absurdo para um país que tem menos de 10% da sua população com mais de 60 anos. Os militares têm um enorme orçamento, e a maior parte vai para inativos. A estrutura do gasto está errada. Seria bom se, a esta altura, o presidente tivesse entendido todo esse drama.
O Estado precisa gastar mais em várias áreas. Como fazer isso se o Estado já tira dos cidadãos 35% do PIB ao ano, ainda dá um déficit nominal de 3% do PIB e todo esse dinheiro não é suficiente para serviços de qualidade? Só pode aumentar os gastos nas áreas certas; quando puder escolher onde cortar.
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postado por Júlio às 10:37
 Novembro 22, 2007
COLADO DO BLOG DO JORN. CLAUDIO HUMBERTO - 22/11/07
“CONTRIBUIÇÃO SINDICAL”
É um eufemismo designar um pagamento obrigatório, correspondente à remuneração de um dia de trabalho de todos os trabalhadores, como “contribuição”. O desconto desse valor do salário de fevereiro de cada ano é imposto aos empregados, logo deveria ser designado como “imposto sindical”.
Discute-se agora se esse imposto deve continuar como tal ou se seria mais correto se fosse voluntário, cada empregado decidindo por si próprio essa contribuição.
Tenho para mim que essa segunda hipótese seria muito mais justa, pois estaria de acordo com o estabelecido na Constituição atual que, em seu Art. 5º, inciso II, determina que “ninguém será obrigado a fazer, ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei”.
Além disso, e para reforçar o argumento, o Inciso V do Art. 8º da Constituição ainda estabelece que “ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato”
Ora, se o trabalhador não é obrigado a se filiar a um sindicato, não há qualquer motivo para que ele seja compelido a pagar uma “contribuição sindical”.
É evidente que os sindicatos são associações; o fato de terem como contribuintes obrigatórios apenas os que laboram em determinada categoria profissional não tem o condão de descaracterizar esse fato.
Por outro lado, os sindicatos passariam a viver com as contribuições espontâneas de seus filiados que, por sua vez, teriam legítimo interesse em prestigiá-los, contrariamente ao que sempre aconteceu, talvez até contribuindo com valores maiores do que os que lhes são confiscados atualmente.
Certamente seriam mais concorridas as assembléias convocadas para a eleição de seus dirigentes, conferindo real autenticidade aos eleitos.
Como também seriam mais legítimas e realmente representativas da opinião dos associados as reivindicações apresentadas aos empregadores.
Comparando, assim como temos e desejamos continuar vivendo sob um regime democrático eleito em eleições livres e diretas, o trabalhador também deve gozar desse direito em sua associação de classe.
Esses dirigentes assim eleitos teriam muito maior autenticidade, não viveriam como nababos; se tentassem faze-lo, com certeza não permaneceriam uma eternidade como diretores do sindicato.
A ditadura getuliana impôs ao Pais a Consolidação das Leis do Trabalho na primeira metade do século passado. Possivelmente era necessário, àquele tempo, existir algum instrumento legal para regular a relação de trabalho; mas haveremos de convir que já se passou suficiente tempo para que essa situação fosse revista.
De nenhuma forma procedem as invectivas de que os “direitos” dos trabalhadores têm que ser preservados rigidamente e que, por isso, deveria haver alguma entidade a defende-los.
A automação industrial, a comunicação via internet, a informática, transformaram o mundo, conseqüentemente também o Brasil, de forma dramática.
Aliás, é anacrônico verificar que em nossa Constituição, aquela que o Deputado Ulysses Guimarães proclamou como sendo a “cidadã”, não haja referência significativa às obrigações do cidadão, tendo todos seus dispositivos relacionados aos “direitos”.
Não há possibilidade de equilíbrio se, a cada “direito” não corresponder uma “obrigação, e vice-versa. Cria-se uma relação capenga, aleijada.
Ao mesmo tempo em que se discute a manutenção (ou não) da Contribuição Sindical, foi incluída nesse debate uma alteração no rateio dos valores arrecadados, que atualmente inclui os próprios sindicatos individuais, as federações estaduais e as confederações nacionais, além do governo federal.
Agora se discute se devem ser incluídas nesse rateio as organizações supra-confederações, tais como a CUT, a Força Sindical e outras. A parcela que caberia a essas entidades seria deduzida da parcela que atualmente é destinada ao Governo Federal.
Mais uma distorção seria introduzida.
Já é um absurdo que o governo receba parte do imposto sindical pago pelos trabalhadores. É tolerável que parte do que os trabalhadores pagam sirva para sustento financeiro das Federações e das Confederações. È indecoroso que uma parte dessa arrecadação se destine ao governo federal. E é completa e absurdamente errado que parte dessa dinheirama sirva para financiar as entidades supra-sindicais, com as quais os trabalhadores não têm qualquer contato.
Finalmente, já que estou escrevendo sobre sindicatos, uma pergunta: como pode ser justo considerar como pertencendo à mesma categoria (metalúrgico, no caso), o empregado de u’a montadora de automóveis e o empregado de uma pequena oficina de fundo de quintal ?
Peter Wilm Rosenfeld
pwrosen@uol.com.br
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postado por Júlio às 11:45
 Novembro 21, 2007
COLADO DO JORNAL "O GLOBO" - 21/11/07
ARTIGO JORNALISTA MIRIAM LEITÃO
Tempos difíceis
Quando o e-mail circulou no Ipea convidando para um almoço de despedida dos quatro economistas afastados do órgão, ninguém achava que tanta gente compareceria. Para lá foram, inclusive, pessoas que discordam dos expurgados, mas discordam muito mais do expurgo em si. O afastamento é a parte mais visível do festival de obscurantismo e maus modos que atacou o instituto de pesquisa do governo.
Marcio Pochmann é o terceiro presidente do Ipea do governo Lula. É o primeiro a usar os métodos que usa. No instituto, todo mundo acha normal que uma nova direção troque diretores, tire DAS, faça suas escolhas. Mas a nova direção está encurralando quem pensa diferente, com exonerações, expurgos, retirada de dinheiro de pesquisa, interrupção de trabalhos em andamento, suspensão de convênios e o que é pior: tenta legitimar tudo o que faz levantando uma suspeita de que existia antes algo "irregular". Os convênios com a Anpec, por exemplo, sempre foram a ligação do Ipea com todos os cursos de pós-graduação do país. O Ipea vive em regime de intervenção. O clima está "indigesto", define um dos vários economistas com quem a coluna conversou. A produção caiu, estudos foram interrompidos, há pessoas valiosas fazendo as malas, como o Ricardo Paes de Barros, considerado, dentro e fora do instituto, um gênio.
No dia da posse, Pochmann encontrou Regis Bonelli e disse:
— Professor, já te conheço de nome, espero continuar contando com a sua ajuda.
Bonelli é aposentado do Ipea, mas há anos tem feito trabalhos eventuais para o instituto. Não recebia salário. Recebia por contratos de pesquisa específicos. Estava, naquele momento, terminando um texto sobre o "Estado e o Desenvolvimento" para o novo número de "O Estado de uma Nação". O texto que entregou criticava os gastos públicos mostrando que eles não têm levado a mais desenvolvimento. Analisou 10 anos para não ser visto como crítica a um governo, mas ao Estado gastador. Não agradou. Nem esse, nem qualquer outro estudo.
O "Estado de uma Nação" foi criado no atual governo e seu objetivo é agregar o resultado das novas pesquisas do Ipea e incluir idéias surgidas fora do instituto. Quando estava quase tudo pronto, o economista Paulo Tafner foi avisado por um telefonema que estava exonerado do cargo de editor. Outra revista mais acadêmica, "Pesquisa e Planejamento Econômico", recebeu também informação de que terá novo editor.
Na semana passada, Bonelli foi chamado à sala de João Sicsú. Lá estava não o titular do cargo, mas seu assistente, Renault Michel. E o diálogo foi curioso.
— Quero lhe agradecer o trabalho que o senhor sempre fez no Ipea.
— Fiz não, ainda faço.
— O senhor fez várias coisas boas. Aliás, a única coisa boa que o Malan fez aqui foram os trabalhos com o senhor. Mas agora queremos corrigir umas irregularidades.
— Eu não faço nenhuma irregularidade e, se você quiser a minha sala, basta me avisar.
Que alguma coisa esquisita tinha começado a acontecer até os corredores do Ipea descobriram em abril, quando dois assessores do senador Marcelo Crivella entraram no prédio, pediram para falar com a diretoria de recursos humanos. Queriam saber quantos DAS tinha o Ipea.
O novo diretor do Rio é o primeiro de fora da carreira que assume o posto. Mas isso não é o relevante. O esquisito é a maneira como essa direção lida com as pessoas que estão no instituto há décadas. Ele convocou todos para sua posse. Chegou uma hora e meia atrasado, ficou alguns minutos e foi embora. O breve discurso, para uma platéia de mestres e doutores, foi patético:
— Meu nome é Sicsú. Sic-sú! O dever de casa de todos é aprender como se pronuncia o meu nome. Se quiserem alguma coisa comigo, a senha é professor. Me chamem de professor.
O "professor" tem estado muito ausente, não comparece aos seminários da casa, quase não recebe quem pede para conversar. A não ser para conversas tensas, como a que teve com Fábio Giambiagi, quando ele foi perguntar se o convênio com o BNDES seria mantido. Nela, ele não respondeu a pergunta direta. Depois é que a notícia circulou.
O convênio com o BNDES era um grande negócio para o Ipea. Por ele, o instituto tinha dois excelentes economistas, Fábio e Otávio Tourinho, sem gastar um tostão. O pretexto para afastá-los foi ridículo: de que se quer estudar "agora" o longo prazo. Mas é exatamente o que os dois sempre fizeram, como no caso dos estudos sobre previdência. Com Gervásio Rezende e Regis, o Ipea também não tinha gastos e tinha a vantagem de contar com a maturidade dos economistas. Regis Bonelli, há anos, ajuda a formação dos jovens que entram no instituto.
O esquisito é que não é uma perseguição ideológica a inimigos da política econômica. Na verdade, parece o oposto. Michel e Sicsú têm publicado artigos contra a política monetária e a política cambial. O pensamento vivo da turma pode ser resumido: eles são contra o Banco Central e a favor da gastança. Alguns dos argumentos que usam são constrangedores, pelo que revelam de desconhecimento de teoria econômica.
O ministro Mangabeira Unger avisou na posse que iria "organizar o dissenso". Está organizando o obscurantismo. Quando a notícia do expurgo chegou aos jornais, Pochmann reagiu: "Deve ser coisa orquestrada." Essa reação é um clássico do autoritarismo. A mistura de obscurantismo e autoritarismo é um filme muito velho, que o Ipea, nascido numa ditadura militar, não pensou que veria, aos 43 anos, e em plena democracia.
Transcrito de O Globo de 21/11/2007
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postado por Júlio às 11:39
 Novembro 19, 2007
Artigo de Clóvis Rossi hoje na "Folha" :
Vale para Chávez, vale para Lula
SÃO PAULO - Depois que Luiz Inácio Lula da Silva decretou que era "bravata" tudo o que passou a vida dizendo quando estava na oposição, o bom senso recomenda que se tomem com pinças todas as suas declarações. Podem ser desclassificadas depois, ao sabor das conveniências. É o que acaba de ocorrer com a sua tese -de resto correta- de que é "brincar com a democracia" a tentativa de seus bajuladores no PT de forçar um terceiro mandato.
Todas as declarações que Lula fez anteontem a propósito dos esforços de seu amigo Hugo Chávez para perpetuar-se no poder servem, à perfeição, para o próprio Lula.
Se ninguém reclamou de que François Mitterrand, por exemplo, ficou 14 anos na Presidência da França, por que deveria reclamar se Luiz Inácio Lula da Silva ficar 12 anos na Presidência do Brasil (ou 16 ou 20 ou até morrer)?
Claro que o argumento parte de uma premissa falsa. Mitterrand não mudou as regras do jogo com ele em andamento para permanecer 14 anos no Eliseu. A regra era um mandato de sete anos com direito à reeleição. Ponto.
Se também ninguém reclamou por Felipe González ter ficado 14 anos como presidente do governo espanhol, ninguém deveria reclamar se Lula ficar um pouco mais ou um pouco menos, certo?
De novo, a premissa é falsa. A regra do jogo na Espanha é o parlamentarismo que pressupõe, sim, reeleições indefinidas, mas com a hipótese de um voto de desconfiança derrubar o governante até no primeiro ano, sem qualquer trauma, o que não acontece no regime presidencialista.
Ao contrário do que diz Lula, o problema não é "a continuidade". É, entre tantos outros, mudar a regra do jogo depois de ter jurado defendê-la. Mas, como se viu desde que renegou todas as "bravatas" de oposicionista, desdizer o que disse não é problema para Lula.
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postado por Júlio às 15:04
 Novembro 14, 2007
COLADO DO BLOG - SERJÃO COMENTA DO CÉU - 14/11/07
Jobim chamou Doutor Mercado. Tarde demais.
É sempre assim, nunca falha. Quando um burocrata é muito incompetente para resolver um problema entrega-o aos cuidados do Dr. Mercado. Ele é odiado por todos de Bananópolis, um lugar mais chegado a um paternalismozinho estatal. Dizem que o nobre médico segue a escola liberal reacionária. Acusam-no de insensível e cruel. Mas não tem jeito. Quando a coisa aperta, o paciente está quase morto, ele é chamado praticamente para assinar o óbito do doente. Péssima fama tem o Dr Mercado. Aqui, é para isso mesmo que ele existe. Para ser satanizado e servir de bode expiatório para todas as cagadas dos esquerdistas que gerenciam Bananópolis. O problema é que, ao contrário do que a esquerda propaga, Doutor Mercado é um ótimo médico. Só que sempre é chamado na hora errada.
Desta vez quem pede seus préstimos é Nélson “sucuri” Jobim para o problema da BRA. Incapaz de ser resolvido pelo modelo estado-gigante que temos, a solução cabe a Dr, Mercado. É ele que é acionado para dar uma solução...”de mercado”. Ou seja, 1100 trabalhadores vão para a rua e todos os passageiros, que confiaram numa empresa que deveria ser fiscalizada pelo estado brasileiro, que se estrepem com seus bilhetes comprados. É o Doutor Mercado que recomenda esta solução. Pobre médico. Somente é lembrado pelos políticos quando eles se transformam em liberais. Por que diabos ele não é acionado para agir preventivamente? Se fosse assim, não haveria o maldito duopólio no setor aéreo brasileiro. A malha aeroviária seria aberta às companhias aéreas estrangeiras, com a população, alvo prioritário do Dr Mercado, sendo muito melhor servida. Os que atrasam vôos, os que só oferecem biscoito goiabinha, os que operam aeronaves com problemas mecânicos, os que têm fama de low-cost mas na realidade cobram preços internacionais, os que MATAM SEUS PASSAGEIROS, todos estes estariam fritos na mão do implacável médico que as mataria com uma injeção letal. Com Doutor Mercado, não tem “vem cá meu bem”. Só os competentes merecem sobreviver e nem adianta espernear com nacionalismo chinfrim. Claro que tudo isso sempre fiscalizado por uma agência reguladora (Dr Mercado aprecia o modelo) sem apadrinhados que defendam justamente os interesses dos atores que deveriam fiscalizar. Ademais, segundo o Tratado de Medicina Liberal do prezado doutor, a INFRAERO, esta vergonha nacional, chiqueiro onde chafurdam políticos corruptos, já estaria privatizada há muito tempo, sendo operada por pessoal qualificado e competente. Simples, não?
Mas se é assim, por que raios a receita do Doutor Mercado nunca é cumprida? É óbvio: justamente por que este é o modelo que é conveniente aos políticos dirigentes de Bananópolis. Como as coisas estão, é uma beleza. Há estatais onde apadrinhar correligionários; onde superfaturar obras; há um duopólio que permite uma imensa troca de favores de todo o tipo (Alô Nenê...um abração para o Roriz, hein...). Tudo isso com a cínica e esfarrapada desculpa do nacionalismo e do estratégico. Afinal o apagão é nosso, não é mesmo? Claro que não estão ligando a mínima para os que sofrem em aeroportos. Por que se importariam se este modelo é tão interessante e boa parte deles só viaja de avião da FAB?
Ah, sim. De vez em quando cai um avião matando todos os passageiros. Mas isso para eles é bobagem.
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postado por Júlio às 12:57
COLADO DO "JORNAL DO BRASIL ON LINE" - 14/11/07
-JORNALISTA AUGUSTO NUNES-
Aja ou saia. Faça ou vá embora
Como um piloto de caça que, excitado pela iminência do combate, começa a subir aos céus ainda na metade da pista do porta-aviões, Nelson Jobim decolou já no quinto parágrafo do discurso de posse. Até então, o substituto de Waldir Pires no Ministério da Defesa justificara a fama de gaúcho sabido com a evocação de episódios protagonizados por nomes de rodovias, ruas e avenidas - dom Pedro II, Zacharias de Goes e Vasconcellos ou Benjamin Constant, por exemplo. A aula de história foi encerrada com o mandamento atribuído a Benjamin Disraeli, duas vezes primeiro-ministro do império britânico no fim do século 19.
"Never complain, never explain, never apologise", caprichou Jobim. Caridoso com os muitos monoglotas na platéia, repetiu na língua nativa a lição em inglês: "Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe", traduziu. Foi a senha para que o controle do manche passasse às mãos do novo gerente-geral do apagão aéreo. "Aja ou saia, faça ou vá embora", arremeteu espetacularmente o comandante Jobim.
A ameaça causaria forte impressão mesmo se gaguejada por um candidato a vereador de grotão. Formulada pela figura com mais de 100 quilos esparramados por quase 2 metros, transformou-se num ultimato tremendo, prelúdio da contra-ofensiva reclamada pelo país desde outubro de 2006, quando se escancarou o colapso da aviação civil.
"Grande escolha", cumprimentou-se Lula. Marco Aurélio Garcia escondeu-se no banheiro para endereçar à turma do contra outro formidável top-top-top. A trovoada no coração do poder ultrapassou os limites do Planalto. Andorinhas voaram de costas, urubus ficaram brancos de medo. Romário se enganara, animaram-se multidões de flagelados dos aeroportos. O cara não era ele. O cara era Jobim.
Era nada, não demoraram a perceber todos os brasileiros com mais de cinco neurônios. O escolhido por Lula assumira o cargo com uma lista de condenados à degola, um balaio de candidatos a empregos federais e nenhum plano consistente na cabeça. Quase cinco meses depois do discurso feroz, a Anac e a Infraero continuam à deriva. Não foi sequer montada a equipe incumbida da execução de um conjunto de medidas ainda em gestação.
Enquanto o apagão comemora o primeiro aniversário, um Jobim carrancudo repete com a voz abaritonada o que o sorridente antecessor apenas miava. "A crise vai durar mais um ano", vaticinou Waldir Pires em março. "Os problemas não terminarão antes da baixa temporada", retocou recentemente o sucessor. A baixa temporada começa em março.
"Não é culpa do governo", sussurrou Waldir depois da explosão do avião da TAM. "Não é problema do governo", inocentou-se Jobim depois da implosão da BRA. A procissão de dissabores afetou a memória do ministro. Ele já não se lembra do terceiro aeroporto em São Paulo, do terceiro terminal de Cumbica, das mudanças imploradas por Congonhas. E parece ter esquecido até a lição de Disraeli.
Vive se queixando das carências que infestam o universo do transporte aéreo. Tenta diariamente explicar o inexplicável. Pede desculpas antecipadas pelo que ocorrerá nos aeroportos neste fim de ano. Exausto, o país do apagão espera que o passageiro da amnésia trate de agir.
Aja ou saia, ministro Jobim. Faça ou vá embora.
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postado por Júlio às 10:22
 Novembro 9, 2007
EDITORIAL DO JORNAL "O ESTADO DE SÃO PAULO"-09/11/2007
O gás que não vai faltar
Só quem assistiu ao evento in loco, ou pela TV, pôde ter a exata medida do grau de exaltação, próximo da apoplexia, com que o presidente Lula reagiu, em discurso no Palácio do Planalto, na quarta-feira, àqueles que falaram em crise, quando, como ele disse, “aconteceu um probleminha de gás no Rio de Janeiro”. “Ah! acabou a energia no mundo”, esbravejou ele de olhos esbugalhados como se estivesse respondendo a um insulto, para concluir dizendo que não acabou e “este país já tem energia garantida até 2012”.
Não tem - e o contraste entre essa realidade e os tão freqüentes pronunciamentos presidenciais, marcados pelo triunfalismo ficcional, torna ainda mais estranha a extrema veemência com que ele se manifestou. Como se a ênfase, o arroubo, os olhos arregalados e o dedo em riste pudessem por um passe de mágica transformar situações sumamente inquietantes em cenários edênicos. Falando de improviso, Lula assegurou (o verbo é dele) “que o governo vai muito bem, o Brasil vai muito bem e está bem gerenciado”.
É verdade que o Brasil vai muito bem. Graças, no entanto, muito menos à qualidade do gerenciamento das questões inerentes à agenda administrativa do País do que aos ventos excepcionalmente favoráveis da economia globalizada na sua presente quadra - os quais, por sinal, ameaçam se transformar no seu contrário, em razão da mais recente crise bancária nos Estados Unidos, do petróleo a US$ 100 e da queda incontida da cotação da moeda americana.
E se há um setor em que o governo vai muito mal e o Brasil está mal gerenciado é precisamente o da energia. A exemplo do apagão aéreo, fruto da generalizada falta de “mão-de-obra qualificada” no governo petista, o risco, que é real, de um apagão não se dissipará a golpes oratórios com gesticulação estudada.
Só pode piorar as coisas a tentativa do presidente Lula de varrer para debaixo do tapete o alerta vermelho que foi, há poucos dias, o “probleminha de gás” a que ele se referiu, desdenhosamente, no seu lamentável improviso de anteontem, aludindo à decisão da Petrobrás, suspensa por liminar, de não aumentar o suprimento do produto para o Rio de Janeiro, para abastecer com ele as termoelétricas movidas a esse insumo. Escaldados, os agentes econômicos não se deixam engambelar pela retórica lulista - e buscam soluções próprias para a crise anunciada.
Outro disparate do improviso de Lula é sua reclamação de que “tem muita gente dando palpite no gerenciamento do governo”. Em primeiro lugar, dar palpite no gerenciamento do governo é exercício de cidadania e função principal da imprensa. Por isso, a estocada obviamente dirigida a ela tem o mesmo nível da sua impagável comparação entre o jogo bruto de Chávez para se eternizar no poder e as sucessivas reeleições dos ex-primeiros-ministros Margareth Thatcher e Helmut Kohl, normais em regimes parlamentaristas. Em vez de levar a sério as críticas, ainda que não desse o braço a torcer em público, quando tenta reduzi-las ao que não são - palpites -, ele apenas reforça as preocupações de todos quantos conhecem a distância entre os problemas objetivos de que cinco anos de lulismo não deram conta e os discursos do cotidiano presidencial.
“Nós vamos descobrir os gases (sic) que precisamos descobrir”, profetizou ele em dado momento, “ou vamos comprar o gás que precisar comprar”. “Vamos descobrir” graças à força do pensamento positivo? E “vamos comprar” de quem? Da Rússia, no outro lado do mundo? E a que preço? Por via das dúvidas, a Petrobrás está anunciando um aumento de até 25% no preço do gás.
A colisão frontal entre a realidade implacável e a fantasia presidencial está na cara, como se diz, na justaposição de dois títulos numa página da edição de ontem do jornal Valor. O de baixo enuncia: “Lula afirma que Brasil tem energia garantida até 2012.” O de cima resume um texto que mostra por que não existe essa garantia: “Petrobrás não cumpriu metas de expansão.” Citando dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) até setembro, o texto que se segue informa que a oferta de gás natural brasileiro este ano ficou aquém não só da marca de 2006 (queda de 3,4%), mas também das metas estabelecidas no plano estratégico da empresa (menos 22%, a se manter a tendência).
Por enquanto só está garantido que não faltará gás para a oratória de Lula.
EDITORIAL ESTADÃO
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postado por Júlio às 10:32
 Novembro 3, 2007
COLADO DO BLOG DO JOSIAS DE SOUZA - 03/11/07
Fernando Gabeira desabafa: ‘Também fui brasileiro’
Vai abaixo artigo do repórter e deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) veiculado na Folha.
“Há um verso de Drummond que diz: ‘Também sou brasileiro, moreno como vocês’. Continuo moreno, mas às vezes duvido se sou mesmo brasileiro. Talvez pelos longos anos de exílio, ou pela ausência de um equipamento mental adequado, o fato é que fico perplexo no momento em que todos parecem eufóricos.
Acho estranho que governo e oposição briguem tanto em torno das verbas de saúde e sejam tão unanimemente festivos quando se comprometem a gastar com futebol. Não condeno gastos com a Copa, apenas lamento que essa ruidosa concordância não se dê em torno de outros temas essenciais.
Mais curioso ainda é o deslocamento de governadores para Zurique. Será que nenhum deles tinha algo mais importante a fazer? Em outras palavras: nenhum deles teve a coragem de dizer aos seus eleitores que a viagem, em termos de custo-benefício, não compensava?
Com tantos aspones, marqueteiros e puxa-sacos, certamente pesaram seus passos e acharam que sim, compensava, em termos eleitorais, participar da caravana internacional. Sempre nos acusam de espírito de vira-latas quando criticamos esse espalhafato. Mas não seria espírito de vira-lata toda essa ansiedade e oba-oba quando somos candidatos únicos? E essa história de escritores com metáforas duvidosas, essa mania de aplaudir entrevista coletiva, como fizeram como a de Ricardo Teixeira?
Será que os aspones acham que impressionam os repórteres? Teixeira usou na entrevista um recurso, momentaneamente, típico no Brasil. Questionado sobre a violência, afirmou que ela existe também nos EUA e na Inglaterra. Tirem EUA e Inglaterra e coloquem "governo passado" e terão a fórmula mágica.
Pior que, na caravana, estavam governo presente, passado e, possivelmente, futuro. Lembro-me de que, quando jovem repórter, fiz, numa coletiva em Portugal, pergunta sobre a ambigüidade brasileira na ONU em relação à independência dos países africanos. O então chanceler Juracy Magalhães respondeu irritado: como é possível torcer contra o Brasil? Considerava as dúvidas como antibrasileiras.
Quando todos celebravam, amargava minhas dúvidas, não sobre a Copa, mas sobre essa trajetória de provincianos ruidosos em Zurique. Entre aplaudir a entrevista de Ricardo Teixeira e vaiar até minuto de silêncio, há margem de manobra. Continuarei vaiando os governos do passado, do presente e do futuro próximo. Certamente vão perguntar: como é possível torcer contra o Brasil? De certa forma, é minha especialidade. Se ser brasileiro é isso, não contem comigo.”
Escrito por Josias de Souza às 15h53
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postado por Júlio às 19:10
 Outubro 31, 2007
O ESPETÁCULO DOS BOCÓS
Aconteceu hoje na Suíça, um dos países símbolo da civilidade no mundo, um espetáculo que me encheu de vergonha de ser brasileiro. Um espetáculo só mesmo possível existir se promovido por brasileiros. Um presidente bocó, acompanhado por ministros bocós e rodeado por meia dúzia de governadores de estado igualmente bocós. Mais, um treinador bocó, um escritor bocó e um jogador de futebol tão bocó que ao tentar alinhavar meia dúzia de palavras decoradas deu saudades dos tempos em que só jogava bola.
O espetáculo, aberto pelo presidente bocó da CBF mais parecido com o Fred Flinstone, foi iniciado com a exibição de um vídeo daqueles em que as imagens atuais dos estádios de futebol vão se transformando digitalmente em obras-primas da arquitetura moderna sem o menor constrangimento por sabermos todos que somos um país miserável e que ninguém ali sabe de onde sairá o dinheiro para a transformação. Em seguida falou o governador bocó do Amazonas misturando preocupações ecológicas, promessas de obras caríssimas num tom ufanista que só mesmo bocós são capazes de produzir. Veio o maior autor bocó brasileiro e tratou de fazer suas graças comparando futebol a sexo como se fossem correlatos. O bocó mor que preside a FIFA, com aquela cara de espanhol dono de empório, ficou uns 10 minutos com um envelope nas mãos, lacrado, a falar um monte de bobagens, apontar o dedo para a platéia de bocós brasileiros como se fosse um professor, lembrando que não era um privilégio, mas uma responsabilidade do Brasil organizar a Copa do Mundo. Afinal, abriu o envelope e surgiu a grande surpresa que já se conhecia há meses pela candidatura única, o BRAZIL fará a Copa do Mundo.
Seguiu-se à risca o protocolo bocó, o presidente com aquele tom de Nero se fartando entre as carnes e os vinhos a falar como se fosse qualquer coisa menos um presidente da república, com piadinhas sem graça e ironias fora de hora. Recebeu a taça das mãos do outro e começou diante das câmeras de televisão ao vivo a promover fotografias com tantos quantos se chegavam para a pose. Tudo rigorosamente dentro do mais bocó dos padrões. Minha vergonha não foi maior porque estou certo que ninguém no mundo perdeu tempo diante da televisão para assistir a uma coisa ridícula daquelas, exceto nós que no fim somos todos mesmo uns bocós.
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postado por Júlio às 00:05
 Outubro 30, 2007
COLADO DO BLOG DA LÚCIA HIPÓLITO - 29/10/07
Polêmica do terceiro mandato
O presidente Lula, toda vez em que é perguntado, rechaça a hipótese de disputar um terceiro mandato
Declara que não é bom para a democracia, nem para o país nem para ele.
Quanto à profissão de fé na democracia, não há por que não acreditar na palavra do presidente da República.
Mas as propostas para possibilitar um terceiro mandato estão aparecendo e poderão ser apresentadas no Congresso.
Uma delas, de um deputado petista (surpresa!), propõe que o Congresso convoque um plebiscito junto com as eleições municipais de 2008, perguntando ao eleitorado se é a favor de um terceiro mandato.
Outra proposta, de um deputado do PTC, é uma emenda constitucional prorrogando por um ano os mandatos do Executivo federal, estaduais e municipais, permitindo ao presidente disputar um terceiro mandato.
Sabendo-se do poder do presidente Lula sobre o Partido dos Trabalhadores, é de se perguntar por que ele não dá ordens para a turma parar com isso.
O temor de boa parte da oposição, de que vem aí o terceiro mandato, baseia-se em alguns elementos concretos.
Primeiro, ainda não apareceu um candidato natural da coalizão que se construiu em torno de Lula. Por mais que o presidente se declare encantado com a ministra Dilma Roussef, ela tem “cintura dura”.
Ainda está muito verde, ainda tem que mostrar serviço quanto às obras do PAC, e não é nada simpática. Nada mesmo.
Resultado: candidata muito pesada. Ruim de carregar.
Segundo, o presidente nada de braçada numa popularidade nunca vista neste país.
Se a economia finalmente deslanchar, se o país atingir patamares mais robustos de crescimento, Lula terminará o governo como o presidente mais popular da História.
Mas o que fazer com essa popularidade toda?
Terceiro, a máquina pública brasileira foi praticamente tomada por petistas, sindicalistas e militantes de movimentos sociais, com salários muito mais altos do que aqueles a que estavam habituados.
Esses “companheiros”, que não vão largar o osso sem estrilar muito, seriam os principais cabos eleitorais da idéia do terceiro mandato.
Quarto, o Bolsa-Família, que já atinge 25% das famílias brasileiras, deverá ser estendido, consolidando-se como a mais formidável máquina de fabricar votos de que se tem notícia.
Quarto, a oposição, como sempre, perde-se em lutas internas, tem excesso de candidatos, mas não tem voto, briga antes da hora. Muito cacique e pouco índio.
Se continuarem cometendo os mesmos erros, vão perder novamente.
E para completar, há o ambiente externo. Desde que o mundo é mundo, que a política vive em “ondas”.
Onda de ditaduras militares na América Latina, onda de governos conservadores na Europa, depois onda de governos de esquerda, e por aí vai.
A conjuntura atual, ao menos na América Latina, está consolidando uma onda de governos populistas, mais ou menos autoritários, mas certamente continuístas.
Esta onda favorece a hipótese de um terceiro mandato para o presidente Lula.
De mais a mais, qual é o governante que não quer permanecer no poder?
Quando apareceu a oportunidade, Fernando Henrique aprovou a reeleição, inclusive em benefício próprio.
Por que o presidente Lula, tão popular, tão convencido de que o seu é o melhor governo brasileiro desde Pedro Álvares Cabral, um governante com a auto-estima nas nuvens e que gosta tanto de desfrutar os requintes e as benesses do poder, vai abrir mão de mais um mandato (ou dois, ou três)?
Não parece lógico. Mesmo que não queira, Lula pode aceitar, “docemente constrangido”.
Afinal, o presidente sempre se declarou contrário à reeleição, mas também declarou que “as circunstâncias políticas” o obrigaram a concorrer a um segundo mandato.
Portanto, novas “circunstâncias políticas” (o que quer que isto signifique) podem obrigá-lo novamente.
Tudo isto vai ficar mais claro assim que terminar a votação da CPMF no Senado.
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postado por Júlio às 00:30
 Outubro 24, 2007
COLADO DO JORNAL "O GLOBO" DE 24/10/07
Você tem inveja?
ROBERTO DaMATTA
A inveja é um sentimento básico no Brasil. Está para nascer um brasileiro sem inveja. A coisa é tão forte que falamos em “ter” — em vez de “sentir” — inveja. Outros seres humanos e povos sentem inveja (um sentimento entre outros), mas nós somos por ela possuídos.
Tomados pela conjunção perversa e humana de ódio e desgosto, promovidos justamente pelo sucesso alheio. Nosso problema é o sujeito do lado, rico e famoso, que esbanja reformando a casa, comprando automóveis importados e dando “aquelas festas de tremendo mau gosto!”. Ou é o sujeito brilhante que — estamos convencidos — “tira” (rouba, apaga, represa, impede) a nossa chance de fulgurar naquela região além do céu, pois, residindo no nirvana social dos poderosos (mesmo quando são cínicos e fracos), dos ricos (mesmo quando pobres e sofredores), dos belos (mesmo quando são feios). dos famosos (mesmo quando são fruto promocional de revistas e jornais), e dos elegantes (mesmo quando são cafonas), estariam acima de todas as circunstâncias. Estou seguro de que não é o patriotismo, mas a inveja, o sentimento básico de nossa vida coletiva. Para começar a gostar do Brasil, tínhamos que invejar a França, a Inglaterra, a Rússia, a Alemanha, a Itália e os Estados Unidos.
Era, sem dúvida, a inveja que nos fazia torcer pela queda do Brasil no tal abismo de onde ele sairia melhor do que todo mundo. Antes do sexo, o brasileiro tem inveja. Ela antecede a sensualidade e o erotismo, sendo básica na formação de nossa identidade pessoal. Você sabe quem é, leitor, pela inveja que sente todas as vezes que encontra o tal “alguém” que, pela relação invejosa, faz você se sentir um bosta: um “ninguém”.
Como as nuvens em volta das montanhas, a inveja se adensa em torno de quem é visto como importante, de modo que ser invejado é equivalente a “ter poder”, “charme”, “prestígio” e “riqueza”.
Dizem que a inveja é perigosa, mas o fato concreto é que não há brasileiro que não goste de ser invejado por alguma coisa. Pelo salário, pelo poder, pela beleza, pelo sucesso, pela inteligência e até mesmo pelas sacanagens, injustiças, calúnias e descalabros que comete. Num seminário recente sobre “Ética e corrupção”, eu disse que é justamente a vontade de ser invejado que descobre os corruptos. Pois, diferentemente dos ladrões de outros países, que roubam e somem no mundo, os nossos são forçados pela “lei relacional da inveja” a retornar ao lugar natal para mostrar aos seus parentes, amigos e, acima de tudo, inimigos, como estão ricos e, nisso, são denunciados, presos, soltos e, finalmente, colocados no panteão cada vez mais extenso dos canalhas nacionais.
Dos infames que comprovam como a inveja e o desejo de ser invejado são o motor da vida brasileira. Minha tese é a de que até a canalhice é invejada no Brasil. Richard Moneygrand, o grande brasilianista, escreveu no seu diário filosófico, “Voyage into Brazil”, que: “Para os brasileiros, um dia sem inveja é um dia sem luz. A inveja confirma a idéia nacional do sucesso para poucos, como antes confirmava o berço e o sangue para a aristocracia e a superioridade social para os funcionários públicos e senhores de engenho.
Todos a condenam, mas ninguém pode passar sem ela”. A inveja, digo eu, é o sinal mais forte de um sistema fechado, onde a autonomia individual é fraca e todos vivem se balizando mutuamente. O controle por intriga, boato, fofoca, fuxico e mexerico é a prova desse incessante comparar de condutas cujo objetivo não é igualar, mas hierarquizar, distinguir, pôr em gradação. O horror à competição, ao bom-senso, à transparência e à mobilidade é o outro lado dessa cultura onde ter sucesso é uma ilegitimidade, um descalabro e um delito.
O êxito demarca, eis o problema, um escapar da rede que liga todos com todos. Essa indesejável individualização tem mais legitimidade quando vem de quem já está estabelecido. Daí ser imperdoável que Fulano — “aquela figurinha” — o faça, destacando-se pelo disco, novela, livro ou empreendimento desse mundo onde todos são pobres e miseráveis por definição e por culpa do “social”. O pecado mortal das sociedades relacionais é justamente essa individualização que separa o sujeito de uma rede hierárquica. Rede que nos persegue neste e no outro mundo.
Como, então, não sentir inveja do sucesso alheio, se estamos convencidos de que o êxito é um ato de traição a um pertencer coletivo conformado e obediente? Como não sentir inveja se o exitoso é aquele que se recusa a ser o bom cabrito que não chama atenção e passa a ser o mais vistoso — esse símbolo de egoísmo e ambição? Ademais, como não ter inveja se o sucesso é um sinal de pilhagem de um bem coletivo? Essa coletividade que, entra ano, sai ano, continua a ser percebida como mesquinha, subdesenvolvida, pobre e atrasada? Como um bolo pequeno e que jamais cresce, destinado a ser comido somente pelos que estão sentados à mesa?
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postado por Júlio às 15:12
 Outubro 18, 2007
COLADO DO BLOG DO CLÁUDIO HUMBERTO - 18/10/07
Ministérios e assemelhados
Antigamente, o Governo brasileiro tinha algo como 12 ministérios, que davam conta tranqüilamente de todas as tarefas. A Casa Civil tinha um Chefe.
Ao longo dos anos, esse número foi aumentando lentamente, até o advento do primeiro mandato do atual presidente.
E este foi radical no aumento; hoje estamos bem próximos de 40, entre ministros e secretários com status de ministro; faltam 2 ou 3 para que Ali Babá tenha seus 40 comparsas. O último a ser acrescido foi o já notório Mangabeira Unger, cujo sotaque denota ser legítimo brasileiro...
Aliás, seria interessante saber qual a necessidade de ministros como o dos portos, o da pesca, o da cultura que, ao que se saiba, muito pouco ou quase nada têm feito para justificar sua existência.
A começar pelo último dos citados, em cujo ministério nunca houve tantos desmazelos, tantos roubos de documentos e abandono em museus, tanta falta de atuação do Ministro, que parece muito mais interessado em manter sua carreira artística do que em cuidar dos assuntos culturais em termos mais amplos (o último, ou mais recente exemplo desse descaso envolveu o acervo de Jorge Amado, que quase foi enviado à Universidade de Harvard, que talvez tenha se interessado em ficar com o acervo mandando para cá, em troca, o professor que se licenciou para vir ser o Ministro do Planejamento de Longo Prazo...., Ministério criado ilegalmente pela Presidência da República.
Sobre portos não se conhece nenhuma medida tomada para modernizar nossos portos com novos equipamentos, com terminais eficientes para operarem com “containers” ou diminuir os custos da mão de obra. Estamos a léguas de distância dos bons portos do mundoE na pesca, o que foi feito?
Tomando-se em conta que para cada Ministério ou Secretaria com igual status há despesas com lugar para a instalação física, automóvel de luxo com motorista, vários DAS ou CC, além de pessoal (para o Sealopra seriam nomeados 600 funcionários), equipamentos de escritório, etc., é de se perguntar se, ao invés disso, não seria preferível alocar essa soma de recursos para saúde, educação, estradas, portos, etc., etc.
Ou, alternativamente, aceitar a redução da alíquota da CPMF em alguns décimos de pontos porcentuais, já estabelecendo que a cada ano haverá uma diminuição, até que fique em torno de 0,05%; mesmo com esse porcentual, os efeitos positivos da CPMF, de controle sobre a movimentação financeira, continuarão válidos.
Contando a quantidade de vezes em que o Chefe (Presidente da República) está fora do Brasil, é de se indagar com que freqüência (ou de quantas em quantas semanas) o Chefe despacha com cada um de seus Ministros. Pelo que se lê ou ouve da imprensa, isso acontece muito raramente. Daí a necessidade de um ministro com virtual posição de primeiro-ministro, um dos quais nos deixou uma triste lembrança, como operador do mensalão. O(A) atual tem fama de ser um(a) excelente gerentão.
A verdade é que, pensando bem, o Presidente Da Silva está fazendo o que disse que seria o verdadeiro indicativo de progresso: inchar, tanto quanto possível, a máquina do governo. Como se sabe, em recente pronunciamento o Sr. Da Silva disse que a teoria de “menos governo”, apregoada como sendo a ideal para melhorar o funcionamento da máquina, estava errada. Havia que admitir mais gente, aumentar a intervenção do Estado na vida do País em geral e na economia em particular.
Apesar de uma recente “recaída” do governo em seu processo de re-estatização, licitando 7 trechos de estradas federais para serem concedidas (vejam bem, “concedidas” e não entregues, como certamente os nacionalistas de plantão dizem) a empresas privadas, há um nítido processo de re-estatização, como o demonstram, entre outros, a entrega de antigos bancos estaduais ao Banco do Brasil e não licitando-os para que passem à propriedade de bancos privados, ao aumento de participação da Petrobrás na indústria petroquímica e no setor de gás natural, além de outros movimentos de menor repercussão.
E, de acordo com o que suponho ser a mentalidade do Sr. Da Silva, há que ter mais governo até para que os Ministérios e as Secretarias Especiais que criou tenham o que fazer.
Triste, muito triste, é que apesar de toda essa estrutura de governo, apesar da CPMF, estarmos constatando que a dengue se transformou em uma pandemia, com praticamente todos os Estados brasileiros atingidos pela doença (ontem noticiou-se que no Mato Grosso haviam sido registrados mais de 70.000 casos, com números ligeiramente inferiores em muitos outros estados).
Será que o Presidente Da Silva se jactará desse feito?
Peter Wilm Rosenfeld
pwrosen@uol.com.br
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postado por Júlio às 10:46
 Outubro 16, 2007
COLADO DO BLOG DO NOBLAT - 16/10/07
Mônica nua: triunfo da Vênus do Atraso
( Arnaldo Jabor )
Esgotou tudo nas bancas. Todo mundo quis ver a Mônica Veloso nua. Qual a razão deste espantoso sucesso? A principal talvez seja porque a única verdade nua e crua que apareceu até agora foi Mônica, em meio a uma caatinga embrenhada de mentiras. Mônica foi o único bem declarado de Calheiros, que apareceu de fato. Até então tínhamos visto bois magros, cheques falsos, açougues suspeitos, frases vagas, envelopes fantasmas, laranjas analfabetos, matadouros remotos; mas, agora não. Este bem ele teve, ali, patente, bonita.
Em revistas de sacanagem, com as mulheres nuas, buscamos nos excitar. Tiazinha (recorde até agora), Feiticeira, eram usadas para nossos vícios secretos. Na nudez de Mônica, não - mais além da excitação, do 'voyeurismo', fomos investigar uma nudez 'política', como se algum segredo não revelado nos inquéritos ainda pudesse aparecer nos meandros de sua carne.
Também queríamos entender algo sobre Renan, imaginar suas relações de amor. Renan está presente ali, ao lado dela. Como terá ele percorrido aquele corpo? Foi falso, foi verdadeiro? O que houve de sincero, de manipulação?
Notem que nas poses de Mônica há uma discrição não provocativa. Examinando suas fotos, vemos uma sensualidade contida, um sorriso ingênuo, como num coquetel onde ela, estranhamente... estivesse nua. Suas poses buscam uma elegância que faça contraste com o escândalo que a revelou. Ela não quer que nos excitemos; quer que a entendamos. Seu sorriso levemente encabulado pede compreensão para o proveito que, afinal de contas, ela tirou de seu drama. Um detalhe fascinante é o coraçãozinho tatuado em seu bumbum. Em geral, ali se desenham flechas 'punks', facas, grafites do diabo... No bumbum de Mônica, há um coração romântico, emanando guirlandas de rosas, quase um sagrado coração religioso.
Alguns românticos devem ter pensado: 'Sim, para além das maracutaias, há também a mágica milagrosa do amor...'
É inevitável comparar Mônica Veloso a Monica Lewinsky - esta sim que, no mais catastrófico 'blow job' da história, mudou o mundo. Clinton cometeu um pecado contra a verdade da pureza protestante. Não se apropriou de nada; ao contrário, não deixou Lewinsky entrar - ela ficou fora de seu corpo. O crime de Clinton, que quase o derrubou, foi a mentira. Renan caiu porque achava (e acha) que agiu dentro da Verdade (sim, de uma 'verdade' em que seus aliados acreditam), que agia com plenos e legítimos direitos patrimoniais.
Mônica Veloso fazia parte do patrimônio de Renan, considerado normal e ético, na melhor tradição das oligarquias nordestinas: fazendas, esposa oficial, prédios, simbiose com empreiteiras, milhões guardados e amante bonita.
Renan nos provocava uma fascinação quase invejosa. Há, no brasileiro médio, o sonho voraz de tudo ter, de ter nascido pobre como ele em Muricy e de, apesar de um estágio no PC do B, ter amealhado imensa fortuna. Quantos outros Renans nós invejamos, quando folheamos avidamente Caras e Quem, babando por iates, palácios, carrões, viagens, amantes, quantos?
A verdade é que invejávamos Renan. Renan foi um homem de sucesso. Seu erro foi ter se achado invulnerável. Renan errou porque além de tudo queria também ser considerado honesto. Renan teve erros parecidos com o de Collor, que aliás, ele inventou. Collor errou ao trair a 'alma do negócio', que é o segredo. Collor agiu à luz do dia, com seu fiel PC (que hoje seria apenas considerado um cleptomaníaco...). Renan também foi descuidado, confiante em sua impunidade total. Sem dúvida, era querer demais. Além de tudo que amealhou, não dava para desejar perdão, prestígio impoluto, impunidade... Foi demais. E não esqueçamos que ele não fez isso por onipotência ou desmesura ('hybris', como diziam os gregos), não. Ao se defender por 150 dias, acreditava realmente em seu direito de fazer tudo que fez, de trabalhar para empreiteiras, de favorecer grupos, de manipular regimentos, de ameaçar políticos. Não há consciência de erro em homens como ele. No mundo dos negócios políticos, no parlamento, muitos deputados e senadores talvez tenham até mais malandragens do que ele. Mas Renan errou ao querer nos fazer engolir tudo como sendo o exercício de legítimos direitos tradicionais, por ter acreditado numa jurisprudência nordestina de que fazem parte até em grau mais grave alguns acusadores de Alagoas e outros Estados próximos. Renan lutou como um herói ideológico para si mesmo e para homens como o Almeida Lima, o Jucá, até o próprio João Lira.
Os pelotões patrimonialistas, os exércitos oligárquicos encaram o Atraso como um desejo, um projeto, uma bandeira. Se a democracia se impuser, se a transparência prevalecer, que será das famílias oligárquicas? Como vão vicejar as fazendas imaginárias, as certidões falsificadas, os rituais das defraudações, as escrituras e contratos superfaturados? Que será da indústria da seca, não só da seca do solo, mas a seca mental, onde a estupidez e a miséria são cultivadas para o serviço da burguesia política?
Mônica Veloso nua é o nascimento de uma Vênus do Atraso, a apoteose triunfal que surge ao final de um processo que vai ficar na História do País como um avanço, um progresso: - apesar da ópera-bufa, já sabemos como funciona a sordidez de nosso processo político oficial, como é difícil modernizar o País.
Transcrito de O Globo de 16/10/2007
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postado por Júlio às 15:26
 Outubro 1, 2007
COLADO DO BLOG DO CLÁUDIO HUMBERTO - 01/10/07
COLLORIDO OU PRETO E BRANCO
Falar sobre o que está acontecendo neste País exige, além de tempo, muito trabalho e avaliações de dados e informações, principalmente no tocante à vida Política Brasileira. O Caos está instalado, irreversível e dolorosamente no coração na Nação.
Os políticos perderam completamente a decência e a vergonha. Como dizemos nós por aqui, “a cara nem treme”. Num dia, como vimos no Senado, há boicote de sessões pela “oposição” por causa do caso Renan e trocas de palavras e ofensas que ferem nossa sensibilidade. No final, com raras exceções, são todos iguais e já se pode perceber que “ficaram de bem”.
Com apoio do Poder Central, com conchavos e acertos, até mesmo com algumas “pequenas chantagens”, tipo “veja lá, sei coisas de você também”, e assim por diante. Mensalão não dá cadeia e nem punição, agora “mensalinho”........
Como é triste ver este País, continental, rico, promissor e suscetível ao desenvolvimento sustentável, ir por água abaixo com tanta facilidade. O que falta é inteligência e vontade de fazê-lo melhor, porque a nossa Nação está sendo “subtraída em tenebrosas transações” como diz a sempre atual música de Chico Buarque.
Tantos escândalos, gente grande envolvida, tudo às claras como se fôssemos, nós os Brasileiros (e por vezes até o somos), o povo do carnaval e do futebol. Do pão e do circo. Vemos todos, mas absolutamente todos, dentro de um mesmo “jacá”, farinha do mesmo saco, políticos sem caráter, moldados em barro apodrecido pela sujeira.
Como sempre eles se dão bem, o Senador Renan é um dos únicos pecuaristas deste País que consegue fazer sua atividade render. Gostaria de saber a fórmula.
Há exatos 15 anos, o Presidente Collor foi cassado e execrado da vida Pública Nacional. Por tão pouco. Hoje, situações milhares de vezes mais graves, não levam à punibilidade. Quem tem telhado de vidro, não joga pedra no telhado dos outros. É isso o que vemos hoje, com clareza e absoluta convicção.
Acho que o Presidente Collor não “remunerou” quem deveria, por isso foi colocado fora do Poder. Um ano depois, os que o cassaram, estavam envolvidos na Máfia do Orçamento, os anões e os gigantes que estavam com as mãos nos nossos cofres e nos bolsos de cada brasileiro.
Até hoje, a situação não foi esclarecida. Um carro, uma reforma, outras coisas mais... Quem , na verdade, dos que tinham medo do que PC sabia dos “gatunos”, descobertos após a cassação do Presidente Collor, o matou?
Uma coisa é certa, no Governo do Presidente Collor, pude exercer como então Superintendente do IBAMA, com tranqüilidade e soberania a minha função, porque as ingerências políticas (que sempre ocorriam), não encontravam eco no IBAMA e nem mesmo junto ao próprio Presidente. Respeitava-se a competência e a honestidade das pessoas. Hoje, os interesses são outros.
Com a chegada do Sr. Itamar Franco, as coligações com o PMDB para aprovação de matérias de interesse do Governo, a Lei que previa que somente servidores de carreira do IBAMA poderiam ocupar o Cargo de Superintendente e outros da Instituição, foi mudada para agradar aos senhores “representantes do povo” e, aqui em MT, deu no que deu. Frise-se que, deu para a Instituição, não para os políticos e seus indicados.
Hoje, todos e qualquer um podem ocupar cargos. Podem fazer o que querem e isso em todos os níveis de poder. Indico você, mas fica me devendo hem?
Do Brasil de Collor para o Brasil do PT, não vi nenhuma mudança que pudesse justificar o massacre sobre o primeiro. Não vejo preto-no-branco e sim, completa escuridão e muita fumaça negra rondando a Nação Brasileira.
Pelo menos Collor teve coragem de assumir posições definidas sobre a Amazônia, regulamentou uma Lei de 1991 e fez uma política ambiental clara. Quem viver verá. E como ele próprio dizia: “O tempo e senhor da razão......duela a quem duela”.
Que pena que andamos para trás e temos tão poucas perspectivas de ver um Brasil melhor, para todos e não para alguns desonestos comandados por “Ali-babás”.
ORIANA PAES DE BARROS
-PANTANEIRA-
Coment:
postado por Júlio às 18:53
 Setembro 29, 2007
COLADO DO BLOG DO JOSIAS DE SOUZA - 29/09/07
Cromo alemão ou chinelinho?
Vai abaixo artigo do repórter Clóvis Rossi (assinantes da Folha)
“Quando José Simão cunhou a expressão "o país da piada pronta", imagino que estivesse sendo irônico. Mas o tal país esmerou-se tanto, tanto, que a ironia virou fato. Pior: a frase acabou sendo atropelada, porque, além de "piada pronta", o Brasil (o Brasil político ao menos) já entrega o "deboche pronto", o "escracho pronto" e algumas outras coisas que o decoro me impede de explicitar.
Vejamos: um país em que a Secretaria de Longo Prazo dura cem dias é uma piada, certo? Quer dizer, uma piada cara, porque, junto com a secretaria viriam (ou virão ainda) 660 cargos, muitos com remuneração que não é piada, não.
Como se a cara piada não bastasse, vem o senador Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG), suplente entronizado no cargo porque o titular, Hélio Costa, virou ministro, e acrescenta o escracho. Diz, honestamente, que os senadores que votaram contra a secretaria só querem um "chinelinho novo", não precisa ser um agrado tipo "sapato de cromo alemão".
É cena de fisiologia explícita. E barata. Se é para ser fisiológico, que seja pelo sapato de cromo alemão, para mostrar que o pessoal se vende, sim, mas se vende caro. Vem também o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), e diz que "tudo o que foi ouvido nem tudo foi ouvido" (foi pelo menos a declaração dele que a CBN pôs no ar ontem à tarde). O que ele quer dizer exatamente com isso só os especialistas em romerojuquismo poderão explicar.
Suspeito que ele quis dizer o seguinte: o presidente Lula não ouviu os pedidos de "chinelinho novo" feitos pela turma do PMDB do Senado. Só teria atendido os que querem "sapato de cromo alemão". Fecha o círculo do deboche o próprio Lula ao dizer que não faz barganha e que a negociação com os partidos é "programática".
Qual é o programa? Sapato de cromo ou chinelinho?"
Escrito por Josias de Souza às 04h06
Coment:
postado por Júlio às 12:52
 Setembro 26, 2007
COLADO DO BLOG DOS BLOGS - HOJE -
Do jornalista Carlos Chagas, comentarista do SBT e da Rádio Jovem Pan:
Brasília (ALO) - Não tem limites o tamanho da goela do PT para abocanhar postos na administração federal direta e indireta. Apareceu alguma vaga no ministério ou na diretoria das estatais e os companheiros ocupam os primeiros lugares na fila. Também não ficam atrás quando se trata da liberação de verbas para emendas individuais ao orçamento. Só nas preliminares da prorrogação da CPMF, receberam mais de 21 milhões, acima dos demais partidos da base governista. Por enquanto, tendo em vista que faltam mais três votações, uma na Câmara e duas no Senado.
Dirão os cultores da lógica ser assim mesmo, pois o PT, afinal, é o partido do governo e do presidente da República. Tudo bem, mas essa constatação dá calafrios.
Por que? Porque sabem todos os petistas que o partido não dispõe de um candidato capaz de vencer as eleições de 2010. Sendo assim, vão entregar o ouro ao bandido, perdendo os milhares de cargos que detém? De jeito nenhum, e nem estarão dispostos a mendigar vagas junto a Ciro Gomes ou Aécio Neves, se um deles vier a ser apoiado pelo Lula e ganhar a eleição.
Os calafrios? Ora, basta retificar o parágrafo acima. O PT tem um candidato em condições de ganhar. Quem? Ele mesmo, se lhe for dado disputar o terceiro mandato.
É aqui que a vaca vai para o brejo, ou melhor, que as instituições democráticas irão para o espaço. O PT inteiro não apenas apóia a permanência do Lula no poder. Trabalha por ela, por enquanto em surdina. Ou irão os companheiros perder a boca que os faz condôminos do Executivo federal, importando menos se preparados ou despreparados para o exercício das milhares de funções ocupadas?
Que ninguém se iluda, apesar dos desmentidos de praxe: o terceiro mandato é uma compulsão para o PT, devendo constituir-se, também, numa "obrigação" para o presidente Lula, quando chegar a hora de rasgarem a Constituição. Basta aguardar.
Coment:
postado por Júlio às 20:10
 Setembro 25, 2007
COLADO DO BRASILWIKI - SITE "POP" EM 25/09/07
Oposição sem bandeira e sem rumo
Publicado em 24|09 pelo(a) wiki repórter Soares, Divinópolis-MG
Uma oposição enfraquecida e um Congresso desmoralizado pode ser bom para Lula e o PT, mas é ruim para a democracia. -
Se Lula da Silva pode comemorar quatro anos e nove meses de poder à frente de um governo medíocre - mas que, paradoxalmente, lhe confere um elevado índice de popularidade - ele deve uma boa parte disso à oposição. Fragmentada, desarticulada e sem bandeira política, a oposição, representada principalmente pelo PSDB e pelo DEM ( ex-PFL), perdeu e continua perdendo todas as |
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